Na trave

Câmara de Guaratuba rejeita pedido de CPI para investigar prefeito por ameaça de demissões após pleito

(Foto: Divulgação/Câmara de Guaratuba)

A Câmara Municipal de Guaratuba, no litoral do Paraná, rejeitou na noite de segunda-(15) a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a supostos crimes administrativos cometidos pelo prefeito Roberto Justus (DEM). Se fosse aprovada, a comissão investigaria o caso envolvendo um áudio em que o prefeito ameaça demitir quase 100 servidores comissionados por causa da baixa votação do pai dele, o deputado estadual Nelson Justus. Segundo o requerimento, a CPI investigaria os crimes de quebra de decoro, ameaça, abuso de poder econômico e político por parte do prefeito. O placar foi de oito votos contrários à abertura da CPI, contra quatro favoráveis

.Inconformado com o número de votos do pai Nelson Justus (DEM), reeleito deputado estadual, o prefeito de Guaratuba, no Litoral paranaense, Roberto Justus (DEM), ameaçou  no dia 8 de outubro  demitir todos os comissionados da Prefeitura em áudio encaminhado aos colaboradores. Roberto se disse inconformado com os apenas 3.266 votos que o pai recebeu na cidade, que conta com 23.920 eleitores. No aúdio, ele afirmou que diante da votação baixa do pai no município precisava repensar a administração da cidade e por isso mandaria todos os comissionados embora.  "Na condição de prefeito e cabo eleitoral de Nelson Justus, preciso repensar nosso trabalho e nossa gestão, Por conta disso, resolvi exonerar todos os secretários, todos os cargos comissionados, do CC1 ao CC4. Vou pensar aonde que nós erramos. Porque a população não aprova o nosso trabalho, o trabalho de vocês, Vou montar um novo grupo, um novo plano de governo. Muito obrigado mesmo, sem nenhum tipo de mágoa. É uma mudança de rumo. Hoje vou publicar um decreto e vou avaliar muito cautelosamento todas as nomeações daqui pra frente", disse o prefeito de Guaratuba no áudio.

No mesmo dia, no entanto, Roberto Justus publicou no Facebook um depoimento, no qual voltava atrás sobre as demissões e pede desculpas por `desabar`. "Hoje fui confrontado com minha própria condição humana, senti a dor de um filho que vê seu pai ser injustiçado e desabafei... E ao desabafar feri pessoas que não gostaria que fossem feridas, por isso venho aqui me retratar e me desculpar.  No meu olhar de filho, ao ver os resultados das urnas deste ano, entendi que ele deveria ter conseguido muito mais votos de nossa cidade. Mas sua votação aqui foi de 3.266 votos. Essa ausência de reconhecimento nas urnas me feriu", disse ele. "O resultado também me fez pensar que estaria sugerindo uma reprovação à minha atuação na prefeitura. Por isso gravei um áudio para os meus secretários falando em mudança de rumos e demissões em massa, o que não vai ocorrer", garantiu.

 

 

 

Apesar da baixa votação, Justus foi reeleito deputado estadual com 38.349 votos no estado.

Pedido de desculpas
Em uma mensagem publicada no Facebook depois do vazamento do áudio, que causou mal-estar na Câmara Municipal e foi debatido entre os parlamentares, o prefeito se desculpou e negou que pretendia demitir os servidores.

A mensagem, no entanto, foi excluída por ele horas depois.

Nelson Justus foi reeleito com 38.349 votos e o único deputado eleito na região do Litoral do Paraná.