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Pastana

Diretor do Coritiba fala sobre reforços, tecnologia, base e modelo de jogo

Rodrigo Pastana
Rodrigo Pastana (Foto: Arquivo Bem Paraná/Geraldo Bubniak)

O diretor executivo do Coritiba, Rodrigo Pastana, revelou os planos do clube para contratações em 2020 e qual a metodologia utilizada pelo departamento de futebol para observar o mercado. Também explicou como vem trabalhando com as categorias de base e a escolha por um modelo de jogo ofensivo para a atual temporada. Em entrevista de uma hora e 15 minutos para o canal De Olho no Jogo, no youtube, ele falou sobre o funcionamento do clube e deu detalhes sobre várias questões.

Veja as principais declarações de Pastana:

CONTRATAÇÕES
“O Coritiba tem uma posição muito firme quanto a isso. Antes da pandemia, era um cenário, de validar contratações e avaliação do elenco. Mas, com toda essa pandemia, a gente adotou medidas importantes quanto a demissões, suspensões de contrato, reduções salariais. Isso foi muito bem tratado, olho no olho, com os atletas. Seria incoerente da nossa parte agora fazermos contratações sem terminar o Estadual e sem ter definição do calendário nacional. Acho que não tão cedo a gente vai realmente fazer alguma contratação, se as coisas não se alterarem. O cenário é muito indefinido. O Brasil é um país de malucos. Estão gastando R$ 30 milhões em três, quatro reforços. Isso é uma irresponsabilidade nessa situação sem um cenário definido. Não temos cenário seguro sobre nada, sobre saúde, sobre finanças. Não vou mentir: estamos bem preocupados.

METODOLOGIA DE CONTRATAÇÃO
Não é só o presidente, nem só o treinador que decide. Temos metodologia mista. Treinador, executivo de futebol e presidente tentam decidir em conjunto sobre a melhor contratação, sobre a melhor metodologia e a melhor equipe de trabalho.

TECNOLOGIA
A tecnologia vem influenciando muito as contratações. Hoje fica muito difícil ver ‘in loco’ tantos atletas. No clube, temos departamento de análise com quatro analistas. Tem uma pessoa que analisa mercado. Outros três fazem análises de jogadores e de jogos. Tenho condições no Coritiba que não tive em outros clubes, de lidar com pessoas tão capacitadas que sabem utilizar essas novas tecnologias. No Criciúma, Figueirense, no Bahia e no ABC não usávamos. Comecei a usar essa tecnologia no Guarani em 2016. Depois com o Matheus Costa no Paraná. Ele começou lá como nosso analista de desempenho (depois virou treinador). No Coritiba, não existia departamento de análise no clube. Agora o Denis Iwamura tem feito um trabalho especial. Uma das condições do Barroca impôs era que a gente tivesse um departamento de análise melhor. Ano passado não tínhamos departamento, tínhamos só um analista.

OBSERVAÇÃO DO MERCADO DE JOGADORES
A gente faz através de uma pontuação. Tem o jogador ‘AA’, que é o consagrado, aquele indiscutível. O ‘A’ é aquele que já foi destaque da competição que você vai participar. Aí tem a classe ‘C’, que são destaques em algum momento e com boa formação. É muito importante a formação dele. Vou dar um exemplo: um atleta formado no São Paulo, no Cruzeiro, no Atlético, no Inter, clubes que têm boa formação. Jogador que por algum motivo não tiveram oportunidades. Vou citar um exemplo: o Alano. É extremamente bem formado. Tem uma capacidade cognitiva absurda. Tem características físicas invejáveis. E não sei por que não foi aproveitado no Inter. Gostaríamos muito de ter renovado com ele ou ter conquistado o direito de compra dele. E não deu. E aí tem as apostas. Entre eles, estão os jogadores formados na nossa base e os destaques dos Estaduais e que não tenham participado de Série A em altíssimo nível. Sempre converso muito com o treinador e com a comissão técnica. Tento colher o máximo de informações, não só características individuais, mas coletivas e pessoais, o extra campo. A verdade absoluta nunca há. Mas compilando todas essas informações você consegue minimizar o erro. Na verdade, a tecnologia veio para isso, para minimizar o erro.

ESTRANGEIROS
Não sou fã do mercado Sul-Americano. Acho muito complicado fazer contratação (na América do Sul) no meio da temporada. É mais fácil fazer no início. Fiz uma contratação dessas no ano passado, de forma desconfortável, e acabei errando. Foi o Arancibia.

CATEGORIAS DE BASE
No Coritiba já existia um processo formado. Seria agressivo eu mudar todo o processo. Por isso, decidi trazer o Mozart para o profissional. É um cara extremamente capacitado, preparado e muito lúcido nos processos. Ele vai me ajudar nessa transição (da base para o profissional). Trouxe ele para que tivesse as melhores informações sobre atletas.

MODELO DE JOGO
Quando cheguei ao Coritiba, o Argel tinha sido mantido como treinador. O Argel, apesar de ser uma excelente pessoa e com coração gigante, ele não divide as decisões, não divide metodologia e conhecimento. Ele assume toda responsabilidade e pronto. É uma forma de conduzir e eu respeito isso. Então só definimos um padrão de como a gente ia jogar com a saída do Argel. Isso prejudicou um pouco o processo do Coritiba em 2019. Não foi o Argel que prejudicou o processo. A instituição mesmo resolveu isso. Muitos profissionais foram trocados antes de eu chegar. Quando a gente teve que trocar (de técnico), eu chamei o presidente e disse: ‘nós somos o Coritiba, clube grande, precisamos jogar a Série B como grandes’. Falamos com o G5 sobre 2018 e sobre isso. E ali a gente resolveu: vamos trazer um cara para jogar como protagonista. Aí trouxemos o Umberto (Louzer), que tinha o modelo mais parecido com o que a gente precisava. Tivemos percalços, até por não ter o modelo definido lá no início do ano e aí tivemos que fazer ajustes. Esse ano com a escolha do Barroca é muito claro para todos que pretendemos ser protagonistas nos jogos e não ficar preocupado com rebaixamento, e jogar reativo, jogar por uma bola. Esse ano é para tentar ser protagonistas com o modelo que a gente vem praticando. Claro que é um processo e tem um tempo de adaptação.

YAN COUTO, ROBINHO E ALEX DE AUXILIAR
Durante a entrevista, Rodrigo Pastana confirmou que Yan Couto não joga mais pelo Coritiba. Vendido ao Manchester City, ele será integrado ao clube inglês assim que a situação da pandemia permitir.

Pastana também respondeu sobre a possibilidade de contratar o meia Robinho, 32 anos, que deixou o Cruzeiro. “O Robinho vem de cirurgia no joelho. Difícil de afirmar qualquer coisa por causa do momento”, disse.

O diretor do Coritiba confirmou ainda que estudaram a possibilidade de Mozart ser o técnico principal e Alex (ídolo do clube) ser o auxiliar.

O zagueiro Miranda, 35 anos e hoje no Jiangsu (China), foi outro assunto. “Quem me dera! Por enquanto não passa de um sonho”, afirmou Pastana.

Ele explicou ainda sobre a decisão de emprestar o atacante Pablo Thomaz, artilheiro do sub-20, no início de 2020. “Emprestamos o Pablo Thomaz para o Red Bull para pegar experiência fora do clube. O Igor Jesus tem características mais próximas do modelo do Barroca, é mais de área. O Pablo não é tão de área. Ele se encaixa mais no 4-4-2 com dois atacantes. Inclusive os dois jogaram dessa forma com o Mozart. Preferimos emprestar para que adquirisse experiência. O Red Bull tem boa estrutura e o Pablo vai voltar melhor”, disse.

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