Transporte público individual

Com menos motoristas nas ruas, táxis vivem novos tempos em Curitiba

Curitiba chegou a ter uma frota com mais de 3 mil táxis, mas agora pode estar pela metade
Curitiba chegou a ter uma frota com mais de 3 mil táxis, mas agora pode estar pela metade (Foto: Franklin de Freitas)

Depois de enfrentar momentos de muita dificuldade em meio à pandemia do novo coronavírus, quando as corridas realizadas chegaram a cair cerca de 90%, o transporte público individual de passageiros finalmente alcançou alguma estabilidade em Curitiba. Ainda com uma demanda diminuta, o setor sobrevive com um número reduzido de taxistas e se agarra na perspectiva de melhora no aspecto sanitária e de retomada da atividade econômica para voltar a crescer nos próximos meses e lutar para conseguir retomar uma fatia do mercado que hoje está com o transporte privado individual de passageiros, liderado por serviços de aplicativo.

Após contar por anos com uma espécie de reserva de mercado, o mercado dos táxis na capital paranaense foi duramente afetado pela chegada dos aplicativos de corridas, em 2016, e atravessou um período de crise e transformação. Entre 2019 e o começo de 2020, porém, o setor conseguiu se estabilizar e até começou a esboçar algum crescimento. Isso até a março do ano passado, quando a pandemia do novo coronavírus voltou a intensificar o processo de debandada de taxistas.

Desde os anos 1970 até recentemente a frota de táxis em Curitiba foi a mesma, com 2.252 carros. Em 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, foram disponibilizadas mais 750 placas por meio de licitação e a frota chegou a 3.002 na capital paranaense. Nos tempos áureos, três famílias chegavam a sobreviver ou obter renda de um único veículo.

A partir de 2016, porém, passou-se a verificar uma tendência de queda na frota - e também no número de taxistas. Em 2020, segundo informações da Urbs, já haviam apenas 2.597 táxis na cidade, 13,5% a menos que o idealizado em 2014. E o número de veículos realmente circulando pela cidade pode ser ainda menor.

“Creio que não estejam rodando mais que 1,5 mil ou 2 mil táxis em Curitiba. Cerca de 500 placas estão encostadas, algo impensável antes do advento dos aplicativos”, afirma Paulo Toledo, presidente da União dos Taxistas de Curitiba (UTC). “Antes, três famílias viviam de cada carro. Hoje, é só uma pessoa. Não existe mais colaborador, empregado. O rendimento teve uma queda de 70%, pelo menos. Um taxista trabalhando sozinho tiraria uns R$ 10 mil. Hoje ganha uns R$ 3 mil”, relata ainda o taxista.

Das oito rádio táxis que a cidade chegou a ter, apenas duas sobrevivem: a Mega Táxi e a Faixa Vermelha. E na pandemia, conta Anderson Barros, presidente da Mega Táxi, a situação chegou a ser desesperadora.

“De quase 2 mil corridas por dia, chegamos a soltar 300 corridas diárias para 315 associados. Foi lá embaixo o serviço e isso fez muitos deixarem a associação. Chegamos a estar com 174 associados, hoje estamos com 200, mas ainda é muito baixo”, diz o dirigente, afirmando que o setor sobrevive graças à concorrência entre os próprios táxis estar menor. “Não tem espaço para todos. O serviço decaiu demais e essa concorrência menor do táxi com o próprio táxi é que permite sobreviver”.

‘Taxista não pode abaixar a cabeça. Cada um tem seu tipo de cliente’

Após um período de dificuldade mais aguda, o mercado dos táxis finalmente voltou a se estabilizar em Curitiba com a melhora sanitária e espera até conseguir algum crescimento até o final do ano, recuperando boa parte da demanda registrada entre 2019 e começo de 2020, segundo Edegard Borges de Oliveira, presidente da Faixa Vermelha Rádio Táxi.

“A expectativa é grande. O serviço já voltou pra Rádio Tàxi Faixa Vermelha, então a minha expectativa é muito boa. A vacina chegando no público, não tenho problema de serviço. Até falta táxi para atender em alguns horários de pico, em algumas regiões”, diz o empresário. “Taxista não pode abaixar a cabeça. Tem de esquecer que existe concorrência, o público do táxi está seleto, definido. Traz para sua microempresa, que é o táxi, qualidade de atendimento e do produto. Cliente do táxi é um e o do aplicativo é outro”, ressalta.

Aplicativo criado em Curitiba ganha o Brasil

Sediado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), o Táxi 2.0 foi lançada em 2020, em plena pandemia, e desde então vem crescendo e conquistando novos mercados, sendo que já atende cidades do sul ao nordeste do Brasil. Idealizador e gestor do projeto, Eduardo Fernandes comenta que a iniciativa é uma demonstração de que ainda há espaço no mercado para os táxis.

“Acredito muito no táxi ser reestabelecido como um produto muito importante no mercado, independente da plataforma. Seja por uma rádio táxi, pelo Táxi 2.0, todos nós podemos crescer, ter bom desempenho, pro táxi ter dias melhores”, diz Eduardo, exaltando o crescimento do Táxi 2.0 no cenário nacional.

“Hoje enviamos corrida para taxista de Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Araucária, Vitória, São Paulo, Rio de Janeiro, Maceió, Fortaleza… Estamos crescendo, com coisa boa por vir”, diz Eduardo, comentando que o grande atrativo do app para os taxistas é o formato de negócio. “O aplicativo tem uma situação bem diferente das centrais de táxi, porque o taxista não tem custo fixo, só sobre as operações que ele usa do app. Não tem o famoso rateio, que chega a cobrar R$ 1 mil, R$ 1,2 mil”.

Evolução da frota de táxis em Curitiba

2020: 2.597
2019: 2.948
2018: 2.998
2017: 2.955
2016: 3.002

Fonte: URBS/UGX