Microempreendedores

Com bandeira amarela, setor gastronômico de Curitiba finalmente vê ‘luz no fim do túnel’

Empreendimentos ao ar livre viram tendência em Curitiba
Empreendimentos ao ar livre viram tendência em Curitiba (Foto: Franklin de Freitas)

Com Curitiba há mais de três semanas em bandeira amarela no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, o setor gastronômico em Curitiba finalmente vê uma luz no fim do túnel, com retomada do movimento e do faturamento. Com a vacinação contra a Covid-19 avançando e a procura crescendo, a expectativa de empresários é conseguir nos próximos meses voltar a equilibrar as contas, pelo menos.

Presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Fabio Aguayo comenta que o fluxo de caixa entre as empresas que seguem em funcionamento já deu uma aumentada neste mês e relata ainda que há um movimento de investidores buscando novas oportunidades, gente procurando locações para seus novos negócios.

“A pessoa sente que vai ter uma segurança agora de continuidade, já parece uma situação mais controlada [a crise sanitária”, diz o presidente da Abrabar. “Nos fins de semana, os empresários sentiram um crescimento no movimento em torno de 30%. Nos dias de semana, fica em 10%. Mas temos de esperar passar essa onda de frio também, que acaba segurando mais o pessoal em casa”, complementa.

No Tropicool Street Market, por exemplo, a estimativa do CEO Fabio Amaral é que as operações que ficam no empreendimento, localizado no bairro Batel, já tenham recuperado neste mês entre 60 e 70% do faturamento de antes da pandemia. Para sobreviver ao coronavírus, o espaço ofereceu descontos no aluguel aos parceiros. “Todo mundo sofreu um pouco, todo mundo se ajudou, mas agora está retomando”, celebra.

Segundo ele, as expectativas para os próximos meses são as melhores, tendo em vista que há uma demanda suprimida por conta do longo período de isolamento social e também, infelizmente, o fechamento de um número altíssimo de comércios. O principal fator para otimismo, no entanto, é a vacinação contra a Covid-19, com o Paraná planejando ter vacinado toda a população adulta (com pelo menos uma dose de algum imunizante) até o final de setembro próximo.

“Mesmo que não retorne 100% [do movimento], vai equilibrar as contas. Como empresários, acreditamos que existe uma melhora e não só do ponto de vista comercial, mas principalmente do ponto de vista de segurança sanitária. Os números [de casos novos e mortes por Covid-19] estão reduzindo, a vacinação está acontecendo. Eu mesmo me vacinei recentemente, começo a ter mais segurança em sair para a rua, se expor, e isso só ocorre depois que, realmente, a vacina está no braço”, afirma Amaral.

Novos polos gastronômicos começam a surgir

Presidente da Abrabar, Fabio Aguayo comenta ainda que os empresários do setor gastronômico estão voltando a investir e procurando, principalmente, formar novos polos gastronômicos, com um novo sendo criado, por exemplo, no cruzamento da Visconde do Rio Branco com a Padre Agostinho. “No nosso setor, entenderam que é bom ruas que tem bastante comércio. Se um lugar está cheio, o cara vai no estabelecimento do lado”, explica.

Outra tendência é a procura por espaços com área aberta, como o Tropicool Street Market, que ainda se destaca pela variedade gastronômica: tem comida japonesa (Gogo Sushi), sanduíches e doces (Gus Sanduíches & Banoffees e O Cubano), carne (Pulle Pork BBQ e Torresmo do Gus) e a tradicional comida de rua, como pastel (Pastel de Feira). O Tropicool Batel está localizado na Av. Sete de Setembro (nº 4713), no bairro Batel, e funciona de segunda-feira a sábado, das 9h às 21h. Mais informações no perfil oficial do Instagram (@thetropicool).

Abrabar pede mais flexibilização na Capital e reabertura de casas noturnas

Mesmo com as recentes medidas flexibilizando as restrições para enfrentamento da pandemia, o setor gastronômico e de lazer ainda pede por mais liberdade para funcionamento. Uma das demandas, segundo Fabio Aguayo, da Abrabar, é a ampliação no limite de público dentro dos estabelecimentos. “Com 30, 50% do máximo, não dá para pagar as contas”, diz ele.

Além disso, a Associação também está pedindo que o município autorize o funcionamento de casas noturnas e clubes de baile, sugerindo que a Prefeitura de Curitiba siga o que já foi determinado em Cascavel, no oeste do Paraná, onde esses estabelecimentos poderão funcionar das 14 às 2 horas, recebendo 30% do público e exigindo que os clientes que forem ingressas nesses espaços já estejam vacinados contra a Covid-19.

“A volta das casas noturnas é o meio mais eficaz de combater as festas clandestinas. Permitindo o ingresso [nesses estabelecimentos] de quem já foi vacinado ou com a realização de testes rápidos, a gente combate um dos maiores males da pandemia, que foram as festas clandestinas”, argumenta.