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De casa

Durante a pandemia, cerca de 10% dos paranaenses estão trabalhando em home office

(Foto: Agência Brasil)

O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou uma tabela com a estimativa de quantos paranaenses estavam em home office em julho deste ano. Eram 504,1 mil trabalhadores em casa, o que corresponde a cerca de 10% a força de trabalho no Paraná. No Brasil seriam 8,4 milhões de pessoas trabalhando remotamente.

A estimativa leva em conta o total de pessoas que trabalham com carteira assinada. No Paraná seriam cinco milhões e no Brasil, 81,4 milhões. Do total no Paraná, a maioria é mulher (59%) e os homens representam os outros 41%.

A estimativa também mostra algumas disparidades, especialmente quanto à raça e tempo de escolaridade. Daqueles que trabalham em home office, apenas 18% são negros e 22% não têm o ensino superior completo. Também, 25% não tem casa própria.

Outro dado que confirma um certo abismo social entre as pessoas que podem trabalhar de casa em relação a outras. Apenas 5% ganha até um salário minimo; 6% de 1 a 2 salários mínimos; 14% de 2 a 3 salários; e 27% ganham acima de 3 salários mínimos.

UFPR
Um outro estudo também mostra diferenças, mas entre aqueles que estão em home office. O relatório técnico baseado na pesquisa sobre o trabalho remoto na pandemia aponta que, em uma comparação entre setor público e privado, o número de servidores públicos que precisa cumprir metas de produtividade é maior que de trabalhadores de empresas privadas. O estudo também indica que profissionais do setor de educação têm apresentado dificuldades de adaptação à nova modalidade.

Com relação ao gênero, o relatório destaca que a maior parte dos profissionais que diz estar trabalhando em um ritmo mais acelerado na pandemia é composta por mulheres. O trabalho foi realizado pelo Grupo Estudo Trabalho e Sociedade (GETS) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em parceria com a Rede de Monitoramento Interdisciplinar da Reforma Trabalhista (Remir).

O estudo também constatou que os trabalhadores do setor público tiveram mais gastos pessoais e menos recursos oferecidos pelas instituições para a execução das atividades em regime remoto do que aqueles que atuam na esfera privada. O resultado está alinhado com a diminuição de gastos que vem sendo constatada pelo setor público com a adoção dessa modalidade de serviço.

Detalhes do trabalho em home office

Estimativa Dieese

  • Em home office: 504,1 mil trabalhadores
  • Mulheres: 59%
  • Homens: 41%
  • Negros: 18%
  • Não negros: 82%
  • Sem ensino superior: 22%
  • Com ensino superior: 78%

Fonte: IBGE. Pnad Covid19. Brasil e Unidades da Federação - dados de julho de 2020
Elaboração: DIEESE

Estudo UFPR

  • Questionados sobre e existência de metas, a maioria dos funcionários públicos (62%) disse que precisa cumprir critérios de produtividade, enquanto no setor privado 51% possuem metas
  • No trabalho remoto, 25% dos profissionais das duas categorias tiveram suas metas de produtividade aumentadas
  • Durante a pandemia, o ritmo de trabalho ficou mais acelerado para 47% dos servidores públicos e para 52% dos profissionais do setor privado
  • O estudo também constatou que os trabalhadores do setor público tiveram mais gastos pessoais e menos recursos oferecidos pelas instituições para a execução das atividades em regime remoto do que aqueles que atuam na esfera privada
  • Na área da edicação, dificuldades no trabalho remoto apontados por essa categoria foram o recebimento de demandas de trabalho a qualquer horário e dia da semana (53%), a falta de contato com os colegas e alunos (50%), a dificuldade em separar a vida familiar da atividade profissional (48%) e muitas interrupções durante o trabalho (45%)
  • Das mulheres entrevistadas na pesquisa que deu origem ao relatório, mais da metade (51%) avalia que passou a trabalhar em um ritmo mais acelerado durante a pandemia. Com relação aos homens, essa percepção é menor: 43%
  • Paralelamente, mais homens relataram que o ritmo de trabalho não sofreu alterações (24%) ou que passaram a trabalhar em uma velocidade mais lenta (33%) durante o distanciamento social. Para as mulheres, esses quesitos correspondem a 43% e 17%, respectivamente
  • Nesse período, o percentual de mulheres que têm trabalhado cinco dias na semana caiu de 83%, antes da pandemia, para 57%, assim como dos homens que passou de 78% para 55%
  • Antes da pandemia, apenas 8% das mulheres exerciam atividades profissionais seis dias na semana. Durante a quarentena, na modalidade remota, esse percentual mais que dobrou, atingindo 19% do sexo feminino
  • Para os homens, trabalhar seis dias na semana passou de 10% para 16%. Já o trabalho sete dias na semana passou de uma taxa de 1% a 17% para as mulheres e de 4% a 18% para homens. Esses dados são relativos apenas ao trabalho remunerado
  • De acordo com a pesquisa, 65% das mulheres e 53% dos homens tiveram dificuldades em executar o trabalho de modo remoto, enquanto 47% dos homens e 35% das mulheres disseram que não tiveram dificuldades
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