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Em Cannes, cacique Raoni diz que pretende falar com Bolsonaro sobre Xingu

CANNES, FRANÇA (FOLHAPRESS) - O cacique Raoni Metuktire, histórico líder caiapó, fez um apelo durante o Festival de Cannes para a construção de uma cerca verde de bambu em torno da reserva do Xingu, em Mato Grosso. "Não param de destruir o mato. Não é só o índio que vai morrer", disse na manhã deste sábado (25).

Aos 87 anos, ele está no meio um giro de três semanas pela Europa para convencer políticos a apoiarem a sua causa. Na quinta (16), ganhou o apoio da França após visita ao presidente Emmanuel Macron. Também teve um encontro com o príncipe Albert 2º, de Mônaco. E deve ter uma audiência com o papa Francisco, no Vaticano.

Em Cannes, na Rivera Francesa, Raoni caminhou pelo famoso tapete vermelho do festival de cinema ante da sessão do filme "Sibyl", de Justine Trier, e falou a um grupo de pessoas na cobertura de um hotel na cidade no dia seguinte. O evento foi organizado pela associação Forêt Vierge, da qual é presidente de honra junto do cineasta Jean-Pierre Dutilleux.

"Estou muito preocupado. Vocês têm que nos ajudar a criar a cerca. Se destruírem tudo, será difícil respirar. O Sol vai ficar mais quente. Os espíritos estão me dizendo. Deus está vendo tudo morto", falou.

Ao seu lado estavam outras três indígenas, seu assessor Bemoro Meturktire, a jovem liderança Tapy Yawalapiti e Kaiulu Kamaiurá, que representa as mulheres.

À reportagem Raoni disse que pretende falar com Bolsonaro quando voltar ao Brasil. "Tenho que explicar direitinho para ele", disse. "Os fazendeiros estão matando índio, os garimpeiros estão matando meus parentes. Estão acabando com a madeira e o mato vai acabar."

A turnê europeia de Raoni marca os 30 anos de sua famosa viagem com o roqueiro Sting, que deu a ele fama internacional e algum status pop. "Esta pode ser a última", segundo Dutilleux, etnólogo que o acompanha há quatro décadas.

"Precisamos de muito dinheiro nessa campanha. A reserva virou uma ilha verde em meio a fazendas de soja", afirmou o diretor e etnólogo belga. "Que Bolsonaro sinta compaixão em seu coração pelos índios."

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