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Crise

Ex-goleiro, Marcos deixa cargo de dirigente do Paraná Clube e solta o verbo

Marcos
Marcos (Foto: Geraldo Bubniak)

O ex-goleiro do Paraná Clube Marcos, que defendeu o clube até 2017 e depois virou diretor de futebol do clube, renunciou ao cargo. Na noite desta segunda-feira (18), ele divulgou uma nota à torcida do clube explicando os motivos. Segundo ele, o desligamento ocorreu na sexta-feira (15), mas só foi comunicado agora. “Não tinha me manifestado publicamente até então a pedido do presidente Leonardo Oliveira”, disse ele, na nota.

Na nota, Marcos disse ter se sentido desgastado. “Analisando o contesto, percebi que estava fazendo o papel de um diretor de futebol figurativo. Minhas ordens não são acatadas”, disse ele., que também citou outros problemas. “E continuou o desgaste pela má conduta profissional de alguns funcionários do clube”. O ex-goleiro disse ainda ter sido agredido verbalmente por um jogador ao qual não recomendava a contratação.

Veja a íntegra da nota:

 

“Nota direcionada a nação paranista.

Venho através desta informar o meu desligamento do Paraná clube, que ocorreu na última sexta feira dia 15/03. 

Não tinha me manifestado publicamente até então a pedido do presidente Leonardo Oliveira.

Mas por respeito ao torcedor vou compartilhar o que está acontecendo.

Depois de me aposentar como atleta profissional em 2017, recebi da diretoria o convite para ser gerente de futebol, a princípio fiquei com dúvidas em aceitar, por isso pedi um tempo para pensar, nas férias analisando a proposta que me foi feita, conversando com minha esposa, ela me disse: “Amor, lembra de todas as coisas que você gostaria de mudar no clube e como atleta não poderia fazer, agora você terá essa oportunidade!”

Então, com o apoio da minha família decidi aceitar. 

Com pouco tempo de trabalho percebi que não ia conseguir alcançar meus objetivos, porque tudo dentro do clube era centralizado em apenas uma pessoa. Por isso decidi sair, entretanto conversando com atletas amigos e profissionais companheiros de trabalho que me pediam para continuar no clube, permaneci confiante e dedicado em fazer o meu melhor, sempre ajudando na parte emocional, fazendo a gestão de grupo, trabalhando nos bastidores para termos o melhor ambiente de trabalho possível. O que eu mais fazia dentro do clube era “apagar incêndios” para que a situação não ficasse ainda pior diante da falta de resultados positivos. 

Com a saída do diretor executivo, o presidente me pediu para assumir o cargo de diretor do clube. 

Quando assumi o cargo, minha primeira preocupação era saber como estava a saúde financeira do clube, para garantir o compromisso com os salários dos nossos atletas. A resposta que obtive diante do presidente Leonardo Oliveira e do financeiro seu Oliveiros, foi de que estava tudo dentro do orçamento, que teríamos condições financeiras de arcar com os compromissos assumidos. Mas infelizmente com o não pagamento da parcela da CBF não foi possível arcarmos com os compromissos financeiros do clube.

 A minha segunda preocupação e prioridade foi bater de frente com a falta de comprometimento e profissionalismo de alguns atletas e também de funcionários do clube, que não estavam honrando a nossa camisa. Essa postura era o que realmente mais me machucava, infelizmente fiquei de mãos atadas, não consegui resolver várias situações de falta de profissionalismo e até mesmo falta de ética profissional, por esses profissionais estarem assegurados por contratos. 

Meu próximo passo foi, em conjunto com os treinadores, trazer os meninos da base para treinar com o profissional, tendo assim a oportunidade de nos ajudarem, fiz isso já pensando na valorização dos nossos atletas e na sua formação. Formação visando crescimento para o atleta e financeiramente para o clube. 

Em dezembro de 2018 foi formada uma comissão que compunha: diretoria, comissão técnica e analistas para contratação de atletas. Eu me posicionei totalmente contra a permanência de um atleta específico que não nos ajudou em nada em 2018. 

Sem me comunicarem absolutamente nada, agindo pelas minhas costas, esse mesmo jogador foi contratado e só fiquei sabendo no dia da apresentação dos atletas, o que me causou tamanha decepção  pela falta de respeito e consideração ao meu cargo, como é possível um diretor de futebol não ser informado da contratação de um atleta?!  

E no decorrer da pré temporada, outras situações sérias e de suma importância que fazem a total diferença para o clube, como a divulgação do regulamento interno logo na chegada dos atletas, não foram colocadas em prática, são regras e condutas que o atleta deve cumprir dentro e fora do clube.

Analisando o contesto, percebi que estava fazendo o papel de um diretor de futebol figurativo. Minhas ordens não são acatadas.

E continuou o desgaste pela má conduta profissional de alguns funcionários do clube. 

Na véspera do jogo contra o Cascavel, fui agredido verbalmente pelo mesmo atleta que fui contra a sua contratação,fui agredido por me posicionar contra a falta de comprometimento do mesmo.  Nesta situação mais uma vez não tive o apoio da diretoria da forma que mereço . Esperei por uma atitude mais firme diante da gravidade dos fatos. 

E diante de toda essa situação, vendo que não tenho autoridade para conseguir mudar as coisas, em conversa com o presidente decidi me desligar do clube.

Para não me prolongar ainda mais, deixarei para falar dos projetos e viagens feitas a Europa, e visita dos chineses ao clube em outra ocasião. 

Estarei a disposição da imprensa para responder a todas as perguntas. 

Fica aqui o meu agradecimento a toda nação paranista. 

Marcos Oliveira”.

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