CORREGEDORIA

Câmara abre processo contra o vereador Renato Freitas, que criticou repasses a igrejas

Ato em apoio ao vereador
Ato em apoio ao vereador (Foto: Divulgação CUT Paraná - UPE)

A Corregedoria da Câmara Municipal de Curitiba abriu uma sindicância para apurar a representação contra o vereador Renato Freitas (PT), acusado por parlamentares da bancada evangélica de “intolerância religiosa” e “ofensas discriminatórias”. A representação foi apresentada pelos vereadores Ezequias Barros (PMB), Sargento Tânia Guerreiro (PSL), Osias Moraes e Pastor Marciano Alves (ambos do Republicanos), depois que Freitas criticou repasses de recursos públicos a comunidades terapêuticas ligadas a igrejas evangélicas.

O vereador – que está no primeiro mandato – também criticou a defesa feita por vereadores do bloco, do chamado “tratamento precoce” — com medicamentos sem eficácia científica comprovada contra a Covid-19 — e o projeto do prefeito Rafael Greca (DEM) que previa multa contra a distribuição de alimentos à população em situação de rua sem autorização.

Os quatro parlamentares acusam Freitas de “ofensas morais e à dignidade” e “quebra de decoro”. Freitas nega as acusações, afirmando que se trata de uma tentativa de censura e um atentado à liberdade de expressão e de opiniões protegida pela imunidade parlamentar. A direção estadual do PT diz que a representação é um exemplo de “racismo estrutural da política brasileira”.

Manifestação

Nesta segunda-feira (10), Freitas organizou uma manifestação política-cultural pela sua defesa em frente à Câmara. Cerca de 70 pessoas participaram do ato pacífico, que também contou com manifestações culturais e artísticas, com música, dança e poesia. De lá, participou da sessão dizendo que o processo de cassação do mandato “é um absurdo, não tem nenhum tipo de fundamento”. Segundo ele, “o único objetivo é tentar censurar nosso mandato, é tentar fazer com que nossa voz se cale”.

Freitas manteve as críticas ao ‘kit covid’ e ao repasse de recursos públicos para comunidades terapêuticas religiosas: “É um absurdo em um estado laico você injetar mais dinheiro em comunidade terapêutica do que em Centro de Atenção Psicossocial (Caps), multidisciplinar, distribuído geograficamente conforme a necessidade do estado e pagas com o dinheiro do contribuinte”, afirmou.

Um dos autores da representação, Osias de Moraes – vice-líder da bancada do prefeito Rafael Greca na Casa, rebateu. “Quer dizer que agora porque é negro, porque veio da periferia, pode desrespeitar o cidadão? Pode desrespeitar as instituições? Pode difamar? Pode criar preconceito? Eu também vim da periferia, também vim de um lugar pobre, e eu não ataco aqui absolutamente ninguém”, alegou. “Não estamos fazendo nenhum tipo de perseguição ao vereador Renato. Sou filho de negros e italianos”, disse Ezequias Barros.