Todo cuidado é pouco

‘Fazer teste não anula risco de contaminação por Covid-19’, diz médico sobre festas de fim de ano

Muitas pessoas têm feito testes para que possam passar as festas de fim de ano com  família reunida: sem certeza
Muitas pessoas têm feito testes para que possam passar as festas de fim de ano com família reunida: sem certeza (Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

Para tentar passar o Natal e Ano Novo com a família mesmo durante a pandemia de Covid-19 e contra todas as recomendações das autoridades de saúde, muitas famílias têm optado pela realização de exames para verificar a presença do vírus ou não e assim estarem ‘liberadas’ para as festas. De olho no crescimento desta tendência, o Hospital de Clínicas do Paraná (HC) fez um alerta nesta segunda (21) de que os testes não anulam a possibilidade de propagação do coronavírus entres as famílias, porque dependendo do estágio da infecção, falsos negativos são muito comuns.

Em entrevista ao Bem Paraná, o médico infectologista do Hospital de Clínicas, Bernardo Montesanti Machado de Assis, o teste ajuda a identificar o transmissor, mas não pode dar 100% de certeza de que os familiares não estão infectados. “Se a pessoa estiver com vírus incubado no momento do teste, o resultado dará negativo. Outro fator perigoso é o tempo do teste. Se a pessoa faz o teste hoje e vai encontrar a família daqui a quatro ou cinco dias, pode falhar. Ou seja o teste não substitui os cuidados, o distanciamento, o álcool gel o uso de máscara”, afirmou o médico. O mais próximo do ideal e da segurança para passar as festas juntos seria todos os convidados ficarem 14 dias isolados e mesmo assim haveria o risco de contaminação durante o transporte de um lugar para outro, explicou ele. “O ideal é só passem juntos as festas aqueles que convivem no mesmo núcleo familiar, vivem juntos. O mínimo de pessoas. E se por acaso alguém de fora participar tem que ser com distância, principalmente na hora da ceia, e por pouco tempo, mas não é recomendável”, disse Assis.

A preocupação das autoridades de saúde e do HC também é que as festas de fim de ano aumentem o número de casos, de doentes, internações e pressionem ainda mais o sistema de saúde, que já está próximo do colapso. “Nós não entramos em colapso total porque as secretarias de saúde estão aumentando os leitos artificialmente. No HC, a margem tem sido de 95% de ocupação. Se aumentar a demanda com as festas, não será possível aumentar a capacidade física e de pessoal dos hospitais. Será o caos”, alertou o médico. “Claro que entendemos o desejo das famílias passarem as festas juntas, mas não é momento, aliás é o momento mais perigoso para isso”, completou.

O secretário de Estado de Saúde, Beto Preto, tem feito repetidos alertas para que os paranaenses não se reúnam nas festas de fim de ano, sob pena de o colapso atingir a rede de hospitais, que já está pressionada. Ele também tem pedido que os curitibanos evitem descer para o Litoral durante as festas e a temporada.

Paraná alcança 7.271 óbitos e soma 375.335 casos de coronavírus
A Secretaria de Estado da Saúde divulgou nesta segunda-feira (21) mais 844 casos confirmados e 19 mortes em decorrência da infecção causada pelo novo coronavírus no Paraná.

A Sesa registra também 1.429 casos confirmados retroativos do período entre 14 de julho a 19 de dezembro. Os dados acumulados do monitoramento da Covid-19 mostram que o Paraná soma 375.335 casos e 7.271 mortos em decorrência da doença.A secretaria estadual informa a morte de mais 19 pacientes. São 8 mulheres e 11 homens, com idades que variam de 26 a 88 anos. Os óbitos ocorreram entre 22 de novembro a 21 de dezembro.

Os pacientes que foram a óbito residiam em: Cianorte (3), Cascavel (2), Palmas (2). A Sesa registra ainda a morte de uma pessoa que residia em cada um dos seguintes municípios: Anahy, Foz do Iguaçu, Ibema, Ivaiporã, Marechal Cândido Rondon, Maringá, Pato Branco, Prudentópolis, Santa Helena, Santa Tereza do Oeste, São Jorge D’Oeste e Terra Roxa.

Curitiba registra mais 16 mortes; taxa de ocupação de UTIs está em 91%

Curitiba registrou, nesta segunda-feira (21), 846 novos casos de covid-19 e 16 óbitos de moradores da cidade infectados pelo novo coronavírus, conforme boletim da Secretaria Municipal da Saúde. 15 desses óbitos ocorreram nas últimas 48 horas. As novas vítimas são 11 homens e cinco mulheres, com idades entre 43 e 91 anos. Todos apresentavam fatores de risco para complicações da doença e estavam internados. Ontem, taxa de ocupação dos 374 leitos de UTI SUS exclusivos para covid-19 está em 91%. No momento restam 32 leitos livres.

Até agora são 2.091 mortes na cidade provocadas pela doença neste período de pandemia. Com os novos casos confirmados, 103.925 moradores de Curitiba testaram positivo para a covid-19 desde o início da pandemia, dos quais 89.950 estão liberados do isolamento e sem sintomas da doença.São 11.884 casos ativos na cidade, correspondentes ao número de pessoas com potencial de transmissão do vírus.

Estradas
Paraná estuda implementar barreiras sanitárias
Em entrevista ao telejornal Meio Dia Paraná, da RPC, o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, disse que o governo do Estado estuda a possibilidade de implementar barreiras sanitárias nas estradas paranaenses para medir a temperatura e orientar os viajantes sobre os riscos da pandemia. "Ninguém vai ficar proibido de se deslocar, nada disso, mas nós queremos medir a temperatura das pessoas, informar os perigos que estão sendo colocados às pessoas que saem dos seu ambiente natural, do seu grupo familiar mais próximo, para outros ambientes", disse o secretário.