Tendência

Em Curitiba, venda de carros seminovos e usados dispara na pandemia

Venda de usados e semi-novos vem de alta em 2020 e segue em 2021
Venda de usados e semi-novos vem de alta em 2020 e segue em 2021 (Foto: Franklin de Freitas)

O mercado de veículos seminovos e usados está aquecido em Curitiba. Em meio à pandemia do novo coronavírus, o setor viu o nível de vendas subir pelo menos 10% em relação aos dois anos anteriores (2019 e 2020), num movimento que, em grande medida, reflete as dificuldades enfrentadas pelo mercado de carros novos

Na Auto-X Veículos, por exemplo, Diego Marchetto, sócio-proprietário da empresa, conta que, em termos de vendas, 2020 foi um ano melhor que 2019 e 2021 já é melhor que 2020, com alta de aproximadamente 15% no volume de negócios fechados em relação ao ano anterior.

“Eu confesso que, quando chegou a pandemia, tive medo da pessoa não querer trocar de carro, muita gente preocupada com a estabilidade de emprego, sem saber o amanhã. Mas o mercado não desaqueceu, o pessoal continua comprando, trocando de carro”, afirma Marchetto.

Já Rodrigo Dal Bello, da Bellos Car, explica que é possível dividir o ano de 2020 em três partes: a primeira até março, quando tudo ainda caminhava normalmente e o coronavírus não havia chegado; depois o período entre abril e junho, quando tudo fechou e a economia viveu um momento de profunda incerteza; e por fim o segundo semestre, quando a situação inverteu e o mercado de veículos usados e seminovos ficou extremamente atraente.

“Faltou carro zero, subiu demais o preço do zero e todo o mercado foi pra compra de seminovos. O segundo semestre do ano passado foi muito bom, salvou o ano”, diz o empresário, relatando ainda que 2021 começou no mesmo ritmo que o final de 2020, mas que aos poucos foi surgindo um problema: o preço dos carros de segunda mão começaram a subir, subir demais, registrando altas entre 20 e 40%, dependendo do modelo do veículo.

“Mesmo assim não afastou [os compradores]. Algumas pessoas que já compravam seminovo podem ter reduzido [o volume de compras], mas aí veio um público novo, porque o pessoal que comprava [veículo] zero também começou a comprar usado. Hoje, o tempo médio de permanência de um veículo no meu estoque é de 20 dias”, diz Bello, contando ainda que acredita num final de ano com alta demanda, especialmente por carros com perfil de viagem, e que a expectativa para 2022 é de estabilidade, até pelo fato de o preço dos veículos usados ter subido demais.

Venda de veículos novos cai 17% em outubro

Enquanto as vendas estão em alta no mercado de veículos usados, a venda dos zero quilômetro registrou queda de 17,07% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), no mês passado foram licenciadas 276.033 unidades, enquanto em outubro de 2020 haviam sido vendidas 332.852.

“A demanda se mantém alta por parte do consumidor, mas há segmentos em que a espera por um veículo pode levar meses, em função dos baixos estoques das concessionárias, que não estão conseguindo ter todos os pedidos atendidos pelas fábricas, devido à falta de insumos e componentes. Esperamos pela normalização da produção, mas acreditamos que isso só ocorra em meados de 2022”, disse o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior.

Ainda assim, no acumulado do ano, de janeiro a outubro, as vendas tiveram aumento de 16,15% sobre o mesmo período do ano passado. Foram 2.863.349 unidades licenciadas, contra 2.465.260 vendidas em igual período de 2020.