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Carga viral de covid-19 no esgoto de Curitiba triplica no começo de 2022, mostra estudo

(Foto: Divulgação )

A Rede Monitoramento Covid Esgotos, coordenada em Curitiba pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), emitiu alerta nesta sexta (14) sobre o aumento observado na carga de SARS-CoV-2 no esgoto de Curitiba na primeira semana epidemiológica de 2022 (04/01/2022). A carga viral no esgoto aumentou ainda mais, atingindo 490 bilhões de cópias por dia por 10 mil habitantes, valor 3 vezes superior ao da semana anterior, que foi de 168 bilhões de cópia por dia. Os dados de carga de SARS-CoV-2 para Curitiba foram obtidos pela soma das cargas das cinco ETEs monitoradas, que atendem juntas à toda população de Curitiba e a uma fração da região metropolitana desta capital. Também foi observado aumento  nas concentrações virais no esgoto de três sub-bacias monitoradas nesta cidade: nos bairros Tarumã, Boqueirão e na região da Rodoferroviária.

O aumento, apesar de grande, é bem menor do registrado na última semana de 2021, quando a carga foi 31 vezes superior à carga detectada na semana anterior. Na última semana de 2021 (SE 52 – 28/12/2021), a carga de SARS-CoV-2 atingiu um valor de 167,7 bilhões de cópias genômicas de SARS-CoV-2 por dia por 10 mil habitantes, valor 31 vezes maior do que a carga determinada na semana anterior (SE 51 – 21/12/2021), de 5,4 bilhões de cópias de SARSCoV-2 por dia por 10 mil habitantes. Na semana epidemiológica 52, houve aumento nas concentrações de SARS-CoV-2 em todas as ETEs monitoradas, sendo que, em duas delas (ETE Padilha Sul – PR-ETE-03 e ETE Santa Quitéria – PR-ETE-05) as concentrações atingiram valores considerados elevados (acima de 25.000 cópias genômicas/ L). Também foi observado aumento (de duas vezes) no número de novos casos confirmados de Covid-19 em Curitiba na última semana de 2021, em relação à semana anterior.

A equipe técnica do projeto vinculada à Universidade Federal do Paraná (UFPR),  esclarece que, embora o vírus Sars-CoV-2 (causador da Covid-19) possa ser detectado no esgoto, ele não está na forma ativa e infecciosa. De acordo com a pesquisa recentemente publicada por Sobsey, que realizou uma ampla revisão de diversos estudos científicos, não há evidência documentada que o vírus Sars-CoV-2 tenha capacidade de infecção e replicação quando presente em resíduos fecais, esgoto sanitário e na água. Além disso, o autor destaca que nunca foi relatada a infecção por Covid-19 por esses meios de exposição.

A Rede Monitoramento Covid Esgotos foi criada com intuito de ampliar a disponibilidade de informações para o enfrentamento da pandemia de Covid-19 por meio do monitoramento do SARSCoV-2 nos esgotos das capitais brasileiras Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e do Distrito Federal. A Rede é coordenada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações de Tratamento de Esgotos Sustentáveis (INCT ETEs Sustentáveis) e pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em Curitiba, especificamente, o projeto é coordenado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e conta com o apoio da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).

Informações mais detalhadas sobre os pontos de monitoramento, incluindo a justificativa para o monitoramento de cada ponto, podem ser obtidas no Boletim de Apresentação da Rede. O histórico de resultados da Rede pode ser consultado nos Boletins de Acompanhamento, disponíveis na página da ANA, por meio do link: https://www.gov.br/ana/pt-br/assuntos/acontece-na-ana/monitoramentocovid-esgotos