Publicidade
Disfagia

Estresse ajuda a agravar distúrbios de deglutição

Doença que é a dificuldade em fazer o alimento progredir a boca para o restante do aparelho digestivo pode estar presente em qualquer ponto da via digestiva

Distúrbio da deglutição quer dizer dificuldade em fazer progredir os alimentos da boca até o estômago. Como este trajeto é longo, o problema pode estar em qualquer ponto da via digestiva (boca, faringe, laringe, esôfago, esfíncteres, recessos ou bolsas na laringe e ou no esôfago, ou o problema pode vir do estômago).
Estima-se que 6 a cada 10 pessoas são afetadas com o problema, principalmente pessoas idosas.
Chamada pelos médicos de disfagia, a doença também pode ser decorrente do sistema nervoso central (trauma crânio encefálico, AVC, derrame, paralisia cerebral) onde se localiza o centro de controle e comando da deglutição.
Os principais sintomas da disfagia são eructações (arrotos), tosse, engasgos, sensação de refluxo dos alimentos ingeridos, sensação de empachamento gástrico, distensão abdominal, náuseas, vômitos, azia, queimação, flatulência, pigarro, sensação de bolo na garganta e dor abdominal.
A especialista em otorrinolaringologia, Jeanne Oiticica, explica que a doença é bem comum nos dias de hoje. Em especial se considerarmos que as pessoas se alimentam mal (alimentos muito processados), mastigam pouco, comem muito rápido e estão sempre correndo e apressadas. O estresse e a pressão do dia a dia também são agravantes.
O tratamento, segundo a médica, que também é Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, inclui mudanças de hábitos, fracionamento da dieta, dar preferência aos alimentos in natura, beber água regularmente, evitar bebidas gaseificadas, álcool, abuso de café, alimentos condimentados e frituras. Se ao adotar essas medicas citadas acima os sintomas não melhorarem, é importante procurar um especialista, já que pode ser necessário o tratamento com medicamentos ou até mesmo cirurgia.
Automedicação e autotratamento são perigosos, pois pode haver regurgitação, ou seja, o alimento refluir e voltar. Neste trajeto em contramão também pode ocorrer a broncoaspiração, quando o líquido (ácido do estômago e ou alimento) penetra na via respiratória, que pode desencadear dispneia (falta de ar), pneumonia, entre outras complicações, alerta Jeanne.
O distúrbio da deglutição também pode estar associado a alguma outra doença, como refluxo gastroesofágico, hérnia de hiato, laringocele/esofagocele (bolsas ou recessos que existem na laringe e ou esôfago), inflamação ou infecção no trato digestivo e até mesmo câncer.

Algumas dessas causas da disfagia conhecidas
Má formação do esôfago
Quando a dificuldade surge na infância, o problema pode ser a má formação do órgão.
Anel de Schatzki
Um estreitamento do esôfago de causa benigna, provocado pelo aparecimento de lesões em forma de anel dentro do órgão.
Esofagite infecciosa
Inflamações do esôfago causadas por infecções. Candidíase, citomegalovírus e herpes podem provocar inflamação e dificultar a passagem dos alimentos.
Radioterapia
Pacientes que foram submetidos ao tratamento da radioterapia para tumores do tórax ou do pescoço podem ter como efeito colateral lesões no esôfago.
Membrana esofágica
São membranas finas que se desenvolvem no interior do esôfago, habitualmente em pacientes com anemia por carência de ferro.
Divertículos do esôfago
São pequenos sacos que se formam dentro da luz do esôfago que podem provocar obstrução por conta dos alimentos.
Tumores do pescoço
Tumores ao redor da faringe ou do esôfago, como tumores da tireoide, podem ser causa da disfagia.
Redução do calibre do esôfago
É causado por cicatrizes provocadas por quadros de inflamações do esôfago de longa data.
Esofagite eosinofílica
É uma infiltração da parede do esôfago por eosinófilos, grupos de células de defesa do sistema imunológico. Esse ataque torna a parede do esôfago inflamada e rígida, impedindo a passagem de bolos alimentares que sejam maiores.
Outras causas comuns
Alguns medicamentos podem causar a disfagia, como antibióticos e até mesmo antiinflamatórios.

DESTAQUES DOS EDITORES