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Com mercado de trabalho em baixa, setor de franquias ganha força no Paraná

Franquia do Bagalô dos Pastéis em Curitiba: ganhando o mundo
Franquia do Bagalô dos Pastéis em Curitiba: ganhando o mundo (Foto: Valquir Aureliano)

Desde que a pandemia do novo coronavírus chegou ao Paraná, em meados de março, o mercado formal de trabalho registrou forte retração, com o fechamento de 45,6 mil vagas no estado. Com a empregabilidade em baixa, muita gente tem utilizado o dinheiro da rescisão do contrato de trabalho para investir no próprio negócio, o que tem feito o mercado de franquias — boa opção para aqueles que estão iniciando no mundo de empreendedorismo — crescer no território paranaense.

Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), por exemplo, mostram que no segundo trimestre de 2019 o Paraná tinha 532 redes de franquia e 2.055 unidades franqueadas. Um ano depois, já são 564 redes de franquia e 2.204 unidades, com aumento de 6% e 7%, respectivamente. Além disso, no ano passado o setor como um todo registrou crescimento nominal de 6,8% no país, engajando R$ 186,75 bilhões na economia. Para este ano, a previsão é de 8% a mais no faturamento e 6% em novas unidades do segmento, com os empresários investindo em baixa para ganhar quando a economia voltar a crescer.

Gerente de novos negócios da Franchise4u, que trouxe para o Brasil o modelo de Feiras de Franquias, Mônica Mujalli relata que o setor de franquias, como não poderia deixar de ser, atravessou grandes dificuldades em 2020. Segmentos como o de alimentação, que responde por quase um quarto do faturamento das franquias no Brasil, foram os mais impactados, bem como as lojas de shopping (22,4% das unidades no país), que chegaram a ficar fechadas por meses. Agora, aos poucos vai acontecendo a retomada, com boas perspectivas.

“[O mercado de franquias] Foi bastante atingido, mas logo depois da retomada, todo mundo com muita vontade de trabalhar depois de sete meses aí parado. Se for pensar, temos 14 milhões de brasileiros desempregados, (uma boa parte) que receberam rescisão e vão precisar se recolocar no mercado de trabalho, mas não vão conseguir nesse momento. Aí as franquias aparecem como uma boa saída”, conta Mônica, explicando que profissionais de todos os segmentos estão migrando para o mercado de franquias.

“Fizemos recentemente um evento em Belo Horizonte. Lá conversei com um candidato, que trabalhou 25 anos numa empresa e recentemente foi desligado. Ele sempre teve o sonho de empreender e achou que agora era a hora. Esse perfil nós vemos em todas as feiras”, afirma Mônica, explicando ainda que há opções para todos os bolsos, com investimentos a partir de R$ 5 mil até R$ 1,2 milhão.

“Negócios de serviço sempre são bem procurados; saúde, beleza e bem estar´também sempre tem muita procura; e alimentação está sempre no topo dos nossos rankings. O importante é a pessoa se identificar com o negócio, gostar daquilo, senão não vai dar certo”, orienta ainda a especialista.

O Bangalô de Guaratuba que está ganhando o mundo com seu pastel
Fundada em Guaratuba, no litoral do Paraná, pelo casal Eliane Kuntermann e Leonildo Oliveira, em 2006, o Bangalô dos Pastéis se prepara para ganhar o mundo. Com uma receita familiar e um pastel super-recheado (o padrão é cerca de 460 gramas), a empresa atua desde 2017 no ramo de franquias e já conta com lojas em Ponta Grossa, Matinhos, Paranaguá, Curitiba, Campo Mourão e Guarapuava. Para o próximo ano, a meta é abrir mais três lojas e já há interessados de São Paulo, Minas Gerais e até mesmo do Nordeste.

Por outro lado, nesse período a marca lançou uma linha exclusiva de congelados, massas e condimentos, que já estão em supermercados de todo o Paraná e em algumas cidades de Santa Catarina. Resultado: o faturamento neste ano aumentou em relação a 2019, o que possibilitou à empresa oferecer maior ajuda aos seus franqueados neste momento de maior dificuldade, e agora o Bangalô já se prepara para virar uma marca internacional.

“Em dezembro participaremos de uma rodada de negócios em Foz do Iguaçu para compradores do Paraguai. Queremos colocar o pastel congelado no Paraguai e estamos trabalhando para isso. Nosso projeto é entrar forte ano que vem no Paraguai, no Mercosul, e a partir daí expandir. Dando certo vamos para a América do Norte, Europa…”, conta Pedrotti.

Inaugurações à vista na cidade de Curitiba
O crescimento do mercado de franquias se reflete ainda na abertura de novos estabelecimentos na capital paranaense nos últimos tempos. A rede Ad Clinic, por exemplo, tem projeto de expansão de R$ 24 milhões até dezembro e desde março inaugurou oito unidades em Santa Catarina, São Paulo, Londrina e Curitiba.

Outra rede, a “Mais1 - Café”, nascida na capital paranaense no final de 2019, atingiu recentemente a marca de 150 franquias comercializadas nas cinco regiões do país, sendo que desde ulho foram mais de 100 novas unidades negociadas. Em outubro, inclusive, foi inaugurada a nona unidade na capital paranaense, localizada na Avenida Marechal Deodoro, no Centro da cidade.

Já a franqueadora Pinta Mundi Tintas, que atua no segmento de varejo de tintas, participou da Franchise4U em Curitiba, na semana passada, está em busca de parceiros no Paraná, tanto na capital como municípios com mais de 40 mil habitantes. “Essa é uma boa hora para se investir em uma marca que se manteve atuante durante toda a pandemia, obteve excelentes resultados em vendas e não apresentou queda de faturamento, ao contrário: nossas lojas superaram as metas em mais de 120% durante os meses da pandemia”, afirma Nassim Katri, franqueador.

Investimento pode começar por R$ 5 mil e ir até R$ 1,2 milhão
Na semana passada a Franchise4U (https://www.franchise4u.com.br), maior feira de franquias com horário agendado do país, passou por Curitiba. Pelo terceiro ano consecutivo estiveram reunidas em torno de 30 marcas na cidade, para conectar pessoas a negócios.

O formato inovador permitiu que o interessado e a rede de franquia conversassem por meia hora. O agendamento, feito gratuitamente, pelo site, possibilitou que o investidor tirasse suas principais dúvidas e se sentisse mais seguro em relação ao seu interesse de compra. Além disso, foi uma forma de evitar filas e aglomerações, uma das principais preocupações do atual cenário em que vivemos.

Em sua 33ª edição, a feira trouxe oportunidades de investimentos de R$ 5 mil a R$ 1,2 milhão. Segundo Mônica Mujalli, antes da feira ter início já haviam 300 encontros agendados para o evento. “Existe uma procura muito grande pelos negócios de menor valor de investimento, mas também as de maior investimento estão tendo procura. Estão sendo feitos negócios e a gente tem até se surpreendido”, comenta ela.

Mas é imortante que toda pessoa que tenha interesse por uma franquia busca ajuda ou orientação profissional.