Tensão

Após incêndio criminoso que deixou prejuízo de R$ 7 milhões, prefeito de Campo Magro cancela eventos de Natal

(Foto: Cola)

Após incêndio criminoso no pátio da Secretaria Municipal de Obras na madrugada desta quinta (2), que destruiu pelo menos treze ônibus e outros equipamentos, deixando prejuízo de R$ 7 milhões, o prefeito de Campo Magro,  Cláudio Casagrande (PSD), anunciou o cancelamento das festividades de Natal. Em live no Facebook, no início da tarde, bastante emocionado, o prefeito lamentou o crime e disse que pela segurança da população optou pelo cancelamento do Auto de Natal, que começaria no próximo dia 7. "Sinto muito pelas crianças que ensaiaram para o Auto de Natal, pelas pessoas que se dedicaram na decoração. Eu não tenho medo, mas não posso arriscar a vida dos moradores de Campo Magro", afirmou ele.  Ele também anunciou a suspensão das obras de manutenção na cidade, porque os equipamentos foram queimados. Ninguém ficou ferido no incêndio.

 De acordo com as informações do prefeito, dois homens encapuzados, por volta das 2 horas da madrugada, renderam os vigias do pátio  com bombas caseiras incendiaram ônibus e equipamentos, como máquinas para obras. Casagrande disse que tudo indica que o incêndio criminoso foi retaliação a uma ação de policiais da Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Ronda) na Ocupação Nova Esperança, que culminou na morte de Igor Cristiano da Silva, na madrugada de quarta (1). "A secretaria de Segurança está investigando o caso, mas tudo indica que foi retaliação pela ação da PM na ocupação.  Não podemos deixar que o vandalismo vença, porque é dinheiro público. O prejúizo equivale a 10% da nossa arrecadação", disse ele. O estrago só não foi maior, segundo o prefeito, porque funcionários da prefeitura foram chamados e conseguiram retirar alguns veículos do pátio, como caminhões e maquinário. O Corpo de Bombeiros foi chamado e conseguiu controlar as chamas. 

Movimento Popular por Moradia nega envolvimento de integrantes de ocupação em incêndio

O Movimento Popular Por Moradia (MPM), no entanto, encaminhou nota à imprensa, em nome dos moradores da Ocupação Nova Esperança, repudiando a declaração do  prefeito atribuindo o incêndio criminoso a moradores da Ocupação Nova Esperança. "Não há qualquer prova ou evidencia que o incêndio criminoso ocorrido no pátio de
obras da Prefeitura de Campo Magro na data de hoje teria sido cometido pelos moradores da Ocupação Nova Esperança em retaliação a morte de Igor Cristiano da Silva. Assim, cumpre-nos informar que não há qualquer participação ou envolvimento do Movimento Popular Por Moradia, tampouco dos moradores da Ocupação Nova Esperança, bem como os fatos serão apurados pelos órgãos de investigação e certamente a responsabilização penal dos criminosos. Assim, desde logo, exige-se uma retratação pública do Sr. Prefeito Cláudio Casagrande, haja vista que não há qualquer nexo entre os fatos ocorridos no dia 01/12/2021 e 02/12/202", disse o MPM.

Na nota, o Movimento Popular por Moradia (MPM) ressaltou que a conduta da população da ocupação desde seu primeiro dia de assentamento, sempre foi e continua sendo "de ordem pacífica e aberta ao diálogo com todos os órgãos públicos e instituições de segurança pública a fim de minimizar conflitos, sobretudo acerca da permanência dos moradores na antiga Fazenda Solidariedade, ora objeto de litígio". "Assim, cumpre informar que os desdobramentos da ação policial na madrugada do dia 01/12/2021, culminando na morte de Igor Cristiano da Silva, não justificam a conduta opressora, violenta e criminosa da Polícia Militar do Paraná face aos moradores da Ocupação Nova Esperança, conforme registrado por eles durante a ação dos milicianos. Desta feita, o MPM informa que acionará os órgãos de controle da Policia Militar e o Ministério Público a fim de apurar a conduta criminosa perpetrada pelos agentes do estado visando sua responsabilização cível, administrativa e criminal", afirmou a nota.

Em entrevista à RPC TV, o delegador Cassiano Aufíero, disse que as evidências coletadas até agora indicam que o incêndio teve relação com a ação da polícia militar na noite anterior: "Foram coletadas algumas evidências que serão confrontadas com dados que possuímos. Tudo leva a crer que se trata de uma retaliação a uma ação policial efetuada na noite anterior, contendo, inclusive, no local, algumas ameaças a órgãos públicos por parte dessa quadrilha”. 

De acordo com informações da Polícia Militar, o confronto mencionado pelo prefeito está ligado à suspeita de tráfico de drogas e o suspeito morto portava uma pistola 380 que, possivelmente, além de contar com passagens na polícia por tráfico de drogas, homicídio e ameaça.