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Curitiba é a capital com maior incidência nos casos de síndrome respiratória grave no Brasil

Síndromes respiratórias pressionam o sistema de saúde
Síndromes respiratórias pressionam o sistema de saúde (Foto: Rodrigo Felix Leal)

Curitiba é a capital brasileira que apresenta a maior taxa de incidência dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o Brasil. É o que mostra o mais recente Boletim Infogripe Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (26) e que sinaliza continuidade da tendência de aumento dos casos de Covid-19 na capital paranaense, ainda que com desaceleração em relação às semanas anteriores.

A análise, referente à Semana Epidemiológica (SE) 20, período de 15 a 21 de maio, revela que o número de casos de SRAG em Curitiba saltou de 36 registros na semana 11 (entre 13 e 19 de março) para 211 na última semana, o que implica num aumento de 486%. Ou seja, o número de casos praticamente sextuplicou, multiplicou por seis.

Essa situação toda faz com que Curitiba apareça pela quarta semana consecutiva como a capital brasileira com maior taxa de incidência de SRAG. A estimativa do Infogripe é que o município paranaense tenha registrado entre os dias 15 e 21 de maio 10,9 casos por 100 mil habitantes, taxa consideravelmente superior a verificada em Macapá (6,0), Belo Horizonte (5,7), Aracaju (4,9) e Porto Alegre (4,8) no mesmo período, municípios que aparecem logo atrás no ranking.

A taxa curitibana, que chegou a ser de 1,9 na semana 11, acumula nove altas consecutivas, com aumento de 474% no período. No ano, apenas na semana 3 (entre 16 e 22 de janeiro) a capital paranaense havia registrado uma taxa maior que a atual, de 11 casos por 100 mil habitantes, valor que deve ser superado em breve, considerando que a expectativa é de alta nos casos na capital paranaense para as próximas semanas, segundo a Fiocruz - ainda que a tendência de curto prazo seja de um crescimento menos acelerado do que o verificado nas semanas mais recentes.

Nos últimos anos (desde 2020), os piores momentos, com maior incidência nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), foram registrados entre as semanas 8 e 10 de 2021, entre os meses de fevereiro e março, quando a taxa por 100 mil habitantes chegou a variar entre 23,2 e 32. Nesse mesmo intervalo, o número de casos de SRAG na cidade variou entre 449 e 619 por semana.

Mais

Tendência de aumento também no Paraná

O Boletim Infogripe aponta também que 20 das 27 capitais brasileiras (entre elas Curitiba, como já citado) apresentam tendência de aumento nos casos de síndrome respiratória grave. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, há um sinal contínuo de aumento dos casos de covid-19 em todas as regiões do país. Nas quatro últimas semanas, por exemplo, o SARS-CoV-2 foi associado a 48% dos casos de SRAG e 84% dos óbitos por SRAG no país.

Entre as unidades da federação, o sinal de crescimento foi detectado em 18: Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

No ano epidemiológico 2022, já foram notificados 141.808 casos de SRAG no Brasil, sendo 72.092 (50,8%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 50.753 (35,8%) negativos e ao menos 11.521 (8,1%) aguardando resultado laboratorial. Entre os positivos para vírus respiratórios desde janeiro, 81,5% foram causados pelo SARS-CoV-2, 8,1% pelo vírus sincicial respiratório e 5,1% pelo Influenza A.

Casos ativos apresentam leve queda depois de sucessivas altas

A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba registrou, ontem, 1.743 novos casos de Covid-19 e dois óbitos de moradores da cidade infectados pelo novo coronavírus (todos nas últimas 48 horas).Até ontem eram contabilizadas 8.281 mortes na cidade provocadas pela doença neste período de pandemia e 453.505 moradores de Curitiba testaram positivo para a Covid-19.

Mas, outro dado do boletim mostrou um certo alento. Depois de sucessivas altas desde abril, o número de casos ativos teve ligeira queda. Ontem eram 11.615 casos ativos na cidade, correspondentes ao número de pessoas com potencial de transmissão do vírus. No boletim de quarta-feira eram 11.640.

No seu momento mais crítico na pandemia, os casos ativos chegaram a passar de 16 entre janeiro e feveiro deste ano, impulsionados pela variante Ômicron. Nos meses seguintes começou a cair com velocidade e chegou a pouco mais de 400 em março, quando começaram uma nova escalada.

Ontem, a taxa de ocupação dos 15 leitos de UTI SUS preferenciais para Covid-19 estava em 40%. Restavam nove leitos livres. A taxa de ocupação dos 25 leitos de enfermarias SUS preferenciais para Covid-19 estava em 56%. Havia 11 leitos vagos.

Paraná

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou ontem mais 3.420 casos confirmados e 17 mortes — não necessariamente representam a notificação das últimas 24 horas — em decorrência da infecção causada pelo novo coronavírus. Os dados acumulados do monitoramento da Covid-19 mostram que o Paraná soma 2.494.575 casos confirmados e 43.052 mortos pela doença.

Boletins Covid-19

Dia 26/05

Curitiba
Novos casos 1.743
Mortes 2
Total
Casos 453.505
Mortes 8.281

Paraná
Novos casos 3.420
Mortes 17
Total
Casos 2.494.575
Mortes 43.052

Brasil
Novos casos 33.910
Mortes 143
Total
Casos 30.880.512
Mortes 666.180