Os ataques a caixas eletrônicos em todo o Brasil tiveram uma queda de 43% de janeiro a maio deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Em São Paulo, a redução foi ainda maior, de 72% no mesmo período, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado. Os números da pasta incluem os roubos a banco em geral. Foram 25 casos entre janeiro e maio de 2018 e apenas sete ocorrências no mesmo período deste ano.

Para o diretor adjunto de Operações da Febraban, Walter Faria, parte da queda é decorrente da instalação de dispositivos que mancham de tinta as cédulas quando os caixas são arrombados. As ações dos órgãos de segurança estaduais e federais, e do Exército também contribuíram para a redução, segundo ele. Os dispositivos com tinta colorida já foram instalados pelos bancos em 75,6% dos caixas, até maio, em cidades com até 50 mil habitantes. Nas cidades com população entre 50 mil e 500 mil, 30% dos terminais já têm a tecnologia.

A medida faz parte do compromisso dos bancos de combater esse tipo de crime e se adequar à lei 13.654, de abril de 2018, que alterou o Código Penal para reprimir principalmente o uso de explosivos nos ataques. Conforme a legislação, para municípios com até 50 mil habitantes, os bancos teriam até novembro deste ano para instalar a tecnologia da tinta em 50% dos terminais eletrônicos e até agosto de 2020 para atingir 100% dos caixas. Atualmente, o parque de caixas eletrônicos no país é de 168 mil unidades.

Em cidades maiores, o prazo vai até abril de 2021. Conforme a Febraban, a instalação do dispositivo prioriza as regiões com maior incidência de ataques. Segundo Faria, os bancos optaram pela tinta especial, a mesma usada pela Casa da Moeda para a fabricação das cédulas – produto indelével, impossível de eliminar. Faria explica que no caso de recebimento de cédula manchada, mesmo que em pequena quantidade, o cliente deve entregar o dinheiro para seu banco.

Queda

Um levantamento com 17 instituições financeiras que respondem por mais de 90% do mercado bancário mostrou que, em 2018, foram realizados 171 assaltos e tentativas a agências. O total é 21% menor que o registrado em 2017 (217), quase a metade de 2016 (339) e um décimo do registrado em 2000, quando houve 1.903 ocorrências. Conforme a Febraban, a queda nos índices também se deve às ações da polícia no desbaratamento de quadrilhas e ao trabalho de inteligência para identificar os grupos criminosos.

A redução no volume de dinheiro disponível nas agências, por causa do uso de canais eletrônicos para operações bancárias, também teve influência. Os bancos investem cerca de R$ 9 bilhões anualmente na segurança das agências.

No Estado de São Paulo, em 2018, tinham sido 4 roubos a banco em janeiro, 4 em fevereiro, 5 em março, 3 em abril e 9 em maio. Já este ano, houve 1 caso em janeiro, 2 em fevereiro e 2 em março. Abril e maio tiveram um registro em cada mês. A redução nos ataques coincide com ações mais ostensivas de repressão a esses crimes pelos órgãos de segurança.

No dia 4 de abril, uma ação da Polícia Militar resultou na morte de 11 suspeitos, em Guararema, na região metropolitana da capital. Os criminosos explodiram caixas de dois bancos, mas foram cercados por equipes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). A quadrilha já era monitorada e foi surpreendida pela ação policial.

Conforme a SSP, nos últimos seis anos o número de casos de ataques a caixas eletrônicos no Estado de São Paulo caiu 97,8%. No primeiro semestre de 2013 foram registradas 508 ocorrências desta natureza, contra 11 no mesmo período deste ano.

Paralelamente ao trabalho das polícias, a pasta informou ter liderado discussão sobre o combate a este tipo de crime com outras instituições como a Febraban, o Exército e a União. “Dentre as medidas, há a decisão do Exército de obrigar as empresas a terem escolta privada para evitar o extravio de dinamite e o mapeamento georreferenciado dos caixas eletrônicos para dar maior eficiência ao policiamento”, disse em nota.