Publicidade
Educação

Corte de bolsas do Governo afeta pesquisas de saúde

(Foto: Divulgação)

Recentemente, o Ministério da Educação (MEC) anunciou o congelamento de 5 mil bolsas de estudos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A medida foi adotada visando reduzir 30% dos gastos das verbas que estavam previstas para as universidades federais.

O congelamento chega a R$ 819 milhões e equivale a 19% do valor autorizado. Desse total, R$ 588 são de cortes em valores destinados para pesquisa no ensino superior.

A fundação oferece bolsas para alunos de pós-graduação e formação de professores para que esses possam contribuir para o desenvolvimento do país e proporcionar avanço em 49 áreas de estudos atualmente. Entretanto, o corte de bolsas afeta pesquisas de saúde e outros temas que são relevantes.

Os cortes não devem parar no Capes, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também pode ter bolsas cortadas a partir de setembro.

O MEC afirma que os cortes foram feitos em bolsas que estavam ociosas, já as universidades informam que a ociosidade muitas vezes se deve ao período de remanejamento delas. Disse que quando um aluno conclui a sua pesquisa, a bolsa fica vaga para que outro possa usufruir dela e que essa rotatividade é normal.

A Unicamp teve a suspensão de pelo menos 40 bolsas, no Instituto de Biociências das USP o corte afetou 38 bolsas. Na UEL (Universidade Estadual de Londrina), 38 vagas que seriam ofertadas no segundo semestre sumiram do sistema.

Já na UFC (Universidade Federal do Ceará) os números são maiores, são 61 bolsistas que estão perdendo a oportunidade de realizar as pesquisas.

Como o corte de bolsas afeta pesquisas de saúde

Muitas das bolsas cortadas podem afetar diretamente as pesquisas na área de saúde que contribuem para o tratamento de doenças e pesquisas na área.

A Fiocruz é uma entidade que conta com bolsas para desenvolver as suas pesquisas e recentemente lançou uma testagem rápida para doenças que causaram surto no país.

Em apenas 15 minutos é possível saber se a pessoa está com dengue, zika e chikungunya e se a infecção é recente ou está presente há mais tempo. Atualmente, conforme dados da Euroclinix.net, cerca de 15% das pessoas não apresentam sintomas nas primeiras horas e dias. Com base nisso, talvez a pesquisa poderia facilitar o diagnóstico mais precoce.

A instituição também investe em pesquisa e produção de medicamentos para diversas outras doenças e o corte de bolsas afeta pesquisas de saúde, apesar de ainda não ter sido feito um levantamento do impacto que isso causará.

A CCS/UFRJ realiza pesquisas com adolescentes para identificar precocemente riscos de doenças cardiovasculares e o impacto das poluição ambiental na saúde.

Os dados conseguidos ajudam a entender os problemas de saúde e atuar de maneira preventiva evitando gastos futuros com tratamentos caros.

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolve pesquisas e estudos relacionados ao câncer, a depressão, Alzheimer e formas de melhorar a qualidade de vida dos agricultores. A interrupção de verbas podem paralisar os trabalhos que trariam novos conhecimentos no tratamento dessas doenças. Muitos dos bolsistas são jovens pesquisadores e formam equipes que desenvolvem talentos e impulsionam a produção de conhecimento no Brasil.

Havendo esses cortes, os danos podem ser irreparáveis, pois se perdem pesquisadores que poderiam desenvolver trabalhos que contribuam com a saúde da população. Muitos deles acabam indo para outros países e o Brasil fica com menos cientistas qualificados.

Outro impacto poderia ser a perda de recursos já investidos, uma vez que com os projetos paralisados as conquistas feitas até o momento ficariam interrompidas.

Todo o valor já utilizado seria perdido e, no caso da pesquisa ser retomada, seriam necessários mais investimentos além dos inicialmente previstos.

De uma forma geral, o que se vê é de um lado é o governo tentando diminuir as despesas e de outro o corte de bolsas que afeta a pesquisa de saúde e outros setores. Enquanto ocorre esse impasse, a população é a maior prejudicada.

Fontes: Diário do Centro do Mundo, Uol Educação

Publicidade

Plantão de Notícias

Mais notícias

DESTAQUES DOS EDITORES