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Epicovid19-BR

Em Curitiba, quase 7 mil pessoas já podem ter sido infectadas pelo novo coronavírus

(Foto: Franklin de Freitas)

O número de infectados pelo novo coronavírus no Brasil deve ser cerca de sete vezes superior àquele registrado nas estatísticas oficiais. Foi isso o que revelou o estudo Epicovid19-BR, a primeira pesquisa nacional sobre a doença, coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e financiado pelo Ministério da Saúde.

O estudo, que passou pela primeira das três fases previstas, coletou dados em 133 cidades espalhadas por todas as unidades da federação, realizando mais de 25 mil entrevistas e testes para identificar quem tinha anticorpos contra a Covid-19, ou seja, quem já teve ou têm o coronavírus. No Paraná foram pesquisadas as cidades de Cascavel, Curitiba, Guarapuava, Londrina, Maringá e Ponta Grossa.

Na Capital, menos de 0,5% da população já teve contato com o novo coronavírus. Até ontem, conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), 975 pessoas haviam testado positivo para a doença. Considerando-se, então, a média nacional de subnotificação identificada pela Epicovid19-BR, chegamos ao número de que aproximadamente 6,8 mil curitibanos já tiveram contato com o coronavírus.

No estado, o maior porcentual da população com anticorpos foi encontrado em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, com 1,7%. Isso significa que a cidade, que até ontem somava 61 casos confirmados da doença, conforme boletim da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), na verdade poderia somar cerca de 6 mil pessoas que estão ou já foram infectadas.

“O Brasil, como país, ainda testa muito pouco e ainda testa de forma seletiva. O país precisa ter uma política de testagem muito mais ampla do que tem hoje”, afirmou ontem, em entrevista coletiva, Pedro Hallal, coordenador-geral da pesquisa. “De cada 7 pessoas com o coronavírus, apenas uma sabe que está ou esteve infectada. Isso é preocupante, visto que as demais 6 pessoas que não sabem da infecção podem, involuntariamente, transmitir o vírus para outras pessoas”.

O release do estudo, publicado na noite de segunda-feira, está disponível no site e redes sociais da UFPel. O relatório completo, com os dados detalhados por cidade, deve ser divulgado até o final desta semana. Já a segunda fase da pesquisa será feito no começo de junho, entre os dias 4 e 6.

Flexibilização do isolamento causa preocupações

O Epicovid19-BR também avaliou o grau de cumprimento da população com as medidas de distanciamento social. E no Paraná, o índice é de 62,8%, o que coloca o estado como o sétimo com mais pessoas respeitando o distanciamento. Os estados mais isolados no país são Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina, com mais de 65% dos entrevistados relatando cumprir as medidas de distanciamento social.

Questionado sobre em qual situação seria recomendado o relaxamento das medidas de isolamento social, Pedro Hallal explicou que essa flexibilização só deveria acontecer quando a curva de contágio pelo coronavírus estivesse na descendente. “Enquanto isso não acontece, não dá para relaxar as medidas de isolamento. Então eu vejo com preocupação [as medidas de relaxamento neste momento]”, disse o coordenador do estudo.

Nas últimas semanas, contudo, o Paraná seguiu por um caminho diferente. Academias, shoppings, igrejas e templos foram reabertos, mesmo que com a adoção de medidas preventivas. E isso acontece num momento em que o número de casos no estado cresce significativamente: entre os dias 18 e 24 de maio foram 928 diagnósticos positivos, enquanto na semana entre 11 e 17 de maio haviam sido 450 registros. Já nos últimos dois dias (segunda e terça-feira), foram mais 304 casos confirmados no Paraná.

Várias pandemias num único país

Outro dado interessante do Epicovid19-BR é que São Paulo, cidade mais populosa do Brasil, com 12,2 milhões de habitantes, apresenta 3,1% da população com anticorpos. Dessa forma, estima-se que 380 mil moradores da capital paulista tenham anticorpos contra o coronavírus, o que significa que somente uma cidade tem mais casos do que as estatísticas oficiais mostram para todo o país.

“Essas diferenças entre as cidades demonstram que existem várias epidemias num único país. Enquanto algumas cidades apresentam resultados altos, comparáveis aos de Nova Iorque (Estados Unidos) e da Espanha, outras apresentam resultados baixos, comparáveis a outros países da América Latina, por exemplo”, destacam os pesquisadores.

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