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Saúde em Foco

Febre amarela, não precisa ter pânico

Estamos passando pelo maior surto de febre amarela no país, mas não devemos entrar em pânico. Curitiba não está entre as regiões do Brasil onde o Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra a febre amarela. No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde está em alerta para evitar que a doença chegue à cidade. Por isso, recomenda a vacinação em pessoas que irão viajar para o interior do Paraná ou para as regiões onde a imunização é recomendada.
Não é necessário e nem indicado que as pessoas tomem a vacina contra a febre amarela indiscriminadamente. Para quem realmente precisa, a vacina é considerada segura, pois os efeitos colaterais são raros. Mas vale lembrar que ela tem vírus vivo atenuado e, por isso, mesmo sendo raros os efeitos colaterais, eles podem ser potencialmente danosos. Um a cada três milhões de pessoas imunizadas pode ter uma doença imitando a febre amarela ou até mesmo problemas neurológicos. Gestantes, imunodeprimidos e crianças menores de 9 meses não devem ser vacinados.
Quem tomou a vacina uma vez, está protegido por toda a vida. Para viagens internacionais é preciso certificado da Anvisa, que pode ser solicitado com o comprovante da vacina. O novo certificado não tem mais prazo de validade, considerando que a vacina deve ser feita apenas uma vez na vida e não a cada 10 anos como era recomendada anteriormente, desde que aplicada a dose inteira. Se você for tomar a vacina antes de viajar, o ideal é de duas a quatro semanas antes da viagem para garantir a imunização.
Existem dois ciclos possíveis da doença. O ciclo silvestre, que só ocorre nas matas, e o ciclo urbano que não está acontecendo no Brasil. O vírus que causa a febre amarela urbana ou a silvestre é exatamente o mesmo. Isso significa que os sinais, sintomas e evolução da doença são exatamente os mesmos. A diferença está nos mosquitos transmissores e na forma de contagio. A febre amarela silvestre é transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes que vivem nas matas e na beira dos rios. Estes mosquitos picam macacos contaminados e depois picam pessoas que adoecem. Por isso há relato de mortes de macacos nas regiões acometidas. O macaco serve como um marcador, um aviso de que tem vírus circulando naquela região. Por conta da vacina, a febre amarela urbana não existe no Brasil desde 1942 e é transmitida quando um mosquito urbano, o Aedes aegypti, pica uma pessoa doente e depois pica outra pessoa, transmitindo a doença. Exatamente como acontece com a dengue, zika e chikungunya.
Além da vacina, outra forma de prevenção, que serve tanto contra a febre amarela, quanto para dengue, zika e chikungunya, é o uso correto de repelente. É preciso estar atento na hora de comprar o produto, dando preferência para os que têm uma concentração adequada, com ação de 6 a 8 horas no mínimo. A forma correta de passar também deve ser observada. Infelizmente o brasileiro costuma ter uma postura mais reativa que preventiva. Em diversos locais onde a vacina já é recomendada, a população ainda hesita em tomar. Da mesma forma acontece com a vacina contra a gripe, pois mesmo fazendo parte do grupo de risco, algumas pessoas só buscam imunização depois de serem registradas mortes na região por conta da doença.
A febre amarela é uma doença grave, com letalidade que gira em torno de 40%. Não existem medicamentos disponíveis para destruir o vírus, apenas um suporte e o monitoramento de pacientes em hospitais. Em Curitiba, a vacina está disponível na rede pública para quem irá viajar ou recebeu indicação médica. Vamos evitar o pânico exagerado, mas acompanhar quais são as regiões de riscos e tomar atitudes preventivas quando necessário.
*Jaime Rocha é infectologista da Unimed Curitiba.

 

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