Maus tratos

Em três meses, Patrulha de Proteção Animal de Curitiba já fez 268 atendimentos

Guarda atendeu casos envolvendo cavalo, porco-espinho, sagui, coruja e araras, além de cães e gatos
Guarda atendeu casos envolvendo cavalo, porco-espinho, sagui, coruja e araras, além de cães e gatos (Foto: SMCS/divulgação)

Nos últimos três meses, os guardas municipais da Patrulha de Proteção Animal (PPA) fizeram 268 atendimentos - média de 89 a cada 30 dias. A situação mais comum atendida pelas equipes é a de maus-tratos. Na rotina dos profissionais também são verificadas denúncias de comércio ilegal, abandono e situações diversas envolvendo tanto animais domésticos como silvestres.

“Já atendemos situações envolvendo cavalo, porco-espinho, sagui, coruja e araras, além de cães e gatos”, enumera o guarda municipal Sandro Dias Alves, que integra a PPA.

No caso do porco-espinho, a entrega foi feita à equipe de guardas em serviço no Parque Barigui dentro de uma caixa de papelão. “O cidadão contou que estava fazendo uma caminhada e encontrou o animal, que chama a atenção por ser diferente e muito bonito. Só que os espinhos dele vão crescendo e começam a machucar”, diz o GM, que participou do recolhimento do animal ao Centro de Apoio Fauna Silvestre (Cafs).

Em outra situação atendida no Cajuru, dois carroceiros foram levados à delegacia por maus tratos e utilização de cavalo na tração da carroça, que estava com excesso de peso.

Essencialmente, o trabalho da PPA é realizado de forma conjunta com os fiscais e veterinários da Rede de Proteção Animal, coordenada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Também são atendidas solicitações feitas pela Central 156 de Atendimento ao Cidadão, além de pedidos de verificação que chegam via Ministério Público.

Sistema de fiscalização vai otimizar atendimentos a maus-tratos em Curitiba
“A denúncia é a voz de socorro para o animal, o início da recuperação e o fim dos maus-tratos a um ser vivo que precisa de um tutor para se alimentar e que age por instinto”, afirma o GM Sandro.

Para o diretor de Pesquisa e Conservação da Fauna da Secretaria do Meio Ambiente, Edson Evaristo, a parceria com a Guarda Municipal traz outro tom às abordagens. “Em especial após a formalização e inclusão do grupamento PPA na rotina da Rede de Proteção Animal, a presença dos guardas municipais garante mais efetividade nas verificações e nos encaminhamentos dos casos de maus-tratos, assim como estabelece proteção aos fiscais e técnicos que costumam circular nos mais diversos cenários pela cidade no atendimento de denúncias relacionadas à fauna”, destaca.

Cuidados necessários - Um animal doméstico deve receber atenção, alimento, ter espaço adequado para se desenvolver e ser acompanhado por um veterinário. O guarda municipal ressalta as possíveis responsabilidades assumidas com um cachorro de rua. “Ao alimentá-lo, a responsabilidade passa a ser do cidadão, considerado então o tutor legal, porque o animal não vai mais embora”, completa.

No atendimento feito de forma integrada, o fiscal do Meio Ambiente é o servidor encarregado de verificar a situação local de repouso, normas quando animal está preso (coleira, corrente e cabo guia), água, alimentação, documentos e cumprimento das leis vigentes.

O veterinário inspeciona as condições clínicas, pelagem e comportamento do animal, com a segurança da equipe desenvolvida pelos guardas da PPA para atendimento, recolhimento, aplicação da infração e encaminhamento à Delegacia do Meio Ambiente, quando necessário.

A condução à autoridade policial pode acontecer em casos de comprovação de denúncia por falta de alimentação e água, se o animal estiver preso em corrente curta presa em altura elevada ou, por exemplo, se o animal apresentar sinais de desnutrição e marcas pelo corpo.

Cavalo empacado
Outras situações atendidas pela PPA dependem da disposição do próprio animal. “No bairro CIC, encontramos um cavalo abandonado dentro de um terreno da Prefeitura. Ele seria recolhido, mas empacou na porta do caminhão boiadeiro e não houve o que fosse possível fazer para que ele entrasse”, relembra o GM Sandro.

A solução foi levar o cavalo a pé até o Centro de Zoonoses, com diversas paradas para água no caminho, com a viatura fazendo a segurança e organizando o trânsito logo atrás. O percurso de aproximadamente cinco quilômetros durou três horas.

Além das situações envolvendo animais, os guardas que trabalham com a viatura da PPA (entregue durante as comemorações de 35 anos da corporação) podem atender, em meio ao patrulhamento, situações de rotina solicitadas à corporação, como furto, roubo, uso e tráfico de drogas.