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Política

Com promessa de renovação política, Zema é eleito em MG

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Em sua primeira disputa eleitoral, o empresário Romeu Zema Neto (Novo), 54, foi eleito governador de Minas Gerais neste domingo e alcançou a principal aspiração do seu partido, a de tirar grupos políticos tradicionais do poder.

Ele aproveitou a onda nacional de Jair Bolsonaro (PSL) e derrotou PT e PSDB, até então as principais forças políticas do estado. No segundo turno da disputa, Zema obteve 71,8% dos votos válidos (com 99,96% das urnas apuradas). O senador e ex-governador Antonio Anastasia (PSDB), 57, teve 28,2%. O tucano tem ainda mais quatro anos de mandato no Senado.

Registrado em 2015, o Partido Novo participa de sua segunda eleição e já conquista o governo do segundo maior colégio eleitoral do país. Em 2016, o partido elegeu somente quatro vereadores. Neste ano, além de Zema, foram eleitos oito deputados federais, 11 estaduais e um distrital.

O Novo não faz coligação com outros partidos e não usa verba pública para campanha. Para o cientista político Malco Camargos, da PUC-MG, Minas será a vitrine de um partido de pouca expressão e penetração nacional.

"A eleição em Minas terá papel fundamental na política nacional no sentido de revelar a capacidade da gestão da política feita de fora da política, num estilo de pensar políticas públicas muito diferente do que é a prática."

Zema aceitou entrar na política após ter recusado dois convites do Novo. "Se nós, que temos ética e alguma competência, não contribuirmos, o que está aí vai continuar acontecendo", afirmou.

Natural de Araxá, no Triângulo Mineiro, Zema herdou os negócios do avô e multiplicou a rede de lojas de eletrodomésticos, móveis, vestuário, postos de combustíveis, concessionárias e financeiras.

Divorciado e pai de dois filhos, ele acumula patrimônio de quase R$ 70 milhões e promete morar numa casa comum, não do Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador.

Zema assumiu o controle do grupo familiar em 1991 e permaneceu na presidência até 2016, quando o comando foi passado, pela primeira vez, a uma pessoa que não é da família. O empresário, então, passou a presidir o Conselho Administrativo, formado pelos principais acionistas. No início de 2018, ao se filiar ao Novo, se afastou definitivamente da gestão. O irmão, Romero Zema, ficou com a tarefa.

O Grupo Zema foi fundado em 1923 e fatura R$ 4,4 bilhões ao ano. São 800 pontos de venda em dez estados, com 5.300 empregados diretos.

Em 1999, o governador eleito, seu irmão e seu pai se filiaram ao antigo PL, hoje PR, integrante do chamado centrão e que deu sustentação ao governo do PT tanto em Minas como na Presidência. Zema afirma que nunca teve atividade política e que nem se lembrava da filiação, feita para ajudar um amigo. "‹

Sem experiência em gestão pública, Zema terá que administrar um déficit de R$ 11,4 bilhões previsto para 2019. Durante a campanha, afirmou que sua prioridade será normalizar o pagamento de salário ao funcionalismo e de repasses constitucionais às prefeituras, que estão atrasados.

A equipe econômica de Zema será montada pelo economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e um dos idealizadores do Plano Real. Não está descartado que o próprio assuma a Fazenda. O principal conselheiro, vereador Mateus Simões (Novo), e o vice, Paulo Brant, também já buscam nomes para o governo.

As chaves que usarão para enfrentar a crise fiscal são corte radical de gastos e de cargos de indicação política, renegociação da dívida com a União e atração de empresas para gerar arrecadação.

Com apenas três deputados do Novo na Assembleia, Zema terá dificuldade em aprovar propostas, mas aposta no bom senso dos parlamentares.

Zema foi eleito com a defesa da plataforma liberal e antipolítica do Novo, que prega menos intervenção do estado. Ele prometeu acabar com privilégios de políticos e servidores, simplificar tributos, montar um secretariado técnico, acabar com balcão de negócios e corrupção, buscar a iniciativa privada para ampliar serviços de saúde e educação, além de valorizar as estatais para talvez privatizá-las.

O que impulsionou o empresário nas urnas, no entanto, foi a onda Jair Bolsonaro (PSL). Zema pediu votos ao capitão reformado em rede nacional e criticou as gestões petistas no Planalto. Bolsonaro, porém, se manteve neutro na disputa em Minas.

No primeiro turno, Zema teve apenas seis segundos no horário eleitoral e percorreu 200 cidades. A chegada ao segundo turno, de forma surpreendente já que as pesquisas o colocavam em terceiro até a reta final, fez com que ampliasse o contato com entidades, instituições e representantes de classes, adequando e amenizando seu plano de governo.

O empresário arrecadou R$ 4 milhões para a campanha, sendo R$ 235 mil do próprio bolso e boa parte de empresários --os que mais doaram foram o dono da Localiza, com R$ 700 mil, e o presidente da Rima Industrial, R$ 300 mil.

O sucesso de Zema não está em suas bandeiras e propostas, diz Camargos, da PUC. "O eleitor mineiro mostra com clareza o desgaste em relação aos partidos tradicionais. No primeiro turno, tirou o PT. No segundo, tira o PSDB. O futuro desses partidos vai depender do sucesso ou não dessa proposta alternativa", conclui.

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