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Doença ocular

Cirurgia de Catarata pode salvar vidas

(Foto: Divulgação)

Abril é o mês de conscientização sobre o combate e prevenção da cegueira. E a Catarata (doença ocular) é uma das principais causas de cegueira possível de prevenção. Segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, mais de 120 mil novos casos da doença surgem no país por ano. Infelizmente a falta de orientação e de acesso a um especialista por parte da população auxiliam bastante neste elevado índice. A disseminação de informações é, sem dúvida, uma maneira importante para atenuar esse panorama.

Além da melhora na qualidade de vida, o tratamento da catarata carrega consigo uma relação bastante interessante: a possibilidade de desfrutar mais alguns anos de vida. Parece um pouco improvável; mas não é. Dois estudos internacionais, um americano e um australiano, apontam para o mesmo resultado. Pessoas que têm Catarata e se submetem a cirurgia de correção têm menor risco de morte por doenças crônicas e acidentes.

A Catarata nada mais é do que o embaçamento da lente natural dos olhos, o cristalino, e está diretamente atrelada ao nosso envelhecimento. Devido a essa doença ocular, o paciente vê com menos nitidez, tem a sensação de visão embaçada e maior sensibilidade à luz, por exemplo. Segundo dados do CBO, a Catarata atinge 17,6% da população com menos de 65 anos e 73,3% das pessoas com mais de 75 anos. "É uma doença ocular muito comum e o hábito de vida de cada um de nós pode ou não acelerar o seu processo de evolução", alerta Peter Ferenczy, mestre em Oftalmologia e Ciências Visuais pela UNIFESP e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Academia Americana de Oftalmologia. Elevados níveis de colesterol no sangue, diabetes mal controlada, exposição solar sem proteção (ação direta dos raios UVA e UVB) e o tabagismo – são fatores de risco que podem aumentar em até 2 vezes a possibilidade de desenvolvimento mais acentuado da Catarata.

*Estudos*
Dois estudos desenvolvidos nos EUA e na Austrália afirmam que a cirurgia de Catarata pode prolongar a vida das pessoas. Pesquisadores da Escola de Medicina David Geffen (Universidade da Califórnia), nos Estados Unidos, analisaram 74 mil mulheres, com 65 anos ou mais, que tinham ou já tiveram catarata, sendo que 41.735 (53,4%) haviam se recuperado através da cirurgia. A partir desses dados, eles concluíram que 60% das mulheres operadas tinham um risco menor de morte por doenças crônicas e acidentes. Em entrevista ao jornal New York Times, Anne Coleman, principal autora do estudo, explicou que "depois da cirurgia, os pacientes conseguem se mover melhor e fazer mais exercícios. Com a melhora da visão, conseguem se medicar sozinhos e de forma correta.” “A cirurgia também melhora o contraste visual, o que diminui o risco de mortes acidentais por queda ou direção. Isso mostra que se a melhora da visão é possível, é importante obtê-la", conclui a pesquisadora.

Já o estudo australiano, que durou 15 anos, foi desenvolvido em pacientes com mais de 49 anos e que conviviam com a doença. Os resultados apontaram que a cirurgia de Catarata pode reduzir o risco de morte em até 40% neste segmento. A mortalidade diminuiu, após o ajuste de fatores de risco como diabetes, tabagismo, pressão alta e outros problemas de saúde apresentados.

*Cirurgia*
A cirurgia de Catarata é feita em um olho de cada vez e basicamente consiste na remoção do cristalino opaco e a consequente substituição por uma lente intraocular. É uma cirurgia super rápida, feita com anestesia local, e considerada muito segura. Possui taxa de sucesso em torno de 98% dos casos. "A cirurgia devolve a qualidade de vida ao paciente e a segurança para a realização de atividades diárias", ressalta Ferenczy. Não há tratamento clínico para a Catarata sendo a cirurgia a única opção.

Fonte:
Peter Ferenczy é oftalmologista graduado pela Universidade Federal do Paraná, com Especialização pela UFPR e Hospital de Olhos do Paraná em Cirurgia do Segmento Anterior. Observador em Cirurgia Refrativa pela University of Texas Southwestern (EUA) e mestre em Oftalmologia e Ciências Visuais pela UNIFESP. Também é membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Academia Americana de Oftalmologia.

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