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Crise do Coronavírus

Com comércio fechado pelo covid-19, cresce número de arrombamentos em Curitiba

Com o comércio fechado por conta do risco de contágio e disseminação do novo coronavírus, empresários de Curitiba já começam a sofrer com um novo problema. Com as ruas da cidade vazias, seus estabelecimentos estão virando alvo de ações criminosas e sofrem com as ocorrências de arrombamento, que atingem principalmente a região central da cidade.

De acordo com Fabio Aguayo, presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), os episódios começaram a ficar mais frequentes a partir da segunda semana desde os decretos estadual e municipal que suspenderam as atividades de estabelecimentos não essenciais. Desde então, ele conta ter recebido pelo menos sete relatos/reclamações de empresários que tiveram seus negócios atingidos. “Outros locais estão correndo risco e também têm casos que não estão sendo noticiados, os empresários preferem engolir quieto”, diz Aguayo. “As vezes nem roubam nada, mas quebram tudo”.

Foi exatamente isso, inclusive, o que aconteceu num dos espaços mais movimentados da noite curitibana, o Dizzy Café, localizado na Rua Treze de Maio. Na manhã do dia 30 de março, a porta do estabelecimento foi arrombada pouco depois de o vigia da noite ir embora. Nada de valor foi levado, mas ações de vandalismo dentro do café causaram prejuízo de aproximadamente R$ 5 mil.

“Entraram tranquilamente e estouraram a porta da frente. Não tenho nada de valor para se levar, mas quebraram o bar todo: mesas, balcão, gavetas”, relata o empresário Jeff Sabbag. “O centro virou um banquete 24 horas para ladrões de toda espécie. Meu medo é que na próxima vez ateiem fogo. O imóvel tem 96 anos e é o primeiro construído pelos irmãos Thá, quando ainda eram só pedreiros”.

No bairro São Francisco, a pizzaria Boca de Forno sofreu com algo parecido no dia 26 de março. Por volta das 8 horas da manhã, a empresa foi invadida por um bandido, que quebrou o telhado para entrar no estabelecimento. Permaneceu menos de dois minutos lá dentro, pois viu que não tinha dinheiro no caixa e foi embora, levando apenas um respiro de Boiler (um reservatório térmico de água), que foi quebrado na base pelo bandido. Ainda assim, o prejuízo foi considerável.

“Só nisso, prejuízo de R$ 700. Ele quebrou um cano, tive de consertar o Boiler, comprar telha… Fora a conta de água, que está por vir, porque ele, para levar o material de cobre, quebrou um cano na base e vazou água das 8h10 da manhã até 16 horas, quando percebemos o problema. E tudo isso para não roubar nada”, diz o empresário Abelardo da Fonseca Telles Neto.

Problemas que se acumulam e empresário pede mais ‘polícia na rua’

A questão de segurança pública é mais um ingrediente para fomentar o bolo de problemas que vão se acumulando para o empresariado. Em uma postagem no Facebook, Jeff Sabbag, proprietário do Dizzy Café, desabafou sobre o assunto.

“O Comércio que gera (e honra!) postos de trabalho pede socorro. Estamos pagando aluguéis, taxas, impostos e salários mesmo nesses dias de faturamento zero.

Nos ajudem a ajudar o Brasil. Polícia nas ruas, antes que o mal crie asas e se municie com o sucesso na liberdade de ação”, escreveu o empresário.
Segundo Fabio Aguayo, presidente da Abrabar, o pricipal foco dos bandidos são estabelecimentos que tenham televisão. “Eles pegam bebidas, cigarros, se tiver cofre leva o cofre, cobre, laptop, o troco que fica no caixa… É praticamente arrastão, levam tudo que tiver de valor.”

‘Estamos vivendo por aparelho’, diz associação que representa os bares e restaurantes

Presidente da Abrabar, Fabio Aguayo afirma que o setor de entretenimento e gastronomia hoje está ‘vivendo por aparelho’. Segundo ele, 80% das empresas do setor ‘vendia o almoço para pagar a janta’, já que a maioria dos empreendedores são pessoas que montaram o negócio usando dinheiro que guardaram de salários ou mesmo que recebem numa rescisão contratual. “A maioria não tem capital de giro, fluxo de caixa”, afirma.

A esperança é que os governos federal e estadual se mobilizem e criem formas de auxiliar as empresas e os empresários. Do contrário, mais demissões serão inevitáveis. Como exemplo, Aguayo conta que a Associação já está negociando com o sindicato dos trabalhadores para que as demissões – multas, rescisão e etc - sejam parceladas em até 12 vezes. “Isso é porque não tem dinheiro para pagar o salário desse mês. E o cara já preocupado com as contas para pagar, manter funcionário, e ainda tem de se preocupar com ladrões… Melhor fechar o negócio!”, desabafa.

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