Disfunção Erétil Ruimário Machado Coelho

A Disfunção Erétil (DE) é a incapacidade persistente em obter e manter uma ereção suficiente para permitir uma relação sexual satisfatória. Embora seja uma doença benigna, afeta a saúde física e psicológica, com grande impacto sobra a qualidade de vida tanto dos homens quanto das parceiras.
Estima-se que até 20% dos homens ao redor do mundo sofrem de DE moderada a severa, embora, segundo alguns estudos, essa prevalência pode ser ainda maior.
Os principais fatores de risco para DE são bem conhecidos e comuns a outras desordens potencialmente graves, como as doenças cardiovasculares (DCV) e cerebrovasculares (DCV): sedentarismo, obesidade, diabetes, tabagismo, hipercolesterolemia, síndrome metabólica, doenças neurológicas e doenças da tireóide. Além disso, o uso de alguns medicamentos e a realização de algumas cirurgias (como a Prostatectomia para câncer de próstata) também podem levar a disfunção erétil.
Há várias formas de tratamento da DE, que deve sempre ser individualizada de acordo com o paciente, seus problemas, etiologia da doença e expectativa. Entre os tratamentos disponíveis estão: medicações orais, injeção intra-cavernosa e implantes penianos.
Dessa forma, a adoção de hábitos saudáveis de vida, como a cessação do tabagismo, atividade física e alimentação saudável podem prevenir o surgimento deste problema tão comum. Se, mesmo assim, a DE se manifestar o homem deve ter ciência que existe tratamento e procurar atendimento médico especializado.
Existem pacientes com Disfunção Erétil que a resposta ao tratamento com medicações (orais ou injetáveis) não é satisfatória. Nesses casos, uma alternativa é o implante de próteses penianas. A cirurgia é segura e eficaz, com índices altos de satisfação do casal. Consiste na colocação de estruturas cilíndricas no interior dos corpos cavernosos do pênis, permitindo que se tenha rigidez suficiente para a relação sexual.
São disponibilizados vários tipos de prótese, com a tecnologia atual permitindo resultados estéticos e funcionais excelentes, são eles: próteses maleáveis (semi-rígidas), próteses infláveis 2 volumes e próteses infláveis 3 volumes. A escolha do melhor modelo a ser utilizado deve ser individualizado, considerando-se a condição do paciente, suas preferências e expectativas. Desta forma, o melhor modelo para um paciente pode não ser o melhor para outro.
Problemas cardiovasculares — Segundo estudos recentes, o surgimento de DE em homens pode acontecer entre dois a cinco anos antes da ocorrência de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral etc. Um trabalho recente, em publicação da International Society for Sexual Medicine (ISSM), revisou os estudos existentes sobre o tema até o momento e confirmou esses dados.
A conexão entre a DE e as doenças coronarianas e cerebrovasculares é explicada pela hipótese do tamanho das artérias. Como as artérias penianas são menores, elas são ocluídas antes das artérias coronárias ou cerebrais. Isto pode acontecer anos antes do primeiro sintoma cardíaco, por exemplo.
A presença concomitante de DE e Doença Arterial Coronariana (DAC) é extremamente comum e segundo os estudos cerca de 67% destes pacientes desenvolveram a DE antes de manifestar sintomas da DAC.
A DE é um preditor especialmente forte de problemas cardiovasculares em homens entre 30 e 60 anos de idade. Para aqueles com mais de 70 anos, a relação entre DE e doenças Cardiovasculares não é tão forte.
Homens com DE têm risco aumentado de doenças cardiovasculares, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e outras causas de morbi-mortalidade.
Com base nesses dados, a presença da Disfunção Erétil deveria ser incorporada na rotina clínica diária como fator de risco para DCV, da mesma forma que a hipertensão arterial, o diabetes ou o tabagismo são. É sempre importante consultar um médico.
Sobre o especialista: Dr. Ruimário Machado Coelho é formado em Medicina pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), fez residência médica em Cirurgia Geral no Hospital Heliópolis, em São Paulo (SP), residência médica em Urologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). É membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Fellowship em Andrologia e Infertilidade Masculina - Instituto H Ellis / Projeto ALFA, membro ativo da American Society of Andrology (ASA) e membro da International Society for Fertility Preservation (ISFP).