Em meio à onda de ataques, jovens infratores queimam colchões em Natal

RENATA MOURA NATAL, RN (FOLHAPRESS) - Após quase dois dias de trégua, em meio a uma onda de ataques ordenados por criminosos, o Rio Grande do Norte registrou nesta quinta (11) mais um caso de incêndio em Natal, que pode estar ligado aos atos.

O caso ocorreu no Centro Educacional de Nazaré, uma das oito unidades de cumprimento de medidas socioeducativas para adolescentes infratores. Por volta das 22h, 3 dos 16 jovens apreendidos em regime de semiliberdade -apenas dormem na unidade- queimaram dois colchões, no terraço do centro. Em depoimento à polícia, um deles levantou suspeita sobre a possível relação do caso com facções criminosas. "Nós é laranja, recebe ordens [sic]", disse, sem especificar quem teria ordenado a ação ou o motivo do incêndio.

Há previsão de que, na tarde desta sexta-feira (12), o jovem seja ouvido pelo Ministério Público. "Não tem como comprovar agora se há relação entre os casos, mas como levantou-se a suspeita isso será investigado", disse Ricardo Cabral, interventor judicial da Fundação Estadual da Criança e Adolescente do Estado (Fundac), administradora dos centros.

Há um ano, segundo ele, não há registro de fugas no sistema, em que ficam apreendidos adolescentes infratores -80% deles por tráfico, roubo ou furto. A última rebelião ocorreu em março de 2015, no município de Caicó. Suspeitos de liderar ataques são transferidos Pontos turísticos ficam vazios após ataques Boatos de novos ataques deixam RN em alerta Ordem para ataques partiu de presídios A suspeita, segundo ele, é de que os envolvidos no incêndio estariam sob efeito de drogas. Como não dispõem de celulares, mas ficam durante o dia fora da unidade, eventuais ordens para se rebelar podem ter sido dadas pessoalmente. "Mas não podemos afirmar ou negar que isso aconteceu, neste momento."

Com mais de 18 anos, um dos envolvidos foi encaminhado para o plantão policial e será indiciado por dano ao patrimônio público. Os demais permanecem no centro e caberá à Justiça definir a punição para eles. "Se ficar comprovada a ligação com facção eles podem voltar para o sistema de internação [em que ficam 24 horas dentro da unidade]", disse Cabral.

ATAQUES

Os ataques no Rio Grande do Norte começaram no dia 29 de julho e seriam uma represália de bandidos contra a instalação de bloqueadores de sinais de celulares em uma unidade prisional do Estado. Desde então, foram registradas 113 ocorrências em 40 cidades. A lista inclui incêndios contra veículos oficiais e particulares, depredações e disparos contra prédios públicos. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, 110 pessoas foram presas. O Estado também transferiu mais de 20 detentos para presídios federais e, desde a semana passada, tem a segurança pública reforçada por tropas do Exército, Marinha e também pela Força Aérea Brasileira. Os militares devem permanecer no Estado até o próximo dia 16.