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Conselho pede explicação, mas falta de notificação da Fifa alivia Palmeiras

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A presença de Marco Polo Del Nero entre os membros do Conselho Deliberativo do Palmeiras incomodou parte dos conselheiros do clube, que na tarde desta quinta (21) questionaram o motivo pelo qual o cartola banido do futebol pela Fifa ainda não foi afastado de sua função no clube. Uma carta assinada por 32 conselheiros cobra explicações do presidente do Conselho, Seraphim Carlos Del Grande.

"Requeremos que nos preste maiores esclarecimentos sobre o tema, inclusive com a posição real da Fifa sobre a situação do conselheiro em tela, bem como os riscos de punições que o Palmeiras sofre", diz o texto, que leva em consideração o banimento de Del Nero do futebol e o que isso refletiria no clube.

Ex-presidente da CBF, Del Nero foi proibido pela Fifa de exercer qualquer cargo relacionado ao futebol. Sua atividade no Conselho Deliberativo do Palmeiras pode ser enquadrada como uma atividade não permitida, o que traria riscos ao clube. É justamente a preocupação com possíveis sanções que fomentou a carta enviada hoje a Del Grande. No documento os conselheiros revelam ter solicitado, em abril de 2018, a convocação de uma reunião extraordinária para deliberar sobre a presença de Del Nero. A discussão, porém, "não teve maiores andamentos e tampouco esclarecimentos".

A presença de Del Nero em seu Conselho Deliberativo não é um caso emergencial no Palmeiras. Situações deste tipo têm todo um caminho burocrático antes de o clube correr risco real de ser punido: a Fifa teria que notificar a CBF e o Palmeiras, que teria um prazo para solucionar a questão - afastar Del Nero, no caso. Somente se o Palmeiras perdesse este prazo é que correria risco de perda de pontos ou até rebaixamento. Questionada, a Fifa se refere de forma genérica ao artigo 64 de seu Código Disciplinar, que alerta que "em caso de não-cumprimento de decisões em um período estipulado, [o clube] pode ser punido com perda de pontos ou ordem de rebaixamento".

Em consulta informal feita pela reportagem, a diretoria da CBF afirma não ter recebido qualquer notificação por parte da Fifa sobre o tema. O Palmeiras também se considera protegido porque o banimento de Del Nero do futebol ainda está sob recurso - sua presença não seria um problema enquanto a decisão não fosse definitiva. Além disso, o presidente do Conselho Deliberativo, Seraphim del Grande, argumenta que Del Nero não necessariamente teria atribuições futebolísticas ao ser parte do clube. "Nosso questionamento foi também na direção de que o Palmeiras não é apenas um clube de futebol, mas uma sociedade esportiva", afirma.

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