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Mercado

Dólar fecha abaixo de R$ 3,70 com intervenção maior do BC

ANAÏS FERNANDES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ampliação da intervenção do Banco Central no mercado de câmbio surtiu efeito, e o dólar interrompeu nesta segunda (21) uma sequência de seis altas consecutivas.

A moeda fechou o dia em baixa de 1,36%, a R$ 3,688 (comercial), enquanto o à vista caiu 0,9%, para R$ 3,71.

Na sexta (18), o BC anunciara que ofertaria neste pregão 15 mil contratos adicionais de swap cambial, totalizando US$ 2 bilhões. A operação equivale à venda de dólares no mercado futuro. Até então, o BC fazia leilões diários de 5.000 contratos.

"O mercado parece estar respeitando a intervenção do BC", diz Cleber Alessie, da corretora HCommcor.

Nas seis sessões anteriores, a moeda americana registrara valorização de 5,5% sobre o real, com a percepção de que os EUA poderiam elevar os juros mais vezes que o esperado.

O movimento geraria uma fuga de dólares hoje aplicados em países considerados mais arriscados, como o Brasil, para o mercado americano. O dólar avançou ante 16 das 31 principais divisas globais nesta segunda.

Apesar da atuação mais firme do BC, a trajetória de alta da moeda americana não deve se alterar no longo prazo.

"O fato de o mercado respeitar o anúncio do BC não quer dizer que o dólar vai começar a despencar", afirma Alessie.

Economistas ouvidos pela pesquisa Focus, do BC, divulgada nesta segunda, elevaram pela quinta vez seguida a previsão para o dólar neste ano e agora veem a moeda americana a R$ 3,43 no fim de 2018 e a R$ 3,45 em 2019, ante R$ 3,40 para ambos os anos na estimativa anterior.

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, chegou a afirmar que o Tesouro também pode atuar em conjunto com a autoridade monetária para trazer mais equilíbrio ao mercado, mas reconheceu que o movimento de alta do dólar é global e não poderá ser contido pelo governo.

Descolada do exterior, a Bolsa brasileira caiu pelo terceiro pregão seguido. O Ibovespa, índice que reúne ações de maior liquidez, perdeu 1,52%, pa 81.815 pontos -nível mais baixo desde 9 de fevereiro. O giro financeiro foi de R$ 20,9 bilhões, inflado pelo vencimento de opções sobre ações.

Os mercados europeu e americano reagiram, em geral, de forma positiva ao anúncio de que EUA e China colocaram em modo de espera uma potencial guerra comercial. O Dow Jones, principal índice de Nova York, subiu 1,21%. O FTSE 100, de Londres, ganhou 1,03%, e a Bolsa de Paris avançou 0,41%.

No Brasil, das 67 ações do Ibovespa, 44 caíram, 21 subiram e duas ficaram estáveis.

Segundo Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos, a baixa ocorre porque a saída de estrangeiros da Bolsa "ainda está bem forte". Ele aponta que, com investidores desmontando posições, bancos têm tido perdas significativas. As ações ordinárias do Bradesco lideraram a queda no setor, ao recuar 3,23%.

Pressionaram ainda o índice para baixo a Vale (-3,23%) e a Petrobras (-2,34% nos papéis preferenciais e -3,35% nos ordinários). "O que vai determinar se a Bolsa volta a patamares de alta são questões relacionadas à eleição", diz Fabrício Stagliano, analista-chefe da Walpires Corretora.

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