Incerteza na economia

Emprego formal está em queda; mas temporário está em alta

Feira de Emprego da Uninter, no s\u00e1bado, atraiu milhares
Feira de Emprego da Uninter, no s\u00e1bado, atraiu milhares (Foto: Rodrigo Leal/Divulgação)

O mercado de trabalho temporário gerou 3.124 vagas por dia no Brasil nos três primeiros meses deste ano. Os dados da Associação Brasileira de Trabalho Temporário (Asserttem) e da Caixa Econômica Federal mostram ainda que o setor avançou 17,4% no primeiro trimestre de 2018, em comparação com o mesmo período do ano passado.
O resultado do setor foi divulgado ontem, poucos dias depois do anúncio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de junho, feito no final da semana passada, e que mostrou  que, pela primeira vez no ano, o saldo entre contratações e demissões ficou negativo no País. O Paraná perdeu 6,6 mil vagas formais naquele mês.
“Em momentos de incertezas na economia, fica difícil para as empresas investirem em despesas fixas, sem saber ao certo o que vai acontecer. Nesse sentido, considerando uma possível demanda da empresa, o trabalho temporário é a alternativa mais viável para atender a demanda de flexibilidade e de rápida mobilização de mão de obra”, diz Michelle Karine, presidente da Asserttem.
“E o trabalho temporário se destaca nesse contexto, pois é a única modalidade de contratação com prazo flexível na legislação trabalhista brasileira”, completa. Ainda segundo a presidente, entre os setores que se destacaram nessa demanda está o da indústria. E o estado líder em geração de trabalho temporário foi São Paulo, com 179.140 novas vagas neste ano, 11% superior ao resultado do ano passado.
Outro aspecto que contribuiu com o resultado positivo foi a modernização da Lei 6019/74, em março de 2017, que trouxe atualizações como a ampliação do prazo de contrato temporário, de três para seis meses, podendo ser prorrogado por mais três se a necessidade perdurar.
“O trabalhador temporário também tem todos os seus direitos garantidos, como salário equivalente ao efetivo da empresa, férias e 13º proporcionais, FGTS e também contribuição para aposentadoria”, diz Michelle
Feira do emprego
A busca por uma vaga em emprego formal levou milhares de pessoas até a 2ª Feira de Empregos e Profissões Uninter, no sábado em Curitiba. Mais de 3.500 vagas foram oferecidas, com salários de R$ 1.200,00 a R$ 12 mil, para todos os níveis, desde jovens aprendizes, doutores e pessoas com deficiência. Cerca de 40 empresas participaram da feira.
E teve gente que veio de longe atrás de uma oportunidade. “Trabalhei na área durante mais de 20 anos e vim para cá em busca de oportunidades. Deixei uma casa própria lá e espero encontrar uma vaga para conseguir me estabelecer na cidade”, conta Jessé dos Santos, 49 anos, está desempregado há mais de um ano. Ele se mudou de São Paulo para Curitiba há cinco meses e procura uma vaga de soldador.