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Crise hídrica

Estiagem: Sanepar adota rodízio de água a cada 36 horas a partir de sexta na Grande Curitiba

(Foto: Franklin de Freitas)

Diante da falta de expectativa de chuva em grandes proporções e do recorde de baixo nivel das barragens da Grande Curitiba, nesta terça (11)  em 28,67% da capacidade, a Sanepar passará a implantar a partir da próxima sexta (14) um novo sistema de rodízio de água na região. O novo sistema, chamado de rodízio C, atingirá 1,2 milhão de pessoas em cada período. A região foi dividida em três grupos que ficarão sem água por 36 horas (24 horas sem e 12 horas para recuperação) e 36 horas com água. A expectativa é que, com o novo sistema, a economia  passe dos atuais 6% para 20%.  O novo sistema de rodízio ficará em vigor até que as barragens alcancem pelo menos 60% de capacidade e caso isso não aconteça, as medidas podem ficar ainda mais duras.  Em um cenário mais crítico, segundo a Sanepar, a população poderá ficar 48 horas sem água e 24 horas com abastecimento.  O anúncio foi feito em entrevista coletiva pelo diretor-presidente da Sanepar, Claudio Stabile, pelo diretor de Meio Ambiente, Julio Gonchorosky, pelo diretor de Operações, Sergio Wippel, e pelo diretor de Comunicação e Marketing, Hudson José.

Na entrevista coletiva, Stabile, ressaltou que somente com o apoio da população, a grande Curitiba poderá garantir o abastecimento de água até o ano que vem: "Dizem que o medo da seca passa na primeira chuva e é isso que acontece. As pessoas acham que porque choveu, o problema está resolvido. Estamos muiito  longe de resolver essa crise hídrica histórica por causa da estiagem. Só o engajamento da população vamos conseguir garantir o abastecimento. Precisamos ter desperdício zero de água", afirmou ele.

Saiba como reduzir o desperdício de água e ajudar na crise hídrica do Paraná

Stabile disse ainda que por causa da pandemia, a Sanepar tentou resolver o problema com o rodízio mais leve, tipo B, que afeta 750 mil pessoas por dia, e com várias obras, como desvios de água na Serra do Mar e retirada de água de pedreiras e cavas da Região Metropolitana: "Nós gastamos todas as cartas que tínhamos na manga. Agora precisamos da população para que a gente não precise chegar ao racionamento, quando a falta de água é imprevisível".  A Sanepar vai avaliar a situação das barragens e os resultados do rodízio a cada 15 dias, quando também o rodízio poderá ser flexibilizado ou não.  Um canal de denúncias chamado Alerta Água, pelo Whatsapp, será criado, provavelmente a partir desta quarta (12) para denúncias sobre o desperdício de água.

Além de alterar a programação do rodízio, a Sanepar está lançando a Campanha Meta20 para que a população economize 20% do consumo de água. “Esses 20% equivalem a 100 milímetros de chuva. Com 100 milímetros de chuva ou de economia da população, ganhamos um mês de reservação”, explicou o presidente da Companhia, Claudio Stabile. 

Veja a situação das barragens na Grande Curitiba nesta terça (11): 


Barragem do Iraí 10,5%
Barragem Passaúna
Barragem Piraquara 1 17,26%
Barragem Piraquara 2 82,27%
Total do Saic 28,67%

Distribuição de caixas d´agua e instalação de lavatórios para vulneráveis

Para diminuir o impacto do novo rodízio entre a população mais vulnerável, a Sanepar iniciou nesta terça (11) também a distribuição gratuita de caixas d´água de 500 litros para 2.800 famílias da área de rodízio da Região Metropolitana de Curitiba.  Serão atendidas famílias incluídas no programa de Tarifa Social, em áreas do rodízio e em localidades onde é mais demorada e mais difícil a recuperação do abastecimento (ponta de rede ou topografia acidentada). Cada família receberá um kit para a instalação e também a estrutura de suporte da caixa. As famílias são selecionadas em um processo técnico da Sanepar.

Outra medida para diminuir o impacto da seca severa e permitir medidas de prevenção nesse momento de pandemia do coronavírus é a instalação de lavatórios comunitários em locais públicos de várias cidades do Paraná. A iniciativa, que começou em Curitiba, é realizada em parceria com as prefeituras municipais. Inicialmente, estão sendo instalados 53 lavatórios comunitários em 30 municípios para atender a população em geral.

Em Curitiba e Região Metropolitana, são 13 equipamentos instalados em pontos estratégicos, onde há grande circulação de pessoas. Foram selecionados municípios de maior porte e com índice mais alto de contágio da Covid-19, de acordo com informações da Secretaria Estadual de Saúde. Os municípios atendidos irão assinar Termo de Adesão e Protocolo de Intenções, já que os equipamentos não serão doados pela Companhia.
Os lavatórios são acionados por um pedal, para não haver contato manual, e têm suporte para sabão. Os custos com água e sabão, a manutenção e a inspeção periódicas ficam a cargo dos municípios.

Tempo

O inverno, que já é um período normalmente seco, tem sido ainda mais árido neste ano. Com exceção de parte do Centro-Oeste e do Sudoeste, a média de chuvas ficou abaixo do normal em todo o Estado entre maio e julho, segundo informações do Simepar. Julho foi o mês mais seco: em praticamente todo o Paraná, choveu de 80% a 100% menos do que era esperado para o período. Na estação meteorológica de Curitiba, por exemplo, o acumulado de chuvas foi de 26,4 milímetros em julho, contra 128,4 milímetros em junho, quando as precipitações ficaram próximas à média. Em nenhuma das estações do Simepar o acumulado ultrapassou 60,2 milímetros no mês passado. O menor índice foi registrado na estação de Maringá, que chegou a apenas 8,6 milímetros. A estiagem que já dura um ano no Paraná, com mais intensidade na região Leste (RMC e Litoral), não deve dar trégua até a primavera. A previsão do Simepar é que ela se prolongue, pelo menos, até as próximas chuvas de verão, entre dezembro e fevereiro do ano que vem.

“Podemos esperar um resto de inverno seco, com poucos eventos e chuvas menos intensas até o início da primavera. Mesmo que chova mais na próxima estação do que agora, o volume ainda será insuficiente”, explica o diretor-presidente do Simepar, Eduardo Alvim. “Esta situação preocupa porque precisamos de pelo menos três meses de chuva dentro ou acima da média para conseguir recompor os níveis dos mananciais”, diz.

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