Eleições 2018

Em Curitiba, quase um terço dos vereadores planeja candidatura

Pouco mais de um ano depois de terem sido eleitos ou reeleitos, 12 dos 38 vereadores de Curitiba – ou 31,5% dos atuais integrantes da Câmara Municipal da Capital pretendem novamente tentar a sorte nas urnas, buscando uma vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal. Embora parte deles dificilmente consiga viabilizar uma candidatura, o número de vereadores candidatos ainda é incerto, pois dependerá de alianças e do interesse de seus partidos.

Em 2014,  eram 14 candidatos. Desses, nenhum se elegeu. Em 2010, quando dois vereadores (Mara Lima, cantora evangélica, e Roberto Aciolli, apresentador de TV) se elegeram deputados estaduais, foram 13 candidatos que saíram da Câmara Municipal pra disputar um espaço nos legislativos estadual e federal. Antes de 2010, Curitiba costumava emplacar de três a quatro deputados, segundo políticos experientes ouvidos pela reportagem.

Entre os vereadores que já manifestaram intenção em se candidatar, os três parlamentares do PSD - Felipe Braga Cortes, Professor Euler e Bruno Pessuti - estão entre os que podem ser barrados pelo partido, já que deputados estaduais da legenda não teriam interesse na concorrência interna. Uma alternativa para eles seria a troca de partido até abril, como dois já cogitam. Só que eles  correm o risco perder seus mandatos.

O cientista político Emerson Cervi, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), lembra que o caminho dos políticos em um modelo democrático idealizado deveria ser escalonado.  Há uma carreira política eleitoral e que, quando o sistema está funcionando de maneira adequada espera-se que o político vá ganhando vá ganhando experiência a galgando cargos. Começa num nível municipal, vai para o estadual e pode até chegar ao nível federal. Pra cada um desses níveis há uma peneira e nem todos conseguem passar, explica.

Concorrência - Dentre os três vereadores do PSD, Professor Euler é o único que manifestou intenção de uma candidatura à Câmara Federal, enquanto Braga Cortes e Bruno Pessuti pleiteiam uma vaga na Assembleia. Em 2014, o único dos três que tentou uma vaga na Câmara Federal, Braga Cortes, fez  23.119 votos.

Os outros nomes manifestos até agora são de Noêmia Rocha (PMDB), Pier Petruzziello (PTB), Metre Pop (PSC), Maria Letícia Fagundes (PV), Cristiano Santos (PV), Tico Kuzma (PROS), Cacá Pereira (PSDC), Goura (PDT) e Professora Josete (PT).

No caso de Josete, uma disputa de votos com o correligionário Professor Lemos (PT), já deputado estadual, seria um impeditivo. A dupla divide o mesmo reduto eleitoral entre servidores públicos da Educação e petistas tradicionais e poderia fracionar votos cativos. Isso inviabilizaria a vaga tradicionalmente conquistada pelo partido na Assembleia. Hoje com três deputados, o PT já perdeu três cadeiras em 2014. Josete deve tentar uma cadeira na Câmara Federal, em uma dobradinha com candidatos petistas. A campanha dela poderia ajudar os correligionários na Assembleia.

Do grupo de vereadores que pretende se candidatar, o mais votado em 2016 foi  Mestre Pop, com 8.210 votos. Mesmo que o PSC de Pop ainda tivesse um puxador-de-votos não conseguiria uma vaga com a marca já alcançada. Entre os outros vereadores pré-candidatos, Pier teve 7.868 votos; Goura, 6.573; Cristiano Santos, 6.151; Tico Kuzma, 6.113; Noêmia Rocha, 4.615 votos; Josete, 4.432; Cacá Pereira, 3.728; e Maria Letícia, 3.311.

Estratégia é reforçar chapas

O PV dos vereadores Cristiano Santos e Maria Letícia, adotou estratégia de convocar todos os mandatários da legenda para somar votos e fortalecer a bancada. Mesmo que não se elejam, ambos trabalhariam em campanhas para fortalecer o partido.

O caso de Cristiano é peculiar, pois envolve a tentativa do pai, Roberto Accioly (PV), que pretende voltar à Assembleia Legislativa depois de não conseguir se reeleger em 2014.

Se houver interesse do partido converso com a minha família, com meu pai, que ele sim talvez seja candidato a deputado estadual, o partido já manifestou interesse que Roberto Accioly coloque o nome à disposição. A gente tem uma hierarquia, um comando de família a ser seguido, revela Santos.

Maria Letícia demonstra ceticismo quanto à sua candidatura neste ano. O partido me pergunta se quero ou não participar. Na verdade não é um desejo meu, é um desejo do partido. É o meu primeiro mandato como vereadora e acredito que há um tempo, mais um ano, ou dois, ou três, eu deva estar definindo sem influência do partido se tento uma reeleição. Devem pedir para todos os que tem mand ato. Quem tem mandato, em tese, tem voto, não sei se suficiente para essa eleição, calcula.

Por enquanto, entre os vereadores ouvidos pela reportagem, Goura (PDT) é o que demonstra maior entusiasmo. Ele realmente afirma ter decidido participar da eleição deste ano.

Vejo a necessidade de a gente ter uma política metropolitana. Como vereador tenho legitimidade para discutir tudo que está no limite de Curitiba, desde a questão do lixo, transporte coletivo, questões ambientais, direitos humanos. Porém, a cidade já está completamente conurbada coim os municípios metropolitanos. A gente joga o lixo em Fazenda Rio Grande, bebe a água que vem de Piraquara, de Campo Largo, uma massa de trabalhadores moram em Pinhais, Colombo, e trabalham em Curitiba e vice-versa. Vejo necessidade de ocupar um espaço onde essas pautas que tenho trabalhado tenham uma relevância maior, vislumbra Goura.