'As pessoas querem o Doria presidente?', questiona Márcio França

O ex-governador do Estado de São Paulo Márcio França (PSB), candidato à Prefeitura da capital paulista, afirmou que seu sucessor, João Doria (PSDB), será eleito presidente da República em 2022 caso o prefeito tucano Bruno Covas se reeleja na cidade. "A pergunta que todo mundo tem que fazer é o seguinte: as pessoas querem o Doria presidente da República ou não querem? É isso. Se o Bruno ganhar, Doria será presidente da República", disse neste sábado (31) durante agenda de campanha no Parque Santa Madalena, que fica na região de Sapopemba, na zona leste da cidade.

Ainda de acordo com o ex-governador, o deputado Celso Russomanno, candidato pelo Republicanos e segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, não tem condições de ganhar de Covas no segundo turno. De acordo com pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo divulgada ontem (30), o deputado e apresentador de TV, que é apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, sofreu uma forte alta na taxa de rejeição, de 30% para 38%.

O mesmo levantamento indica que Covas subiu 4 pontos porcentuais, de 22% para 26%, enquanto Russomanno caiu 5 pontos, de 25% para 20%. "Nós já demonstramos que temos condições de ganhar deles, já ganhamos uma vez", afirmou França sobre o fato de ter ganhado de Doria na cidade de São Paulo quando foi derrotado na eleição em 2018, ao tentar se reeleger governador.

"O Russomanno não tem, as pesquisas demonstraram. O [Guilherme] Boulos não tem. São pessoas talvez com os seus méritos. Mas, para você ganhar no segundo turno, você tem que invadir um pedacinho do espaço do outro", argumentou.

Pandemia

O candidato também defendeu a sua proposta de abrir as escolas públicas aos finais de semana como forma de ajudar a defasagem sofrida por alunos da rede em virtude da pandemia do novo coronavírus. "A gente quer que as pessoas das escolas e das igrejas possam servir de referência nos finais de semana. Queremos que no ano que vem todas as crianças estudem sábado, domingo e feriado e vamos ter que ter atividade paralela", disse.

"A atividade lúdica, especialmente essas ligadas a esporte e cultura, são as mais fáceis de você levar as pessoas. Você viu que você junta 400, 500 pessoas assim em um sábado, que você não conseguiria juntar para dar uma aula de alguma coisa", afirmou. O candidato se referiu à partida do Explosão Futsal, um time organizado por moradores do Parque Santa Madalena, e que sedia jogos aos finais de semana na Escola Municipal de Ensino Fundamental Brasílio Machado Neto.

"A diretora da escola me falou: ou eu abro, ou eu abro (a quadra para uso no final de semana)", disse França. O ex-governador afirmou ainda que pretende dar aos alunos de escolas públicas, a partir do final do ensino fundamental e do ensino médio, a possibilidade de fazer o estudo regular ao mesmo tempo em que realiza um curso técnico por ensino à distância. "As aulas por EAD saem muito baratas", disse. "Nós saímos de 3 mil alunos para 50 mil alunos em oito meses", afirmou sobre a expansão da modalidade no período em que foi governador do Estado.

O candidato também voltou a defender sua proposta de criação de uma frente de trabalho na qual cidadãos prestariam serviços de zeladoria e afins à Prefeitura, três vezes por semana, em turnos de seis horas, em troca de um auxílio de R$ 600 reais. "Essas pessoas [que hoje recebem o auxílio emergencial do governo federal] vão ficar super desesperadas. Nós precisamos encontrar uma saída para elas", defendeu.