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Prato feito

Comer em casa fica mais barato; já comer fora fica mais caro

Pesquisa divulgada ontem aponta as diferenças entre os locais onde é feita a refeição
Comer em casa fica mais barato; já comer fora fica mais caro

O preço dos alimentos registrou uma queda inédita em 2017. Segundo o IBGE, que calcula a inflação, a variação negativa foi de 2,56% no ano passado em Curitiba, maior redução verificada na série histórica do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), iniciada em 2005.

Para quem come fora, contudo, a situação é completamente diferente. Pesquisa da Associação das Empresas de Benefício ao Trabalhador (ABBT), divulgada ontem, revelou que o preço médio da refeição fora de casa, considerando prato principal, bebida, sobremesa e cafezinho, teve aumento de 2,4% na Capital ao longo do ano passado.

O valor médio, que em 2016 era de R$ 32,06, chegou a R$ 32,83. Dessa forma, o trabalhador curitibano gastaria R$ 722,26, o equivalente a 77% de um salário mínimo, se realizasse uma refeição completa fora de casa de segunda a sexta-feira, considerando um mês com 22 dias úteis.

A pesquisa, feita anualmente desde 2003 entre restaurantes e lanchonetes que aceitam tíquetes ou vales refeição como forma de pagamento em 51 cidades das cinco regiões brasileira, serve de referência para as empresas decidirem quanto dão de vale-refeição para os trabalhadores.

Presidente da seccional paranaense da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Jilcy Mara Joly Rink, questiona os dados da ABBT, afirmando que os valores apontados pelo estudo realizado pelo Datafolha não correpondem à realidade. Contudo, admite que os empresários tiveram de fazer reajustes ao longo do ano passado.

Nos obrigamos a alguns reajustes mínimos por conta das amarras que nos prendem, que é custo de energia, de água, elevação de impostos... Mas não podemos nem conseguimos reajustar o tanto necessário para conseguir uma estabilidade de preço. Na verdade, a gente está a cada ano perdendo mais dinheiro e o setor vem sofrendo cada vez mais, afirma.

Contraste
Embora o resultado no terreno positivo da alimentação fora do domicílio, apontada tanto pelo IBGE como pela ABBP, contraste com as reduções na alimentação dentro de casa e no item de alimentação e bebidas como um todo, é impoortante destacar que a alta é muito menor do que foi no passado, o que corrobora com as afirmações de Jilcy Mara. Entre 2011 e 2016, por exemplo, comer fora de casa ficou cerca de 10% mais caro a cada ano.

Paulo Solmucci Jr., presidente executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em nível nacional, explica ainda que os alimentos são apenas parte dos custos de uma empresa do ramo, representando 33% das despesas de restaurantes e bares. Depois estão os gastos com mão de obra (25%), aluguel (10%), impostos (15%), tarifas de água, luz (8%), entre outras.

São José dos Pinhais tem segundo menor preço no País
Um dado curioso que a pesquisa da ABBT trouxe é com relação a São José dos Pinhais. O município da Região Metropolitana de Curitiba registrou um dos maiores aumentos do país no preço da refeição fora de casa, cujo valor saltou de R$ 23,08 em 2016 para R$ 26,43 em 2017. Ainda assim, o valor é o segundo menor entre os 51 municípios pesquisados, atrás apenas de Campo Grande, cujo valor ficou em R$ 26,23.
São José dos Pinhais está com um preço muito bom, especialmente por conta do aluguel. O preço chega a ser metade do preço, até um terço do que se paga em Curitiba. Então o aluguel em São José é bem mais em conta, destaca Luciano Ferreira Bartolomeu, diretor executivo da seccional paranaense da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-PR).

Unidades populares da Capital servem bandejão a R$ 2
Entre os locais com menor preço da refeição fora de casa em Curitiba, estão ods Restaurantes Populares da Prefeitura, que servem a refeição por R$ 2. São cinco restaurantes populares (Matriz, Sítio Cercado, CIC/Fazendinha, Pinheirinho e Capanema) têm como missão garantir uma alimentação saudável a preços mais baixos. As unidades são frequentadas, diariamente, por 4,7 mil pessoas, que têm acesso a um cardápio balanceado. s locais ficam abertos para almoço de segunda a sexta-feira, das 11 às 14 horas. O cardápio muda todo dia e é formado sempre por seis itens: arroz, feijão, carne, um acompanhamento, salada e sobremesa.

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