Estela Panificadora e Confeitaria

Empresário do PR nega superfaturamento no contrato de R$ 1 milhão em bombons ao governo Bolsonaro

(Foto: Franklin de Freitas)
(Foto: Franklin de Freitas)
(Foto: Franklin de Freitas)
(Foto: Franklin de Freitas)

Ao longo de 2020, o governo federal, liderado pelo presidente Jair Bolsonaro, gastou mais de R$ 1,8 bilhão em alimentos, sendo mais de R$ 15 milhões apenas com leite condensado. Informações do (M) Dados, do portal Metrópoles, mostram ainda que o executivo federal gastou mais de R$ 2,2 milhões com chicletes e R$ 32,7 milhões com pizza e refrigerante, para ficar em poucos exemplos. E entre as compras, uma empresa localizada na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) acabou chamando a atenção: é a "Estela Panificadora e Confeitaria Eireli", localizada em Campo Largo.

LEIA MAISSó em 2020, empresa do PR faturou quase R$ 500 mil com pedidos do Exército

Conforme dados do Portal da Transparência do governo federal, a empresa teria recebido R$ 1.010.042,33 para a entrega de bombons e outros produtos ao Exército brasileiro. Em entrevista ao Bem Paraná, o responsável pela panificadora, César Fernandes, respondeu à história que ganhou muita força nas redes sociais. Segundo ele, diferente do que indicam os dados divulgados pelo próprio governo federal, a empresa ainda não recebeu o montante todo, mas apenas uma parcela do total licitado.

"Deixa eu explicar, isso é coisa do PT. Tem de tomar cuidado, perde a credibilidade em cima de uma mentira", afirmou o empresário ao Bem Paraná, relatando ainda que atende licitações já faz algum tempo. "Essa licitação é do quartel, nem é pro Bolsonaro, é pro quartel daqui, eu ganhei ano passado. O valor é um milhão e pouco, mas quando ganha uma licitação, ganha aquele montante, mas nem sempre compram tudo, geralmente compram 20, 30, 40%."

Ainda segundo César, o bombom que ele fornece ao Exército é o mesmo que se encontra em padarias de Curitiba e região. Ele ainda alega que o valor acima da média dos bombons (nas redes sociais circulam imagens acusando o custo de R$ 89 a unidade) é um erro do sistema. Ainda assim, disse que não procurou ninguém do Exército ou do governo federal nem mesmo que foi procurado por alguém dessas entidades para verificar a questão.

"Esse bombom é vendido em padaria, é R$ 89 a caixa com cem. Só que tem uma: colocaram que vendo R$ 89 a unidade. Falei 'tá louco, meu deus do céu!'. Está muito errado isso. É R$ 89 o cento, está dentro de um preço de mercado. Queria eu vender a R$ 89 a unidade. Meu lucro é entre 20 e 30% [em cima de cada unidade vendida], aí não estava aqui falando contigo".

Outras informações, contudo, chamam a atenção. Entre elas, o fato de o capital social da empresa ser de R$ 100 mil e ela ter conseguido vencer uma licitação, conforme o próprio empresário, avaliada em mais de R$ 1 milhão com o governo federal. Além disso, na internet é bastante complicado conseguir encontrar os contatos da empresa, caso alguém queira comprar os bombons. Já no local indicado como endereço do estabelecimento, as portas estão fechadas e há apenas um banner com um telefone (imagem acima).

"É um comércio, só que agora, devido à pandemia, só estou trabalhando com licitação. Parei já faz uns dois anos, só mexo com licitação. Quando tem pedido, nós entregamos", afirma César, contando ainda que amanhã "tem pedido de bombom" para entregar aos militares da RMC.

O CNPJ da Estela Panificadora e Confeitaria Eireli está ativo desde 2011. Foi só a partir de 2017, contudo, que a empresa começou a vender seus serviços e produtos para o governo federal, conforme as informações do Portal da Transparência. 

Moradores contam que é raro o local ter movimento

Ouvidos pela reportagem do Bem Paraná, moradores da região indicada como endereço da panificadora contaram que é raro alguém aparecer no local onde ficaria (ou ficava) o estabelecimento. Um dos relatos, inclusive, revela que ontem alguém teria aparecido na região e pedido para a vizinhança dizer que sempre tem gente entrando e saindo do estabelecimento - o que essa pessoa diz que não é verdade. Outro morador, que também pediu para não ser identificado, relatou já ter visto uma geladeira e um freezer dentro do local. Outras pessoas, porém, garantiram que jamais houve qualquer panificadora ali.