Novo momento

Escalada de casos de Covid ainda não reflete nas internações em Curitiba, mas frio e outras doenças preocupam

Até ontem eram 5.379 os casos com potencial de transmissão
Até ontem eram 5.379 os casos com potencial de transmissão (Foto: Franklin de Freitas)

Após um período de calmaria, que abriu caminho para o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras tanto em ambientes abertos como em ambientes fechados, Curitiba voltou a registrar nas últimas semanas uma escalada nos indicadores da Covid-19. Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), nos últimos 14 dias o número de casos ativos da doença na cidade teve aumento de 313,4% (chegando a 4.605 em 11 de maio), enquanto a média móvel (em sete dias) de diagnósticos cresceu 160% no período, com 756 registros diários ao longo da última semana.

Tal cenário tem feito muita gente questionar qual o motivo de não serem adotadas, como em outros tempos, medidas mais restritivas, que garantam um maior distanciamento social e/ou uma redução na circulação de pessoas, fazendo achatar a curva de contágio. E para responder a essas perguntas, o Bem Paraná conversou ontem com o diretor do Centro de Epidemiologia da SMS, Alcides Oliveira.

Segundo o especialista, ao longo dos últimos dois anos a capital paranaense vem mantendo uma vigilância constante da circulação do coronavírus na cidade, utilizando para tanto uma série de ferramentas para verificar a circulação de vírus respiratórios em geral no município, monitorar os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) que demandam internação e também o número de atendimentos nos estabelecimentos de saúde (públicos e privados) da cidade.

“Os vírus [respiratórios] que estão circulando hoje são os habituais, dos resfriados, gripes, que voltaram a circular no mês passado em virtude dessa queda no número de casos da Covid”, aponta o especialista, afirmando ainda que o ‘sobe e desce’ nas contaminações pelo coronavírus são algo já considerado esperado, comum, tendo em vista tudo o que aconteceu nos últimos dois anos. “No início tínhamos mais internações do que atualmente, mas a transmissão da doença continua ocorrendo e ainda temos um fator sazonal, que é o final de outono e início de inverno. Nesses dois ou três meses futuros há aumento das doenças respiratórias, com o impacto da pandemia correndo junto”, complementa.

Mas se a expectativa é de alta nos casos de síndrome respiratório (incluindo Covid) nos próximos meses, por que, afinal, não são impostas medidas mais restritivas? O fator chave, segundo Alcides Oliveira, está nas internações, que seguem num patamar estável mesmo com a recente alta no número de contaminações pelo coronavírus.

“Sempre tem a preocupação, mas a subida dessa onda está acontecendo mais lentamente. Temos um impacto nos atendimentos em geral, mas não nos internamentos. Hoje (ontem) temos oito pacientes em UTI e três em enfermaria. É muito pouco”, aponta o diretor do Centro de Epidemiologia, ressaltando ainda que o Comitê de Técnica e Ética Médica se reúne semanalmente para avaliar o avanço da crise sanitária de forma mais detalhada, analisando também as restrições conforme a situação epidemiológica.

Falta de medicamentos preocupa e cidade se prepara para temporada fria

Com o inverno se aproximando (terá início em 21 de junho) e o frio chegando em Curitiba, a SMS tratou de preparar as unidades de saúde da cidade para tender os casos de doença respiratórias, com onze unidades servindo para pronto-atendimento e funcionando, inclusive, aos sábados. Nesse sentido, Alcides Oliveira ressalta ainda a importância de as pessoas tomarem a vacina contra a gripe/influenza, especialmente os grupos prioritários (idosos, gestantes e crianças).

“É importante procurar as unidades de saúde e fazer a vacinação. É uma complicação a menos. A gripe tmbém pode levar a agravamento, internamento e até morte. Em menor proporção [do que a Covid-19], mas leva”, reforça.

Sobre a falta de medicações para o tratamento de síndromes respiratórias, ele admitiu que a situação preocupa, mas destacou que a rede pública de saúde curitibana conseguiu fazer um estoque antecipado, garantindo maior tranquilidade.

“Essa questão do medicamento é séria, está batendo no país inteiro, alguns xaropes, antibióticos. Aqui no SUS conseguimos ter uma reserva, antecipada desses principais medicamentos. Até o momento não tem faltado e temos feito toda gestão para que permaneça dessa forma. Mas todo cuidado é pouco”.

Boletins

Curitiba
A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba registrou, ontem, 1.318 novos casos de Covid-19 e um óbito de morador da cidade infectado pelo novo coronavírus. Até o momento foram contabilizadas 8.254 mortes e confirmados, 432.054 moradores de Curitiba que testaram positivo. Ontem eram 5.379 casos ativos na cidade. Ontem, a taxa de ocupação dos 15 leitos de UTI SUS exclusivos para Covid-19 estava em 53%. Restavam sete leitos livres.

Paraná
A Secretaria de Estado da Saúde divulgou nesta quinta-feira (12) mais 3.198 casos confirmados e 14 mortes em decorrência da infecção causada pelo novo coronavírus. Os dados acumulados do monitoramento da Covid-19 mostram que o Paraná soma 2.470.632 casos confirmados e 42.939 mortos pela doença.

Brasil
O boletim do Ministério da Saúde confirmou ontem mais 21.344 casos de Covid no País, com mais 125 óbitos. O total de casos subiu para 30.639.130 e o de mortes bateu em 664.641 desde o início da pandemia.

SRAGs sobem entre adultos no Paraná e mais 16 estados

O boletim Infogripe divulgado ontem pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra indícios de crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG) entre a população adulta em diversos estados do Brasil. Os dados mostram que a Covid-19 é a principal causa do aumento.

O estudo mostra que 17 das 27 unidades federativas apresentam sinal de crescimento nos casos de SRAG na tendência de longo prazo, ou seja, considerando as últimas seis semanas: Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins.

O informativo refere-se ao período de 1º a 7 de maio e tem como base os dados inseridos no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe até o dia 9 deste mês.

Segundo o boletim, no geral, a maior parte dos casos, o que corresponde a 41,2% dos vírus testados, é de vírus sincicial respiratório (VSR), que está fundamentalmente restrito a crianças pequenas. Entre os adultos, predomina o Sars-CoV-2, causador da covid-19, que corresponde a 37% do total de casos.

O Infogripe mostra ainda que entre as mortes, a causa que prevalece é a covid-19 (81,6%); em seguida, o VSR (8,5%), a Influenza A (2,8%) e a Influenza B (0,7%).