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Festival de Curitiba

‘Dogville’ reflete a exploração humana no Festival de Curitiba

‘Dogville’ usa linguagem cinematográfica e estéticas do teatro
‘Dogville’ usa linguagem cinematográfica e estéticas do teatro (Foto: Renato Mangolin)

Após temporadas no Rio de Janeiro e São Paulo, o espetáculo “Dogville” será apresentado no Festival de Curitiba, compondo a programação da Mostra 2019. O diretor paulistano Zé Henrique de Paula assina a primeira adaptação teatral brasileira para a obra-prima cinematográfica do dinamarquês Lars von Trier. As apresentações acontecem nos dias 02 e 03 de abril, no Teatro Guairinha.

O elenco é formado por Mel Lisboa, Eric Lenate, Bianca Byington, Marcelo Villas Boas, Marcia Oliveira, Rodrigo Caetano, Gustavo Trestini, Fernanda Thurann, Lucas Romano, Ana Andreatta, Blota Filho, Munir Pedrosa, Rosana Penna , Dudu Ejchel e Fernanda Couto.

A montagem está indicada ao Prêmio Shell na categoria Melhor Figurino; três categorias no Prêmio Cesgranrio de Teatro: Melhor Espetáculo, Melhor Atriz com Mel Lisboa e Melhor Figurino com João Pimenta; cinco categorias no Prêmio Botequim Cultural de Teatro: Melhor Espetáculo, Melhor Direção com Zé Henrique de Paula, Atriz em Papel Coadjuvante com Selma Egrei, Figurino com João Pimenta e Iluminação com Fran Barros.

A trama se passa na fictícia cidade de Dogville, uma pequena e obscura cidade situada no topo de uma cadeia montanhosa, ao fim de uma estrada sem saída, onde residem poucas famílias formadas por pessoas aparentemente bondosas e acolhedoras, embora vivam em precárias condições de vida. A pacata rotina dos moradores é abalada pela chegada inesperada de Grace (Mel Lisboa), uma forasteira misteriosa que procura abrigo para se esconder de um bando de gangsters.

Recebida por Tom Edison Jr. (Rodrigo Caetano), que, comovido pela sua situação, convence os outros moradores a acolhê-la na cidade, Grace, decide oferecer seus serviços para as famílias de Dogville, como retribuição. Porém, no decorrer da trama, um jogo perverso se instaura entre os moradores da cidade e a bela forasteira: quanto mais ela se doa e expõe a sua fragilidade e a sua bondade, mais os cidadãos de bem exigem e abusam dela, levando a situação a extremos inimagináveis.

A obra faz uma crítica contundente ao mundo contemporâneo e à sociedade de consumo por meio de uma radiografia precisa da alma humana. “São situações reais e muito próximas de nós, que colocam uma lente de aumento na alma do ser humano. É como se não acreditássemos que aquelas pessoas fossem capazes de explorar essa mulher de forma tão cruel. O filme discute questões atuais, como a xenofobia, a intolerância e põe em cheque a máxima do sistema capitalista na qual, para se obter lucros, é preciso explorar ao máximo o outro, por vezes de formas desumanas”, reflete o produtor e idealizador da peça Felipe Lima.

Ainda segundo ele, o filme fala sobre os limites humanos. “Em tempos de intolerância, de exploração é necessário mostrar que, embora o ser humano tenha uma tendência a agir de modo abusivo em determinadas situações, é preciso impor limites. Nem tudo é aceitável, muito menos tolerável. É preciso exercitar a empatia, olhar com atenção para o outro. E que até a bondade excessiva e a resignação podem ser manifestações de arrogância, de paternalismo. Até que ponto você tem que perdoar no outro atitudes e comportamentos pelos quais se puniria?”, questiona.

Para o diretor Zé Henrique de Paula, é desafiador transformar o filme de Lars von Trier em uma peça porque a obra já evoca essa estrutura teatral. “Acho que o filme é uma referência muito forte, é icônico e sinônimo de Lars von Trier e daquela linguagem mais teatral. Adotamos o caminho inverso: na peça flertamos com a linguagem cinematográfica, utilizando não somente projeções e videomapping, mas também projetando cenas filmadas ao vivo durante o espetáculo. Trabalhar isso com os atores envolve muita energia e desprendimento por parte de todo o elenco e equipe”, revela.

Além da linguagem cinematográfica, a montagem dialoga com estéticas de referência do teatro e do teatro físico, como de Tadeusz Kantor, Pina Bausch e Dimitris Papaioannou. “A ideia é explorar a secura do texto, a aridez da cidade e a precariedade dos personagens de forma a trazer isso também para o corpo dos atores e os elementos de encenação”, diz o diretor.

Dogville, o filme - Considerado pela BBC um dos melhores filmes do século 21, o longa-metragem de Lars von Trier, lançado em 2003, foi estrelado por Nicole Kidman, Paul Bettany, Patricia Clarkson, Udo Kier, James Caan, Philip Baker Hall, John Hurt, entre outros. O título ganhou o Prêmio do Cinema Europeu e o Robert Award e foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes. “Lembro-me de ter assistido à Dogville no cinema e de ter me encantado com a sua estética, era totalmente inovadora; uma obra cinematográfica gravada como peça de teatro em um galpão, onde não havia cenário, só algumas mobílias; e as casas eram feitas com riscos de giz no chão. A encenação era totalmente focada no trabalho dos atores”, comenta Lima.

Serviço
Dia: 2 e 3 de abril, às 21 horas
Onde: No Teatro Guairinha - Auditório Salvador de Ferrante (Rua 15 de Novembro, 971 Centro)

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