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Cresce a confiança do industrial paranaense, mas escassez e preço de matéria-prima preocupam

(Foto: Gelson Bampi/Sistema Fiep)

Cada vez mais confiante na economia e nos negócios. É assim que o industrial paranaense tem demonstrado atuar nos últimos quatro meses segundo a avaliação mensal da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), feita em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) em julho chegou a 66,1 pontos. Em junho, havia sido de 64,1. E, no mesmo mês de 2020, 48,5 pontos. O índice segue uma escala que vai de zero a 100, sendo acima de 50 área de otimismo e, abaixo disso, pessimismo.

Na decomposição do resultado, o ICEI é formado pelo indicador de condições – que avalia a economia e os negócios nos últimos seis meses – e pelo de expectativas, que faz a mesma avaliação com relação ao futuro. Em julho, a visão do empresário para o que vai acontecer até o fim do ano pesou mais. O índice de expectativas chegou a 69.6 pontos, 3,3 pontos a mais do que o registrado no mês anterior. Já o de condições teve pequena queda de 0,3, ficando em 59,1.


Em relação aos empregos para os próximos seis meses, 96% acreditam que haverá crescimento ou manutenção de postos de trabalho. (Crédito da foto: Gelson Bampi)

“Embora tenham influenciado dificuldades como a escassez e o alto custo da matéria-prima para produção desde janeiro, o avanço da vacinação e um maior controle da pandemia, que sugerem uma retomada mais forte da atividade econômica, tiveram maior influência na opinião do empresário”, avalia o economista da Fiep, Marcelo Alves.

Ele pontua que a sinalização do Governo Federal de avançar nas articulações das reformas (administrativa e tributária), que estavam paradas, também pode ter motivado o otimismo maior este mês. “Outra questão é que a economia brasileira tem apresentado sinais de recuperação, como o forte crescimento da produção e dos empregos. E isso também interfere na percepção do empresário de que o cenário está cada vez mais favorável”, completa.

Apesar de ser o quarto mês consecutivo de alta, o ICEI ficou abaixo dos 68,4 pontos alcançados em outubro, melhor resultado de 2020 e após o início da pandemia. Os piores índices foram 35,4 e 32,2, medidos, respectivamente, em abril e maio do ano passado, logo no início da crise sanitária.

Para o economista da Fiep, alguns fatores podem atrapalhar essa boa fase para o industrial. Um deles é a alta acumulada da inflação, medida pelo monitoramento do Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). “Ele é considerado um termômetro da economia porque acompanha os preços dos produtos para o consumidor final e também está atrelado ao rendimento de vários investimentos”, resume.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de janeiro a junho deste ano, o IPCA acumula alta de 3,77% e, nos últimos 12 meses, de 8,35%. No ano passado, o acumulado até junho foi de 0,10%, enquanto o registrado no período de julho de 2019 a junho de 2020 foi uma alta de apenas 2,13%.

“Essa diferença é percebida pelo consumidor no preço maior de produtos da cesta básica, por exemplo, que crescem mais do que o IPCA final. Isso ocorre porque o peso destes itens é relativizado, ou seja, compensado por outros que têm maior redução. Juntos eles formam a composição final do indicador”, detalha. “Um orçamento mais apertado tende a reduzir a atividade de consumo e isso impacta na demanda produzida nas indústrias”, complementa.


Escassez e alto custo de matéria-prima para produção foram principais queixas detectadas na pesquisa.

A pesquisa mensal da Fiep e da CNI questionou os industriais sobre a utilização da capacidade instalada nas indústrias. Oitenta por cento responderam ser igual ou maior do que o usual para o mês. Da mesma forma, 76% informaram que o volume de itens produzidos no mês ficou igual ou teve crescimento. Em relação aos empregos, apenas 6% dos entrevistados afirmaram queda, 77% estabilidade e, 18%, aumento do quadro de colaboradores. Para os próximos seis meses, 96% acreditam que haverá crescimento ou manutenção de postos de trabalho.

Um dos questionamentos que Alves acredita serem mais relevantes refere-se à margem de lucro operacional. Mais de 50% dos participantes responderam estarem satisfeitos com a rentabilidade de suas operações, enquanto 22% informaram ser muito boa e, 15%, boa. Apenas 8% não estavam satisfeitos com o retorno financeiro em suas empresas. “Esta é uma informação relevante porque a saúde financeira garante empregos e a manutenção das empresas no mercado”, avalia Alves.

O acesso ao crédito permaneceu igual para 38% dos industriais e difícil para 18%. Mas o alto custo da matéria prima para produção foi relatado por 88% dos pesquisados. Aliás, esta foi a principal queixa de 68% dos entrevistados quando questionados sobre os itens que mais geraram problemas em suas empresas. A alta carga tributária foi a segunda maior reclamação, seguida pela volatilidade da taxa de câmbio e a burocracia excessiva.