“É mais para tirar do que ganhar voto”

Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Brasil tem 83 milhões de usuários de internet no Brasil, o que corresponde a 46,5% da população com 10 anos ou mais de idade. O acesso à rede chegou a 40% das residências brasileiras em 2012, segundo pesquisa Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) Domicílios. Além disso, de acordo com dados do Netview, do IBOPE Media, em janeiro de 2013, as páginas das redes sociais outras agrupadas na subcategoria comunidades, que incluem também blogs, microblogs e fóruns, atingiram mais de 46 milhões de usuários, o equivalente a 86% dos internautas ativos no período.
Esses números podem levar à impressão de que a disputa eleitoral ganha novos contornos com o crescimento do acesso à informação pelos eleitores através desse meio. Mas apesar desse crescimento exponencial, os especialistas ainda vêem com cautela o papel das redes sociais na campanha eleitoral deste ano. Para o diretor da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, por enquanto elas servem muito mais para o lado negativo do que para a conquista efetiva de votos. Ao mesmo tempo em que as pessoas se informam cada vez mais pelas redes sociais, cada vez menos elas vão decidir o voto por elas, aponta o pesquisador. Serve mais para tirar do que para ganhar votos, vaticina Hidalgo.
Isso acontece, segundo ele, porque ao contrário do que muitos pensam, a população não acredita em tudo que vê na internet. Pelo contrário, no caso das redes sociais, a credibilidade das informações é ainda mais baixa, pois elas são vistas na maioria das vezes como piada ou agressão. As pessoas já estão vacinadas. Até porque, com raras exceções, são sempre os mesmos que falam bem, seja do PT ou do Beto Richa, explica Hidalgo, apontando que isso vale tanto para a campanha positiva, quanto para a negativa.
De acordo com o pesquisador, a influência das redes sociais na campanha só é maior quando há uma conjunção de fatores, como a que ocorreu nas eleições municipais de 2012 em Curitiba. Naquela ocasião, explica, a candidatura do prefeito Gustavo Fruet (PDT) se beneficiou de uma onda favorável, pelo próprio perfil do pedetista. Naquele momento, havia em Curitiba um candidato muito querido pelas elites. Esse tipo de comoção só funciona quando é espontânea, não quando é estimulada, aponta. Até porque, esclarece, o uso das redes sociais ainda é mais amplo entre as camadas mais elitizadas da população, as que mais formam opinião.
Para Hidalgo, dificilmente o mesmo efeito acontecerá nas eleições para o governo do Estado neste ano. Os três principais candidatos já são conhecidos e estão desgastados, considera.