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Em 2020, auxílio beneficiou um quarto da população e injetou R$ 13,7 bilhões na economia do Paraná

Pagamento do auxílio em 2020 evitou que queda do PIB fosse maior
Pagamento do auxílio em 2020 evitou que queda do PIB fosse maior (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Paraná foi um dos estados que mais ganhou com o pagamento do auxílio emergencial, implementado pelo governo federal em 2020. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mais de um quarto dos paranaenses recebeu algum valor ao longo do último ano, sendo que o estado foi a oitava unidade da federação que mais recebeu auxílio emergencial.

O benefício, que começou a ser pago em abril, disponibilizou R$ 600 e R$ 1.200 até agosto, a depender da condição do beneficiário. A partir de setembro, porém, os valores pagos aos cidadãos foram reduzidos pela metade, bem como foram incluídas regras que diminuíram o número de beneficiários.

Ainda assim, no ano passado 3,29 milhões de pessoas receberam o auxílio emergencial no Paraná, conforme o Dieese, ou 28,57% da população do estado. Além disso, o valor total transferido para os beneficiários foi de R$ 13,716 milhões, o equivalente a 2,87% do PIB paranaense e a 8,12% da massa salarial estadual anual (empregos formais e informais) em 2020.

Em termos de valores, o Paraná recebeu 4,66% do montante total pago aos cidadãos através do auxílio emergencial. Foi o oitavo estado que mais recebeu dinheiro, atrás de São Paulo (18,78%), Minas Gerais (9,18%), Bahia (8,62%), Rio de Janeiro (8,49%), Pernambuco (5,51%), Ceará (5,16%), e Pará (5,00%).

O grande problema, analisa ainda o Dieese, é que neste ano menos pessoas terão acesso ao auxílio, e mesmo aquelas que receberão terão direito a um valor reduzido, que será distribuído em quatro parcelas (os valores podem ser de R$ 150, R$ 250 e R$ 275), com valor médio de R$ 250, o que não é suficiente nem para comprar meia Cesta Básica em Curitiba, que em março teve um custo de R$ 577,17. Além disso, houve demora na retomada do pagamento do benefício, o que significa que as pessoas mais pobres, carentes e mais necessitadas ficaram três meses sem qualquer ajuda por parte do governo federal, e isso no pior momento da pandemia do novo coronavírus, com avanço expressivo no número de casos e de mortes e aumento no custo de vida.

Para 2021, por exemplo, o montante total a ser pago no país na forma de auxílio emergencial está estimado em R$ 44 bilhões, o que representa apenas 15% do que foi disponibilizado em 2020. Caso o Paraná mantenha a mesma participação relativa ocorrida em 2020, o total a ser disponibilizado no estado neste ano será de aproximadamente R$ 2,05 bilhões, 85% a menos do que no ano anterior.

O auxílio emergencial no Paraná e os municípios mais beneficiados

Paraná
Beneficiários: 3.289.928
Valor disponibilizado: R$ 13.716.259.769

Curitiba
Beneficiários: 483.061
Valor disponibilizado: R$ 1.992.310.440

Londrina
Beneficiários: 147.725
Valor disponibilizado: R$ 605.350.390

Ponta Grossa
Beneficiários: 101.151
Valor disponibilizado: R$ 429.605.497

Foz do Iguaçu
Beneficiários: 99.019
Valor disponibilizado: R$ 416.740.517

Maringá
Beneficiários: 103.538
Valor disponibilizado: R$ 3,14%

Fonte: Dieese, “Impacto do Auxílio Emergencial na Economia Paranaense em 2020”

Valor é insuficiente para suprir as necessidades da população, diz pesquisa

O Dieese ainda destaca em sua análise que o auxílio teve importância fundamental não só do ponto de vista social, mas também econômico. Uma evidência disso é um estudo realizado pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (MADE) da FEA-USP2, o qual indicou que a redução do PIB (que ficou em 4,1% em 2020) poderia ter sido muito maior (entre 8,4% e 14,8%) não fosse o auxílio emergencial.

“Além dos impactos econômicos com seus efeitos multiplicadores, inclusive para a própria arrecadação dos governos federal, estaduais e municipais, não podemos deixar de considerar a relevância do auxílio do ponto de vista social e até mesmo alimentar”, destaca ainda o Dieese.

Por outro lado, a avaliação sobre o benefício em 2021 é preocupante, uma vez que o valor a ser pago é considerado insuficiente para suprir as necessidades da população quando atravessamos o pior momento da pandemia. “Em função deste retrocesso, as Centrais Sindicais e os movimentos sociais estão pressionando o Congresso Nacional e o Governo Federal para que os valores sejam elevados para os mesmos patamares pagos em 2020, e que o Governo do Estado crie um auxílio emergencial estadual para os trabalhadores paranaenses”, escreve ainda o Dieese.

No PR, 5% dos municípios concentram mais da metade do montante

No Paraná, os vinte municípios que mais receberam o auxílio emergencial concentram também mais da metade dos beneficiários e do montante disponibilizado através do programa. Isso acontece porque essas cidades, conforme dados do IBGE, concentram 52,8% da população paranaense, que está espalhada por 399 municípios.

Assim sendo, os municípios que mais receberam o auxílio emergencial em valores absolutos foram: Curitiba (14,53%), Londrina (4,41%), Ponta Grossa (3,13%), Foz do Iguaçu (3,04%), Maringá (3,00%), São José dos Pinhais (2,78%), Cascavel (2,64%), Colombo (2,35%), Guarapuava (1,73%), Paranaguá (1,52%), Araucária (1,36%), Fazenda Rio Grande (1,25%), Apucarana (1,14%), Pinhais (1,14%), Almirante Tamandaré (1,11%), Piraquara (1,06%), Campo Largo (1,03%), Toledo (1,01%), Umuarama (0,94%) e Arapongas (0,90%). Juntos estes vinte municípios representaram 50,08% do total recebido no estado, além de concentrarem 50,12% dos beneficiários.

Paraná — O Governo do Estado lançou no dia 20 de abril um novo pacote social voltado para ajudar as famílias mais vulneráveis do Paraná. Serão R$ 109 milhões divididos em seis ações como forma de amenizar o impacto da pandemia da Covid-19 no dia a dia dos cidadãos. O programa foi apresentado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior aos deputados estaduais em encontro virtual.