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Em Brasília

Após posse de deputados, Rodrigo Maia é reeleito presidente da Câmara

Rodrigo Maia senta-se na cadeira presidencial após a vitória
Rodrigo Maia senta-se na cadeira presidencial após a vitória (Foto: Agência Brasil)

Presidente da Câmara dos Deputados nos últimos anos, Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito nesta sexta-feira (1) para mais dois anos na presidência da Casa. A eleição tinha outros seis candidatos: Marcel Van Hattem (Novo-RS), Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Ricardo Barros (PP-PR), Fábio Ramalho (MDB-MG), João Henrique Caldas (PSB-AL) e General Peternelli (PSL-SP).

A votação foi secreta, apenas com o número de votos aparecendo no painel. Maia foi eleito ainda no primeiro turno, com 334 votos, maioria absoluta do total de deputados que votaram (512). O deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) presidiu a sessão por ser o mais idoso da Casa.

O segundo mais votado foi Fábio Ramalho (MDB-MG), com 66. Depois seguiram-se Marcelo Freixo (PSOL-RJ), com 50; João Henrique Caldas (PSB-AL), com 30; Marcel Van Hattem (Novo-RS), 23; Ricardo Barros (PP-PR), 4; e General Peternelli (PSL-SP) 2. Houve 3 votos em branco.

Uma vez eleito ao cargo de presidente da Câmara, Maia passou a presidir o restante da sessão desta sexta, que ainda vai definir os demais cargos da Mesa Diretora. Todos foram eleitos em primeiro turno, à exceção da segunda vice-presidência – o que provocou um segundo turno entre Luciano Bivar (PSL-PE) e Charlles Evangelista (PSL-MG), vencido por Bivar por 198 votos contra 184 de Evangelista, às 22h50. O 1º vice-presidente foi Marcos Pereira (PRB-SP), com 398 votos. Como 1º secretário, Soraya Santos (PR-RJ), com 315 votos. Como 2º secretário, Mário Heringer (PDT-MG), com 408 votos. Como 3º secretário, Fábio Faria (PSD-RN), com 416 votos. Como 4º secretário, André Fufuca (PP-MA), com 408 votos. Os suplentes eleitos foram Rafael Motta (PSB-RN), Assis Carvalho (PT-PI), Geovania de Sá (PSDB-SC) e Isnaldo Bulhõres Jr. (MDB-AL).

Os deputados federais eleitos em outubro tomaram posse nesta sexta-feira. Maia pôde ser reeleito à Presidência da Câmara porque teve início uma nova legislatura na Casa. O regimento impede que um presidente da Câmara seja reconduzido ao cargo durante uma mesma legislatura.

Em seu discurso antes da eleição, Maia falou sobre sua experiência como presidente da Câmara, para defender as reformas e para pedir um voto de confiança em sua reeleição. "O que eu sei é que se nós não reformarmos o Estado brasileiro, nem a esquerda, nem a direita, nem os prefeitos, nem os governadores conseguirão mudar a educação nesse país", afirma ele. "A Presidência da Câmara precisa de um presidente que tenha experiência, que tenha equilíbrio".

Caberá a Maia tocar a agenda econômica do governo de Jair Bolsonaro (PSL), à qual já se declarou favorável. A reforma da Previdência, por exemplo, deve ser enviada ao Congresso ainda em fevereiro e terá de ser aprovada na Câmara antes de seguir para o Senado, tarefa que não foi possível no governo de Michel Temer.

Além disso, terá que lidar com pressões das bancadas temáticas, como a evangélica, ruralista e da bala, para colocar em votação projetos da agenda de costumes do governo, como o Escola Sem Partido. Nesse campo, tem dito nos bastidores que deve segurar propostas.

Histórico

Para conseguir se eleger pela terceira vez consecutiva, fato inédito na Câmara, Maia contou com o apoio de partidos de todos os lados do espectro político.

Fazem parte do bloco centrado em torno do atual presidente da Casa partidos do centrão como PP, PR, PRB, Solidariedade e Podemos, bem como o PSL do presidente Jair Bolsonaro e siglas da centro esquerda, como PDT.

Com o voto secreto, é impossível determinar quais votos vieram de partidos da base do atual presidente e quais partiram de dissidências como de alas do PT e do PSB que, reservadamente, admitiam votar em Maia.

De outro lado, há parte dos partidos do chamado centrão, como o PP, e do próprio PSL, que resistiam à ideia da reeleição e podem ter partido para outro candidato.

Maia se elegeu pela primeira vez em 2016 para um mandato-tampão depois da renúncia do então presidente da Casa Eduardo Cunha (MDB-RJ). Com uma improvável aliança entre setores da esquerda e PSDB e DEM —logo após o impeachment de Dilma Rousseff— chegou à cadeira derrotando o candidato de Cunha, Rogério Rosso (PSD-DF).

Depois, em 2017, enfrentou resistência de adversários que afirmavam que ele não poderia concorrer, já que a Constituição veda a reeleição na mesma legislatura. Venceu, no entanto, a tese de que isso não era aplicável a mandatos-tampão e o parlamentar levou no primeiro turno, com 293 votos.

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