Eleições 2020

Com pandemia, pré-candidatos a prefeito de Curitiba preveem campanha ainda mais ‘virtual’

Fruet: distanciamento eleitoral
Fruet: distanciamento eleitoral (Foto: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados)

Com a pandemia do coronavírus monopolizando as atenções de todos em meio à contagem crescente de contaminados e mortos, os pré-candidatos a prefeito de Curitiba preveem uma campanha ainda mais virtual, remota, centrada nas redes sociais e com pouco ou nenhum contato direto com os eleitores. Esse distanciamento se evidencia desde já, quando a pouco mais de dois meses da disputa, o País vive um cenário de total incerteza, em que ainda não se sabe sequer se a data das eleições será mantida.

Desde a última sexta-feira, por exemplo, os pré-candidatos estão autorizados por lei a iniciarem a captação de recursos para campanha através de financiamentos coletivos. Mas diante das circunstâncias, ninguém vê clima para pedir dinheiro aos eleitores em um momento em que empresas estão quebrando, e boa parte dos trabalhadores está desempregada ou sob o risco de perder seu emprego. 

“Acho a campanha, para quem está fora (do poder) vai depender muito mais da rede de voluntariado do que da estrutura”, diz o deputado federal e ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT), pré-candidato à sucessão na Capital. “Acho que tem que ter o financiamento público. Mas é uma batalha de comunicação perdida”, admite ele.

“É desesperador um partido político ou um candidato lançar, no meio de uma pandemia que as pessoas estão quebrando, pedindo cesta básica para se alimentar, uma captação de recursos. Descabido totalmente”, concorda o deputado estadual e também pré-candidato, deputado Delegado Francischini (PSL).

“Pela crise, vai ser muito difícil arrecadar recursos para campanha. O que vai salvar é o fundo eleitoral, até porque a gente não tem outra alternativa”, avalia o ex-prefeito de Pinhais e igualmente pré-candidato na Capital, deputado federal Luizão Goulart (Repub).

A avaliação geral é de que os tempos de grandes eventos públicos, campanhas de rua, abraços e “tapinhas nas costas” ficaram para trás. “A campanha deste ano vai ser rede social e rádio e TV. Dificilmente as pessoas vão estar tranquilas para participar de eventos, caminhadas no comércio”, diz Francischini. “A exemplo das últimas campanhas que foi muito mais através das redes sociais, da TV e do rádio, vai ser ainda mais assim. E os eventos de rua vão ser restritos”, considera Luizão. “Isso, definitivamente vai mudar. Vai crescer muito o uso das redes. As videoconferências e as lives”, confirma Fruet.

Sem povo

A mudança, na visão dos pré-candidatos, é inevitável, mas está longe de ser vista como algo positivo. “O processo democrático caminha para uma democracia com ausência do povo. O voto com ausência de debate. Não há nenhuma vinculação, nenhuma interação com os candidatos”, afirma o deputado estadual e pré-candidato do PT, Tadeu Veneri. “O que tem de real, a gente está vivendo um impacto imprevisível e isso vai mudar profundamente a forma de comunicação da campanha”, diz Fruet. “Aqueles encontros maiores, jantares. Acabou. Imagine a imagem. Vai que alguém fica doente?”, destaca. "Vai ser uma coisa sus generis. A gente nunca passou por isso. Depois dessa campanha tudo pode ser diferente", concorda Luizão. 

Segundo Francischini, essa situação deve beneficiar os pré-candidatos e partidos já estruturados. “Não dá tempo de montar uma estrutura de rede social para uma campanha daqui a três meses. E muito menos montar coligações para quem não vem se preparando há um bom tempo para ter coligações na majoritária para que possa ter um tempo de TV que tenha influência”, explica. “Quem está no mandato, tem uma certa vantagem, porque eles estão em atividade. Quem não está no governo fica um pouco prejudicado, sim, porque não tem como se mexer muito para fazer atividades de campanha. Mas quem está (no governo) também tem um pouco de desgaste”, avalia Luizão. “Eu vejo, que as condições vão estar meio igual para todo mundo porque ninguém tem muito que se mexer, com exceção de quem está no poder, porque de fato tem uma certa evidência no momento”, afirma.

“Vai ser uma coisa muito mais artificial. As pessoas falam que dá para fazer pelo sistema remoto. Dá. Mas você não teria todas as consequências que teria em outras eleições, se elas fossem absolutamente frias. Um relação ou interação muito pequena”, diz Veneri.