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Patrulha e Lava Jato

Beto Richa, Fernanda e aliados são presos pelo Gaeco

O ex-governador e candidato ao Senado, Beto Richa (PSDB) e sua esposa, a ex-secretária de Estado da Família, Fernanda Richa, foram presos ontem, em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual, que investiga desvio de recursos e lavagem de dinheiro no programa “Patrulha do Campo”, de manutenção de estradas rurais. No mesmo dia, o ex-chefe de gabinete de Richa, Deonilson Roldo, foi preso pela Polícia Federal na 53º fase da operação Lava Jato, denominada “Operação Piloto”, que investiga o pagamento de propina pela Odebrecht ao grupo do ex-governador em troca de favorecimento em uma licitação para obras na rodovia PR-323. 

Além de Roldo, foram presos ainda Jorge Theodócio Atherino, conhecido como “Grego”, empresário apontado como operador financeiro do ex-governador; e Tiago Correia Adriano Rocha, indicado como braço-direto de Atherino. A Lava Jato também cumpriu 33 mandados de busca e apreensão, um deles na casa de Richa. 

Na Operação “Radio Patrulha”, além de Beto e Fernanda Richa, foram presos Pepe Richa, irmão do ex-governador e ex-secretário de Infraestrutura; Ezequias Moreira, ex-secretário de Cerimonial; Luiz Abib Antoun, primo de Richa; Celso Frare, empresário da Ouro Verde; Aldair W. Petry; Dirceu Pupo, contador; Emerson Savanhago, empresário; Robinson Savanhago, empresário; e Túlio Bandeira, advogado e candidato ao governo do Estado em 2014. Também foram alvos de mandados de prisão, mas não foram encontrados, Edson Casagrande, ex-secretário de Assuntos Estratégicos; Joel Malucelli, empresário e dono da J.Malucelli; André Felipe Bandeira; e Deonilson Roldo, ex-chefe de gabinete do ex-governador, que já havia sido preso na Lava Jato no mesmo dia. 

Segundo o MP, a operação “Rádio Patrulha” investiga o pagamento de propina a agentes públicos, direcionamento de licitações de empresas, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça. Os mandados foram expedidos pelo juiz da Fernando Fischer, da 13ª Vara Criminal de Curitiba. 

Sistema
A investigação é fruto de delação premiada do ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) Nelson Leal Junior, preso na Operação Integração, 48.ª fase da Lava Jato. Além de esquemas sobre obras em estradas, Leal Junior falou na delação que haveria um esquema de “corrupção sistêmica” com cobrança de propina de 1% a 3% em contratos do governo com empresas que mantém negócios com o Porto de Paranaguá, na Sanepar, na Receita Estadual e na Fomento Paraná.“O governo do Estado do Paraná possuía um esquema sistêmico de arrecadação de vantagem indevida junto a diversas empresas que possuíam contratos com o Poder Público”, registra o termo da delação. O dinheiro desviado serviria para bancar campanhas eleitorais de Richa e seu grupo, através de caixa 2, e também para enriquecimento ilícito. 

Defesa
A advogada Antônia Lélia Sanches, que defende Beto Richa, afirma que o ex-governador sempre se dispôs a prestar esclarecimentos à Justiça. Defendeu que não há motivos para a prisão, especialmente em período eleitoral, e falou sobre como o tucano reagiu. “A indignação dele diante deste tratamento, deste desrespeito enquanto governador, enquanto homem público que sempre pautou as atuações dele de forma regular”, disse.

A assessoria de Joel Malucelli afirmou que as acusações são injustas, que ele nega qualquer irregularidade e que sempre esteve à disposição das autoridades para esclarecimentos. Segundo a assessoria, “Joel Malucelli se desligou, em 2012, das atividades e rotinas da empresa fundada por ele e que está de férias fora do país aguardando orientação dos advogados”. O advogado Roberto Brzezinski, que defende Deonilson Roldo, disse que considera a prisão desnecessária porque o cliente sempre colaborou com a Justiça. A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos demais investigados. 
 

Cida e Ratinho Jr não defendem tucano
Aliados do ex-governador Beto Richa (PSDB), a governadora e candidata à reeleição, Cida Borghetti (PP) e o deputado estadual e candidato ao governo, Ratinho Júnior (PSD), evitaram defender o tucano, preso ontem pelo Gaeco. Em notas e declarações à imprensa, se limitaram a defender as investigações. “Cada um tem que responder pelos seus atos”, disse Cida, que assumiu o governo em abril, após a renúncia de Richa para disputar o Senado. O ex-governador é candidato a senador na chapa da governadora. “Eu estou tranquila, em paz, fazendo o meu trabalho. Cuidando do estado e também como candidata levando a minha mensagem à população do Paraná”, afirmou ela. 

“O ocupante de cargo público tem que ser responsabilizado por seus atos. Quem fez coisa errada tem que ser punido. A Justiça está atuando com isenção e é isso que nós esperamos”, disse Ratinho Jr, que foi secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano do governo Richa até setembro de 2017. 

O vice na chapa de Cida, o coronel Sergio Malucelli, é primo do empresário Joel Malucelli, que teve mandado de prisão expedido pela Justiça Estadual, mas estaria na Itália. 

O candidato do MDB ao governo, deputado federal João Arruda (MDB), é genro de Joel Malucelli,  pai da esposa de Arruda. No início da manhã, o candidato comentou as prisões de ontem. “É triste ver o Paraná no noticiário policial. Triste fim de um governo marcado pela agressão aos professores, pelas contas de luz e água abusivas, e coberto, sempre, por diversas acusações de corrupção”, disse no Twitter. 

Lava Jato e Gaeco alegam ‘coincidência’ em ações diferentes no mesmo dia
Tanto o Gaeco quanto a Polícia Federal afirmam que a deflagração 53ª fase da Lava Jato e da Operação “Rádio Patrulha”, no mesmo dia, foi “coincidência”. O procurador estadual Leonir Batisti, coordenador do Gaeco, disse que a operação que prendeu Beto Richa foi independente da Lava Jato. “Foi coincidência, insisto, embora ninguém vá acreditar”, declarou. O delegado federal Felipe Eduardo Hideo Hayashi também negou qualquer relação entre as duas ações. “Foi uma mera coincidência, não houve nenhum tipo de ação conjunta com o Ministério Público Estadual”, afirmou.

Assinada pelo juiz federal Sergio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato, a “Operação Piloto”, cumpriu 36 mandados judiciais em Salvador (BA), São Paulo (SP), Lupionópolis (PR) Colombo (PR) e Curitiba (PR). O codinome “Piloto”, de acordo com a força-tarefa da Lava Jato, se refere a Beto Richa na planilha da Odebrecht. A investigação apura pagamento de vantagem indevida em 2014 pelo setor de propinas da Odebrecht em favor de agentes públicos e privados no Paraná, em contrapartida ao possível direcionamento do processo licitatório para investimento na duplicação, manutenção e operação da PR-323.

Segundo o MPF, empresários da Odebrecht realizaram um acerto de subornos com Deonilson Roldo, para que ele limitasse a concorrência da licitação para duplicação da PR-323, entre os municípios de Francisco Alves e Maringá. Em contrapartida, a Odebrecht pagaria R$ 4 milhões a Roldo e ao seu grupo. Perícia da PF nos sistemas Drousys e MyWebDay do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht verificou que foram pagos R$ 3,5 milhões em cinco pagamentos entre setembro e outubro de 2014. Os valores teriam sido entregues em São Paulo, em um condomínio relacionado à sogra de Jorge Atherino. 

Grampo
“Já entrou um tico-tico lá”, diz Richa

Gravações entregues pelo ex-deputado estadual Tony Garcia, delator da Operação do Gaeco, fazem parte do inquérito. Em um dos trechos de gravação telefônica, Richa agradece Garcia: “já entrou um tico-tico lá que tava atrasado, obrigado”, diz. A conversa, de novembro de 2013, entre o delator e o então governador faz menção, segundo o MP-PR, ao atraso da propina que deveria ter sido paga por Celso Frare, empresário da Ouro Verde.
Tony: Ele não acertou o negócio aí.
Beto: Ahn?
Tony: Ele não acertou o negócio aí.
Beto: Ah! Ele me agradeceu, “já entrou um tico-tico lá que tava atrasado, obrigado”.
Tony: Isso.
Beto: Ele sabe que tá difícil sair, já pagaram uma parte… Bão...
Tony: Isso… Só que ele não pagou a parte que tem que pagar.
“Os indícios de autoria estão consubstanciados no conjunto de elementos probatórios que instruem este pedido, em especial no áudio de gravação ambiental de mov. 1.25, em que o próprio investigado trata de assuntos relacionados ao atraso do pagamento da propina com o colaborador TONY GARCIA”, destaca o juiz.

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