Via Calma

Mais da metade dos ciclistas migrou da canaleta para ciclofaixas

A ciclofaixa instalada na Avenida Sete de Setembro está cumprindo um dos objetivos da Via Calma, promovendo uma maior segurança para o trânsito das bicicletas. Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), com a colaboração do movimento CicloIguaçu, mostra que os ciclistas que trafegam pela avenida estão cada vez mais utilizando a Via Calma em seus trajetos, deixando de lado o perigoso trânsito pelas canaletas do transporte coletivo. A migração chega a 56,5% da canaleta para a ciclofaixa, dependendo do trecho da avenida.

A pesquisa foi realizada entre agosto e outubro do ano passado e mostra que as ciclofaixas preferenciais, instaladas em julho de 2014 nas pistas lentas da avenida, têm sido boa opção de rota para ciclistas das mais diversas faixas etárias, ocupação profissional e idades.

Foram observados 649 ciclistas, dos quais 365 participaram respondendo as questões do estudo, que incluíram local de moradia, origem, destino, motivo e frequência do deslocamento, idade, sexo, escolaridade, ocupação e renda.

O levantamento foi feito em três trechos da avenida – entre as ruas Mariano Torres e Tibagi (trecho 1), entre as ruas Lamenha Lins e Brigadeiro Franco (trecho 2), e entre as ruas Bento Viana e Silveira Peixoto (trecho 3) –, sempre entre 17h e 20 horas, período de maior movimento no trânsito, de retorno do trabalho.

Em 2014, na contagem entre a Mariano Torres e Tibagi, 59,9% dos ciclistas utilizaram a Via Calma e 26,5% a canaleta do transporte coletivo; no ano anterior, essa porcentagem era de 15,4% usando a pista lenta da Avenida e 63,3% a canaleta.

No trecho entre as ruas Lamenha Lins e Brigadeiro Franco, 81% utilizaram a Via Calma e 18% a canaleta; em 2013, eram 23,6% usando a pista lenta da avenida e 74,5% a canaleta.

No trecho 3, entre as ruas Bento Viana e Silveira Peixoto, 66% utilizaram a Via Calma e 19% a canaleta, sendo que no ano anterior eram 43,4% usando a pista lenta e 53% a canaleta – o restante dos ciclistas circulou no contrafluxo tanto da Via Calma como das canaletas.

Em comparação a uma pesquisa semelhante contratada pelo Ippuc em 2008 na Avenida Sete de Setembro, o uso da ciclofaixa é ainda mais significativo. A pesquisa apontou que no trecho 1, 75% dos ciclistas utilizavam a canaleta do transporte coletivo e 13% as pistas lentas da via; no trecho 2, 94% utilizavam a canaleta e 6% as pistas lentas; e no trecho 3, 82% utilizavam a canaleta e 18% as pistas lentas – da mesma forma, o restante circulou no contrafluxo das pistas lentas e das canaletas.

Tivemos uma resposta positiva muito mais rápido do que esperávamos na utilização da Via Calma. Pedestres, ciclistas e motoristas estão entendendo que devem viver em harmonia para termos um trânsito melhor em Curitiba. Estamos no caminho certo e vamos promover ainda mais a convivência entre os modais, estimulando a civilidade no trânsito de Curitiba, diz o presidente do Ippuc, Sérgio Pires.

A Via Calma da Avenida Sete de Setembro permite o compartilhamento de uma mesma rota por carros, bicicletas e pedestres. Além de dar espaço para os ciclistas nesta importante via de circulação, o projeto investe em uma mudança de cultura, incentivando o uso de modais alternativos e tirando carros das ruas. O uso por motoristas é permitido com velocidade máxima de 30 quilômetros por hora, em uma clara prioridade para os outros modais.

Para Jorge Brand, o Goura, assessor da Coordenação de Mobilidade Urbana da Secretaria Municipal de Trânsito, a pesquisa demonstra a importância de a Prefeitura de Curitiba investir em uma infraestrutura cicloviária que seja útil e eficiente e que vá ao encontro ao desejo dos usuários. A Via Calma é o primeiro passo para incorporarmos de fato a bicicleta como meio de transporte na cidade. A intenção é expandir o projeto para os outros eixos estruturais da cidade e também fazer sua conexão com os terminais de transporte, diz. Com esses resultados, o projeto-piloto da Via Calma da Sete de Setembro deve ser expandido para os outros eixos estruturais, com a conexão aos terminais de transporte.