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LEGISLATIVO

Câmara de Curitiba estuda retomar projeto de nova sede

Sabino Picolo (DEM): “A cidade precisa de um prédio novo”
Sabino Picolo (DEM): “A cidade precisa de um prédio novo” (Foto: Franklin de Freitas)

A Câmara Municipal de Curitiba estuda retomar o projeto de construção de uma nova sede, engavetado no início de 2017, diante da crise econômica. A informação é do vereador Sabino Picolo (DEM), que assume a presidência da Casa no próximo dia 4. Segundo ele, a ideia é usar recursos economizados pelo próprio Legislativo.

Picolo assume o cargo pela segunda vez. Na primeira, em março de 2012, ele assumiu interinamente o posto em substituição a João Cláudio Derosso, que renunciou ao mandato após ser alvo de denúncias de gastos irregulares com publicidade. Desta vez, afirma o vereador, a situação é bem diferente, já que desde então, a Câmara reduziu gastos, cortando cargos e investindo em transparência. Em entrevista ao Bem Paraná, Picolo explica quais seus planos para a nova gestão e como pretende conduzir a discussão de temas polêmicos, como a adoção da bilhetagem eletrônica em todo o sistema de transporte coletivo da Capital paranaense.

Bem Paraná – Qual a expectativa do senhor para esse novo mandato como presidente da Câmara?

Sabino Picolo - Nós estamos fazendo uma série de reuniões, vendo com os meus diretores, com o pessoal que está nos ajudando para fazer uma série de inovações, investidas. Queremos levar a nossa Câmara aos bairros através das comissões permanentes. Tipo assim: a comissão de Saúde fazer pelo menos uma vez por mês uma visita aos hospitais que são credenciados ao SUS, às unidades de saúde, ir em loco ver a parte de saúde. A comissão de Urbanismo, do Meio Ambiente, de Educação nas escolas, creches. E também a nossa escola do Legislativo, dar uma incrementada junto escolas, levar o que a gente faz aqui na Câmara, para os alunos, a comunidade ter uma ideia do que a gente faz.

BP - O senhor pensa em retomar a ideia de construção de uma nova sede?

Picolo - Até tenho uma reunião marcada amanhã (quinta-feira, 17). A cidade precisa de um prédio novo. Nós temos que trabalhar nessa linha, sem gastar nenhum recurso da prefeitura. Isso é recurso de poupança interna da Câmara, de economia. Porque nossos prédios aqui não condizem com a qualidade da cidade. Nós estamos muito abaixo do que a cidade, o povo merece.

BP - Como seria viabilizado isso?

Picolo - Eu conversei com o prefeito. E o prefeito Rafael Greca é um entusiasta – ele foi vereador, gosta da cidade - de que Curitiba merece um prédio onde acolha, acomode a população com um espaço adequado. Nós não temos. Nós estamos aqui, por exemplo, o meu gabinete é um prédio (da antiga empresa) da Força e Luz, que tem mais de 70 anos. A maioria das nossas instalações são de 70, 80 anos. Nós temos o prédio histórico onde nós temos o plenário, que também é um prédio muito bonito, que tem que ser preservado, já foi Assembleia Legislativa. A gente tem que trabalhar nessa linha para ver se a gente consegue devolver para a cidade algo que seja adequado para a população.

BP - Por enquanto é só um estudo, então?

Picolo - É um estudo, eu diria que até um sonho. Porque não é tão fácil. Mas o prefeito está bem entusiasmado em de repente fazer uma PPP (Parceria Público Privada), um outro estilo de construção. Amanhã nós vamos começar a trabalhar em cima disso.

BP - Com o prefeito?

Picolo - Com o prefeito eu já conversei. Eu vou conversar com o (presidente do IPPUC, Luiz Fernando) Jamur, para o IPPUC começar a fazer um estudo. Ver o que cabe. Seria naquele prédio onde é a antiga garagem dos bondes, ou seria nesse espaço do estacionamento da Câmara. A gente quer continuar a transparência dos vereadores, levando para a comunidade dos vereadores, o trabalho da Câmara. Que a população participe mais, se integre mais, saiba mais o que a Câmara faz.


NOVOS TEMPOS

'Casa hoje está bem mais enxuta'

Bem Paraná - O senhor assumiu a presidência da Câmara pela primeira vez em 2012, após a renúncia do ex-vereador João Cláudio Derosso. Qual a diferença para esse novo mandato?

Sabino Picolo - A diferença que eu acho mais importante agora é que na época nós tínhamos 556 cargos comissionados e 332 cargos efetivos, que são os concursados. Naquela época nós fizemos um enxugamento dos comissionados. Tivemos também redução de quadro dos funcionários concursados. Fizemos uma série de ações que reduziram bastante o custo da Câmara. Tanto é que nos últimos anos a Câmara sempre devolve R$ 40, R$ 50 milhões por ano para a prefeitura. A Câmara já está bem mais enxuta, já não tem muita coisa a ser enxugado, porque hoje nós temos 174 funcionários (efetivos). Temos algumas profissões, por exemplo, temos aqui a profissão de motorista que é uma profissão em extinção. Temos algumas delas na sequência que vamos extinguir essas profissões e de repente até criar outras. São adequações desse tipo. A Câmara, de lá para cá, não teve grandes mudanças, porque o que tinha que ser feito foi feito na época. Agora é nós trabalharmos e fazermos o melhor pela cidade. Acho que a Câmara, o que tinha que fazer em termos de economia e enxugamento foi feito. Temos que modernizar a nível, por exemplo, a nossa informática ainda é muito atrasada, a parte da comunicação nas redes sociais nós temos que melhorar. Nós temos que ficar mais perto do povo. O povo tem que saber mais da Câmara.

BP - Em 2017, a Câmara teve momentos tensos com a votação do ajuste fiscal proposto pelo prefeito, que acabou tendo que ser feita na Ópera de Arame. Para 2019, o senhor prevê alguma votação tão polêmica que possa causar algo nesse sentido?

Picolo - Não tem nenhum projeto de ajuste, adequação, polêmico. Não vejo nada polêmico porque tudo o que precisava fazer foi feito na época. É claro que tem algumas questões que surgem, mas não vejo nada polêmico.


COBRADORES

'Temos que fazer uma transição gradual'

Bem Paraná - Tem a questão do projeto da prefeitura que amplia a adoção da bilhetagem eletrônica no transporte coletivo e acabou tendo a votação adiada para 2019, justamente por sofrer resistência de motoristas e cobradores. Como o senhor pretende conduzir essa discussão?

Picolo – Eu conduzo com muita naturalidade. Eu até quero pegar uma comparação. Então se extingue (a função) o cortador de cana com um facão. Mas se cria o cortador de cana com uma máquina ultramoderna onde o emprego sai de R$ 1 mil, R$ 1,5 mil por mês para R$ 5 mil, R$ 6 mil. Eu tenho falado para os representantes dos cobradores: nós temos que fazer uma transição. As empresas do transporte coletivo já estão treinando os cobradores. Aqueles que vão se aposentando, não se contrata mais. Os motoristas que vão se aposentando, pode o cobrador substituir o motorista e ganhar melhor. Ou ele pode trabalhar na administração das empresas. Ou o mercado vai absorvendo. Nós temos que fazer uma transição gradual e contínua. De tal forma que esses cobradores, de um dia para o outro não percam o emprego. Mas eles vão buscando no mercado algo melhor que eles têm. Porque esse é um emprego, um cargo que está em extinção. Não tem como. Custa na passagem R$ 0,74. Então o povo está sendo penalizado por manter os cobradores. Se nós conseguíssemos passar tudo para a bilhetagem eletrônica, o custo da tarifa técnica baixava R$ 0,74. Assim como todas as isenções. Por exemplo: Polícia Militar, Guarda Municipal, Correios, aposentados e outros mais consomem em torno de 17% da tarifa do ônibus. E tem muitos dessas daí que nós podemos começar a cobrar. Por exemplo, o Correio é uma empresa que dá lucro. E outras mais.

BP – Nas eleições de 2018, muitos partidos e políticos tradicionais foram rejeitados pelo eleitorado. Na avaliação do senhor, qual o recado que as urnas deixaram para os políticos?

Picolo – Eu vi com naturalidade, porque o povo queria novidade. A vontade de mudança. Os políticos tradicionais: desde o Geraldo Alckmin, o nosso Alvaro Dias, Beto Richa, Meirelles, nenhum teve sucesso. O povo queria renovação. Quis experimentar algo diferente. E quem tinha melhores condições, o Bolsonaro saiu na frente porque o discurso dele veio ao encontro do que o povo queria. Isso é normal.

BP – Para os vereadores, o senhor acha que há algo a aprender com isso?

Picolo – O vereador é aquele que tem o voto direto com o povo. Não é na televisão, e nem no discurso que ele vai ganhar o voto. Eu sou um vereador já de seis mandatos e o meu relacionamento é direto. Para mim eu acredito que não muda nada porque quem acreditou em mim no passado vai acreditar para frente. Vai mudar alguma coisa para quem tiver uma boa divulgação na rede social, que vai de encontro ao que aquilo que o povo quer ouvir. Mas a rede social elege alguns, mas não elege outros.


FRASE

“Nós temos que trabalhar nessa linha, sem gastar nenhum recurso da prefeitura. Isso é recurso de poupança interna da Câmara, de economia. Porque nossos prédios aqui não condizem com a qualidade da cidade. Nós estamos muito abaixo do que a cidade, o povo merece”

do novo presidente da Câmara Municipal de Curitiba, vereador Sabino Picolo (DEM)

 

 

 

 

 

 

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