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Pronunciamento

Bolsonaro volta a distorcer fala de diretor da OMS sobre isolamento social

Bolsonaro; presidente ignorou resposta da OMS, que negou ter recomendado fim de isolamento para trabalhadores informais
Bolsonaro; presidente ignorou resposta da OMS, que negou ter recomendado fim de isolamento para trabalhadores informais (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Em novo pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), voltou a usar declarações do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom, para questionar as medidas de isolamento social defendidas pela entidade e pelo Ministério da Saúde como forma de combate a disseminação do coronavírus. Mais cedo, o próprio Adhanom havia desmentido Bolsonaro, reafirmando a necessidade de isolamento social como forma de evitar a proliferação ainda maior da doença, e cobrando medidas de socorro a trabalhadores informais por parte dos governos. O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, também já havia negado hoje que a OMS tenha defendido o fim do isolamento. 

Bolsonaro citou a fala do diretor da OMS segundo a qual haveriam muitas pessoas que têm que trabalhar todos os dias e que essa população precisa ser levada em conta pelo governo. “(O diretor-geral) continua ainda: 'Se fecharmos ou limitarmos movimentações, o que acontecerá com estas pessoas, que têm que trabalhar todos os dias e que têm que ganhar o pão de cada dia todos os dias? Então, cada país, baseado em sua situação, deveria responder a esta questão'”, disse o presidente em referência à fala de Tedros Adhanom.

"Não me valho dessas palavras para negar a importância das medidas de prevenção e controle da pandemia, mas para mostrar que da mesma forma precisamos pensar nos mais vulneráveis. Esta tem sido a minha preocupação desde o princípio", acrescentou o presidente, ao citar trabalhadores informais e autônomos.

Hoje, pelas redes sociais, o diretor-presidente da organização, sem citar o presidente brasileiro, se manifestou e afirmou que pessoas sem renda merecem ter a dignidade garantida e convocou os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica a essas pessoas. "Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Convoco os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia da covid-19. Solidariedade", disse em mensagem retuitada pela OMS.

A entidade respondeu em duas publicações em redes sociais, mas sem citar Bolsonaro diretamente. Ele escreveu que pessoas "sem salários regulares ou poupanças merecem políticas sociais que garantam dignidade e permitam a elas adotar medidas contra a covid-19 seguindo orientações de saúde da OMS e de autoridades locais".

No pronunciamento, Bolsonaro afirmou que a crise do coronavírus é o “maior desafio da nossa geração”. Bolsonaro voltou a enfatizar a necessidade de se implementar medidas para a preservação de empregos. “O efeito colateral das medidas de combate ao coronavírus não pode ser pior do que a própria doença. A minha obrigação como presidente vai para além dos próximos meses. Preparar o Brasil para a sua retomada, reorganizar nossa economia e mobilizar todos os nossos recursos e energia para tornar o Brasil ainda mais forte após a pandemia.”

O presidente disse que as medidas de proteção à população estão sendo implementadas de forma coordenada, racional e responsável. Segundo Bolsonaro, o Brasil avançou muito nos últimos 15 meses, desde que tomou posse em janeiro de 2019, e sua preocupação sempre foi salvar vidas. “Tanto as que perderemos pela pandemia quanto aquelas que serão atingidas pelo desemprego, violência e fome.”

Ele destacou políticas em defesa do emprego e da renda como a ajuda financeira aos estados e municípios (com adiamento de pagamento das dívidas), linhas de crédito para empresas, auxílio mensal de R$ 600 aos trabalhadores informais e vulneráveis e entrada de cerca de 1,2 milhão de famílias no programa Bolsa Família. “Temos uma missão: salvar vidas, sem deixar para trás os empregos. Por um lado, temos que ter cautela e precaução com todos, principalmente junto aos mais idosos e portadores de doenças preexistentes. Por outro, temos que combater o desemprego, que cresce rapidamente, em especial entre os mais pobres. Vamos cumprir essa missão ao mesmo tempo em que cuidamos da saúde das pessoas.”

Saúde

Bolsonaro afirmou que o governo está adquirindo novos leitos com respiradores, equipamentos de proteção individual (EPI), kits para testes e outros insumos. Também destacou o adiamento, por 60 dias, do reajuste de medicamentos no Brasil.

O presidente voltou a falar que a hidroxicloroquina parece eficaz contra o novo coronavírus, mas que ainda não há vacina ou remédio com eficiência cientificamente comprovada.

“Na última Reunião do G-20 [grupo das vinte principais economias do mundo], nós, os chefes de Estado e de Governo, nos comprometemos a proteger vidas e a preservar empregos. Assim o farei”, disse.

Bolsonaro destacou o emprego das Forças Armadas no combate ao novo coronavírus e a criação de um Centro de Operações para realizar ações de montagem de postos de triagem de pacientes, apoio a campanhas, logística e transporte de medicamentos e equipamentos de saúde.

O presidente destacou que determinou ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, "que não poupasse esforços, apoiando através do SUS todos os estados do Brasil, aumentando a capacidade da rede de saúde e preparando-a para o combate à pandemia”.

Bolsonaro agradeceu ainda os profissionais de saúde e voltou a falar da importância da colaboração de Legislativo, Executivo, Judiciário e sociedade civil para a preservação da vida e dos empregos.

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