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Cineminha dois – a missão

Eu poderia começar dizendo que não foi nada daquilo. Que por um motivo obscuro, esqueci do grande cinema de Recife, do São Luiz no centro da cidade, do ônibus que tomávamos em Casa Forte com a tia mais generosa de quem já se teve notícia, da companhia dos primos, dos filmes dos Trapalhões assistidos uma sessão após a outra, na mesmíssima tarde – avisei que a tia era generosa –, daquele casal de cujo beijo longo sigo lembrando até hoje – não combinavam com o ambiente, o horário ou a escolha da sala, mas por alguma razão, combinavam perfeitamente –, das balas compradas antes da sessão nas lojas Americanas, do sorvete no fim da tarde, no caminho de volta. Poderia.

Deveria até. Talvez. Seria como uma daquelas sequências. Sabe quando um filme vai muito bem e o estúdio responsável encomenda um “O que quer que seja 2 - A Missão”? Pois é em missão que volto para falar do cinemão. Mas não por uma questão de “vai muito bem”, ao contrário. “Uau, como tu lembra de tantos detalhes? ( é a técnica sanduíche, ela começa com um elogio - pão) E o cineminha no Ritz e Astor? No São Luiz? Tudo bem que só víamos os Trapalhões, mas tinha cigarrinho de chocolate e Sete Belo. No final, lanche na Karblen para completar (segue com uma chamada - recheio). Adorei o texto! (e termina com um afago - outro pão)” Essa é minha irmã sobre a coluna que publiquei há alguns dias. E eu que pergunto: como ela lembrou da Karblen? Que escolha de nome curiosa para uma lanchonete, não é?

De minha mãe ouvi uma crítica um tantinho mais dura. “O que vão pensar as pessoas de Garanhuns com esse ‘se eu tivesse vontade de voltar’? Melhor tirar”. Já estava impresso/publicado e não havia modo de ‘tirar’ – nem razão para. A memória é mesmo uma ilha de edição, tanto quanto o discurso. E deles não se tira nada. O que deixou de ser dito, não está necessariamente fora, e pode – e esse pode está aqui para efeito de simpatia, vocês sabem – ser inclusive a parte mais importante da fala. Pode o cinemão ser a razão da lembrança do cineminha. Pode o “se eu tivesse vontade de voltar” ser a razão de todo o texto. Podem os comentários ser o que faz cada letrinha valer o empurrar da tecla. Poly, eu amava o São Luiz, amava os cigarrinhos, amava sobretudo sua companhia independente do tamanho da sala. Lembro também de cada detalhe, exceto do nome da Karblen, que dificilmente esquecerei a partir de agora. Mãe, eu não tenho a mínimo desejo de voltar, me interessa ir. Ir inteira, sem edição. Eu poderia dizer que não foi nada daquilo. Deveria talvez. Mas... Boa semana queridos.

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