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Primavera

De rosas a cactos: flores e plantas viram atrativos turísticos no Paraná

A Primavera chega e as flores viram a grande protagonista. O que pouca gente sabe é que o Paraná é um grande produtor de flores. A maioria das cidades produtora estão nas regiões Norte, Oeste e Noroeste do Estado. As principais produtoras são Cascavel, Marialva, Peabiru, Maripá, Campo Mourão e Uniflor, que juntas detém um Valor Bruto do Produto de R$ 51,6 milhões. Além de serem uma ótima fonte de renda para os agricultores, a maioria familiares, as flores viraram também chamarizes para turistas. Hoje, é possível fazer um tour maravilhoso nas propriedades produtoras.

A cidade de Marialva, no norte do Paraná, é um exemplo. As plantações de flores e orquídeas se tornaram atrações turísticas que encantam pessoas do mundo todo. A Secretaria de Turismo de Marialva, inclusive, já disponibiliza um extenso roteiro com propriedades preparadas para receber os turistas. É possível acompanhar o processo de produção de rosas, orquídeas e até as suculentas, que estão na moda. Das orquídeas, os visitantes podem conhecer as parreiras de uva da cidade. Ao todo, 110 famílias vivem da produção da fruta.
Em Marialva, já são 30 produtores que se dedicam ao cultivo de flores e plantas ornamentais e de forração com o apoio do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Somente na produção de rosas são 12 pequenos agricultores, tornando a cidade a segunda maior produtora dessa flor do Estado, atrás apenas de Cascavel.

Por terra, chega-se a Marialva pela BR-376, que é pedagiada. Há linhas de ônibus municipais e intermunicipais. Quem prefere viajar de avião tem duas opções: o aeroporto de Maringá, a 17 km, ou o de Londrina, a 90 km. A distância até Curitiba é de 420 km.
De uma flor a muitas flores - A lenda diz que que quando os engenheiros da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná passaram pelo lugar onde fica o município de Uniflor estava uma seca muito grande e em meio a vegetação castigada nas margens de um córrego eles encontraram apenas uma flor, então passaram a chamar “Córrego Uniflor”, e onde hoje é a cidade colocaram uma placa dizendo “Futuro Patrimônio de Uniflor”.

Ironicamente, a pequena cidade com 2500 habitantes, hoje responde por 64% da produção de crisântemos do Paraná. Lá, é possível visitar algumas propriedades. O turismo, no entanto, não é muito organizado, como em Marialva, Maripá e Cianorte. O ideal é passar pela cidade e tentar encontrar um local para visitar. As paisagens são lindas. A cidade fica no Norte Central do Estado, a 494 quilômetros de Curitiba, perto de Astorga.

Orquídeas por todos os cantos de Maripá
Em Maripá, no Oeste do Paraná, perto de Cascavel, as orquídeas estão por toda a parte. Nas casas dos moradores, nas praças, nos nomes de festas, logradouros. Não é à toa que o slogam é Maripá, cidade das orquídeas.

A história toda começou em 1993, a partir de uma campanha com os estudantes para amarrar plantas de orquídeas nas árvores espalhadas pela cidade. Era uma homenagem à emancipação da cidade que aconteceu em 1990. A prática se popularizou e hoje são 12 produtores, responsáveis por 46% da produção paranaense. Por ano, a cidade produz 100 mil unidades de orquídeas.

A principal feira de Maripá, que reúne produtores de peixes e orquídeas, e que ocorre todo ano em agosto, chega a atrair 30 mil pessoas.
Localizada no oeste do estado, a 600 km de Curitiba, Maripá faz divisa com Palotina, Nova Santa Rosa, Assis Chateaubriand e Toledo. É possível chegar até a cidade pelas rodovias PR-491 e PR-182.


O maior produtor de rosa do deserto fica no Paraná
O maior produtor do Brasil da planta rosa do deserto é do Paraná, mais precisamente em Londrina. Sandro Takemura, que atua no distrito da Warta, em Londrina, produz 1 milhão de plantas por ano. Ele vende no atacado para todas as regiões do país e iniciou exportações para países do Mercosul. A produção começou faz 11 anos, no começo por curiosidade. Três anos de testes confirmaram ser possível criar cores diferentes da flor da planta. Ele fez isso por meio de hibridação, que consiste no cruzamento manual de duas plantas. Com isso, são geradas exemplares únicos, totalmente diferentes um dos outros.
A estrutura de todo o processo de cultivo tem 20 mil metros quadrados. São 24 blocos de estufa, que abrigam desde mudas até plantas adultas. O espaço também conta com uma coleção de 90 mil rosas do deserto, de diferentes tamanhos, cores e caules, formada ao longo de 30 anos.

Como o nome sugere, a rosa do deserto é de regiões quentes e secas. Para sobreviver em regiões de altas temperaturas, ela armazena água no caudex, sendo este diferente em todas elas. Segundo o professor Ricardo Tadeu de Faria, do Departamento de Agronomia, a planta, que lembra um bonsai, chama atenção pela grande diversidade de cores das flores, desde as mais comuns na cor rosa até as mais exóticas na cor preta. Não existe, segundo ele, nenhuma planta igual, quando propagada por sementes.
Com diversidade e beleza associadas às flores e ao caule (caudex), que possui finalidade de armazenamento de água, outra peculiaridade da planta exótica, segundo o professor, reside no fato de que ela pode durar mais de 30 anos e alcançar até três metros de altura em um vaso.

Embora seja uma planta ornamental, relativamente nova no mercado, a rosa do deserto é quinta mais comercializada no Brasil, resultado que aquece o setor, que cresce a cada ano. Conforme números do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), só em 2018 a cadeia produtiva de flores movimentou R$ 10,2 bilhões e obteve participação no Produto Interno Bruto (PIB), com R$ 4,5 bilhões de reais. Ricardo Faria acrescenta que o setor da floricultura cresce de 8 a 10% ao ano, mesmo nesse período de crise econômica que o país atravessa.
Produtos paranaenses
Os principais produtos da floricultura do Estado são gramado (53,2%), plantas perenes/ornamentais (15, 2%), orquídeas (6%), crisântemos (6%)roseiras (5,6%), muda de árvores para arborização (2,1%), muda de palmeira imperial (1,9%), beijo americano (0,9%), gérbera (0,8%) e solidaster (0,7%).


A DE CACTUS

Em Cianorte, cactos são as estrelas
As charmosas propriedades rurais chamam a atenção dos turistas em Cianorte. São espaços que promovem o contato com a natureza e onde é possível conhecer as produções de plantas – como cactos, orquídeas e flores -, desfrutar de momentos de lazer ou esporte e ainda aproveitar uma deliciosa refeição do sítio. Entre eles, estão o Orquidário Gentilin, a Fazenda Dom Augusto (Cachaça Serafina). o Cactos Brilho do Sol e o Garden Center Irmãos Pinho.
O município, aliás, sedia todos os anos a Ciaflor, uma grande feira da região. Neste ano, aconteceu no último fim de semana.

SAIBA

Produção de flores cresce entre 6,% e 8% ao ano no Paraná
O cultivo de flores no Paraná tem crescido entre 6% e 8% ao ano, segundo o engenheiro agrônomo Paulo Andrade, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Em 2018, a floricultura respondeu por R$ 136.782.295,00 do Valor Bruto da Produção (VBP) do Estado, que totalizou 89,6 bilhões.
Andrade revela que a floricultura é uma atividade que começa a ganhar espaço no campo e atualmente a atividade está presente em 99 municípios paranaenses. Os principais produtores são Marialva, Cascavel, Peabiru, São José dos Pinhais, Agudos do Sul, Cambé, Uniflor, Santa Helena, Centenário do Sul e Fazenda Rio Grande. Em cada região há a predominância de espécies de cultivo. Na região de Curitiba a vocação produtiva, segundo Andrade, é de plantas ornamentais e grama.

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