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Entrevista

Em grande estilo e ao lado da filha, Claudia Rodrigues retorna aos palcos em Curitiba

Claudia: “Fazer chorar qualquer um faz, sem desmerecer os outros. Razer rir é muito mais difícil”
Claudia: “Fazer chorar qualquer um faz, sem desmerecer os outros. Razer rir é muito mais difícil” (Foto: Franklin de Freitas)

Uma das humoristas mais queridas do público, Claudia Rodrigues está de volta aos palcos, e desta vez, para ficar. Depois de vários problemas pessoais, a atriz escolheu Curitiba para marcar o seu retorno aos palcos, no 3º Brazilian Comedy Club, que acontece hoje, no Restaurante Madalosso, e no qual ela divide a cena com os colegas de profissão Nerso da Capitinga e Diogo Portugal. É o retorno triunfal da atriz após conseguir enfrentar o diagnóstico de esclerose múltipla, e conseguir rir de toda a situação.

Entre 1996 e 2007, ela foi um dos grandes destaques do humor brasileiro, dando vida a personagens como Ofélia, Talia e Marinete, a protagonista do já clássico seriado A Diarista, da Rede Globo. Mas, enquanto fazia brasileiros e brasileiras rirem, Claudia Rodrigues enfrentava, na vida real, um drama que passava longe da alegria de seus papéis. Quando descobriu a esclerose, em 2000, a atriz teve que, aos poucos, se resignar a cuidar dos sintomas da doença . Mas como toda boa comediante, Claudia não se entregou e soube rir da própria situação. E neste retorno, ela resolveu não incorporar nenhum personagem. Vai contar histórias e casos engraçados que vivenciou em sua vida. Mas seria isso mais difícil do que criar um personagem? A própria Claudia responde: “A dificuldade é a mesma. Personagem é como filho, você gosta de todos, e de alguns, você gosta mais um pouco. Eu tô de cara limpa no stand up, mas a dificuldade e o processo são os mesmos. Tem que fazer graça, e Deus me botou no mundo pra isso, então eu estou muito satisfeita em retornar”.

Além da alegria por poder retornar ao seu ofício, Claudia tem um motivo a mais para comemorar: vai dividir o palco com a filha Iza, de 17 anos, que participa, pela primeira vez, de um espetáculo. “Foi ideia minha e da Adriane (Bonatto, sua amiga e empresária) chamar a Iza para o espetáculo. Não é porque é minha filha, mas ela está arrasando”, diz, aos risos.

Aliás, Adriane é a responsável por esse retorno de Claudia aos palcos. “Além de participar do Brazilian Comedy, a Claudia é madrinha do projeto. Ela participaria da 2ª edição, mas acabou pegando uma dengue e não conseguiu participar”. O evento foi criado, principalmente, para ajudar na revelação de novos talentos. A proposta é trazer artistas renomados e, com a renda arrecadada, contratar jovens humoristas, e fomentar a cena do humor no país.

Falando em renda, parte do valor arrecadado com o Brazilian Comedy será revertido para o Provopar Estadual, para ajudar pessoas vulneráveis.
Mas, mesmo sendo referência no humor praticado no país nos últimos 20 anos, será que Claudia nunca teve vontade de interpretar algum personagem mais sério? Nas palavras da própria, isso nem passa pela sua cabeça. “Já tive convites, mas não consigo. Tô mais ligada à comédia. Fazer chorar qualquer um faz, sem desmerecer os outros. Mas fazer rir é muito mais difícil. A pessoa tá num momento ruim, e a gente faz a pessoa dar a volta por cima, rir, sorrir. Não tem dia melhor, quando ele é construído com um sorriso”.

Batalha contra a doença e novos projetos

A luta de Claudia Rodrigues contra a esclerose múltipla foi acompanhada por todo o público nos últimos anos, e ela conseguiu surpreender, indo contra todos os prognósticos da doença. Após realizar um transplante de células-tronco, sua saúde melhorou a olhos vistos, surpreendendo a todos. “Você tem que mudar tudo, a alimentação, os hábitos. Tenho esclerose desde 2000. Em 2015 fui mandada embora da Globo. Desde que eu fiz o transplante com células-tronco, minha fadiga foi embora. Eu tenho uma cobrança não só minha, mas dos meus fãs. E não tem nada que me deixe mais feliz do que poder exercer minha profissão”.

A melhora de Claudia acabou se tornando objeto de estudo na Nasa. Segundo Adriane, conforme informações do Guinness, não há um caso no mundo de esclerose múltipla que tenha passado de 20 anos. O da Claudia é praticamente o primeiro. Segundo o Guinness, não há um caso no mundo de esclerose múltipla que tenha passado de 20 anos. O da Claudia é praticamente o primeiro. “A esclerose tem uma tabela, de 0 a 10. Quanto mais próximo do 10, maior a chance de morrer. De 0 até 5, a doença ainda tem solução, seja com transplante, ou com cuidados paliativos. Quando a Claudia foi internada no Hospital Albert Einstein em 2010, para um tratamento, ela estava com 9,3, praticamente morta. Fizemos um trabalho espiritual com ela, para ajudá-la em todos os sentidos. Quando ela estava se recuperando, a Globo deu uma rasteira nela (com a demissão) e a Claudia regrediu. Mas depois do transplante de células-tronco, ela consegue fazer exercícios, coisas que nós não conseguimos fazer. Depois de todo esse processo, o índice dela na tabela está em 4,3. Ou seja, a saúde dela está regenerando. Os médicos não sabem explicar o motivo principal de tudo isso. É um conjunto de coisas: o transplante de células-tronco, a mudança de alimentação, os exercícios e os cursos que ela fez (de técnicas como hipnose, regressão, etc)”.

E agora que está voltando com a corda toda, Claudia só quer saber dos seus novos projetos. Entre eles, a inauguração do Miniauditório Claudia Rodrigues, a ser inaugurado em outubro, no bairro Boa Vista, e que será uma espécie de espaço cultural, com treinamentos, e espaços para gravações de cinema, rádio e TV. “Tem que ser miniauditório, porque eu sou mini, né gente (risos)”. Além do Brazilian Comedy, ela prepara outro stand up, intitulado ‘De Cara com Claudia Rodrigues’, e a peça infantil ‘O Menino Repolho’, já encenada por ela anos atrás, e que aborda o medo que as crianças enfrentam em relação aos eventos da vida.
Stand Up De Cara com Claudia Rodrigues, tem uma peça infantil, “O Menino Repolho”, uma peça que eu fiz há muitos anos, e que trata sobre o medo que as crianças enfrentam em relação aos eventos da vida. O lado social também será abordado, pois Claudia e Adriane possuem um projeto em relação à peça: vender os ingressos do espetáculo para alunos de escolas particulares, e usar o valor arrecadado para levar alunos de escolas carentes para assistir o ‘Menino Repolho’.
Como se vê, um retorno em grande estilo!

Serviço
3º Brazilian Comedy Club, com Claudia Rodrigues, Nerso da Capitinga e Diogo Portugal
Quando: Hoje, 19h30
Onde: Restaurante Madalosso
Quanto: a partir das 19 horas
A venda de ingressos é feita pelo Disk-Ingressos. Apesar disso, algumas opções também estão sendo vendidas diretamente com o Provopar, que fica na Rua Hermes Fontes, 315, no Batel, em Curitiba. O contato da instituição é o (41) 3234-1118.

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