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Brasileirão

Ato político do Atlético descumpre CBF e deve render denúncia no STJD

Paulo Andr\u00e9 (\u00e0 esquerda) sem a camisa amarela
Paulo Andr\u00e9 (\u00e0 esquerda) sem a camisa amarela (Foto: Geraldo Bubniak)

LONDRES, REINO UNIDO, E CURITIBA, PR (UOL/FOLHAPRESS) - A manifestação política do Atlético-PR no jogo contra o América-MG no último sábado (6), véspera do primeiro turno das eleições, pode render punição em multa e suspensão de dirigentes por desrespeito ao RGC (Regulamento Geral de Competições) da CBF. A informação foi confirmada pelo procurador do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), Felipe Bevilacqua, que está à frente do caso.

Entretanto, a despeito da mensagem política, é o ato, e não a mensagem em si, que pode render punição ao Atlético. "Não existe em nenhum lugar a vedação expressa desse caso. Existe uma situação protocolar do RGC que a CBF tem uma regulamentação de uniforme. Tudo o que o clube faça de indumentária que não faça parte do uniforme precisa ser protocolado e aprovado. O que eventualmente usar em campo antes, no momento e em logo em seguida, precisa ser aprovada", explicou Bevilacqua.

A CBF confirmou que o Atlético solicitou o uso da mensagem no estádio e nas camisas fora do prazo legal de 48 horas antes de cada jogo, e que reprovou o pedido por isso. Mesmo com a negativa da entidade, o Atlético decidiu fazer a ação. "Se não houve autorização, vai haver denúncia, não pela manifestação em si, mas sim pelo desrespeito ao regulamento", confirmou o procurador.

Questionado sobre as restrições da Fifa sobre as manifestações políticas no futebol, o procurador esclareceu que elas se referem especificamente aos atos dos atletas. "O artigo 4 é muito específico para camisa embaixo do uniforme, uso dos atletas. Seria forçar algo, até por que está claro que partiu do clube e não dos atletas", comentou.

Todos os jogadores do Atlético entraram em campo com uma camisa amarela escrita "Todos Juntos por Amor ao Brasil", mensagem que vem sendo utilizada por membros da campanha do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

A exceção foi o zagueiro Paulo André, que vestiu o agasalho do clube por sobre a camisa. O atacante Marcelo Cirino, que recentemente se manifestou em seu perfil no Instagram à favor da campanha "#EleNão", com uma mensagem dizendo "Se fere minha existência, serei resistência", acabou vestindo a camisa.

No clube, a informação é de que o ato seria apartidário, com origem no departamento de marketing, e que não houve coação para que os atletas usassem a camisa, que estava junto com o uniforme de jogo nos vestiários.

Em seu perfil no Facebook, o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, Mario Celso Petraglia, usou a frase para declarar seu apoio à Bolsonaro. O STJD também irá investigar se cabe punição ao dirigente. "Pode ser só uma multa, se for reincidência pode ter algo mais sério, até para o presidente", lembrou Bevilacqua, que citou ainda o episódio em que o clube, à revelia da CBF, fez com que o goleiro Santos usasse um celular antes de uma partida, em uma campanha de marketing. O jogador foi punido com um jogo de suspensão.

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