FUP convoca protesto contra indicação de Paes de Andrade à Petrobras

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) convocou para segunda-feira, 27, às 10h, um protesto contra a indicação de Caio Paes de Andrade à presidência da Petrobras. O ato vai acontecer na porta do Edifício Senado, atual prédio da estatal. No mesmo dia, o Conselho de Administração da Petrobras deve votar para confirmar ou não Paes de Andrade no cargo. Ele recebeu o aval do Comitê de Elegibilidade (Celeg) e a tendência é que assuma o comando da empresa.

Os petroleiros argumentam que Paes de Andrade não atende aos requisitos, exigidos na Lei das Estatais e acolhidos pela governança da Petrobras, para chefiar a empresa. Ele é formado em Comunicação Social com pós-graduação em administração e, aponta a FUP, não tem experiência executiva ou formação acadêmica relacionada ao setor de petróleo e gás.

Mesmo assim, Paes de Andrade foi avalizado pelo Celeg, que recomendou aprová-lo no cargo em meio à forte pressão do governo federal. Atual secretário de desburocratização do Ministério da Economia, ele foi indicado pela União no início do mês, mas sofreu resistência de alguns conselheiros da estatal.

"Bolsonaro faz nova troca na presidência da Petrobras pela terceira vez só este ano, num ato desesperador para fingir que está tentando baixar o preço dos combustíveis", diz a nota da FUP sobre o protesto.

Segundo os petroleiros, trocar o presidente da Petrobrás sem alterar a política de preço é "cortina de fumaça e malabarismo midiático eleitoreiro".

"É necessário um real debate sobre a formação do preço dos combustíveis, investimento nas refinarias, reversão das privatizações e novos editais de contratação para petroleiros para aumentar a produção nacional e conquistar a autossuficiência em combustíveis fósseis", continua a FUP em nota.

Após a renúncia do ex-presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, que também tinha uma cadeira no Conselho de Administração, dez conselheiros estão aptos para deliberar sobre a indicação de Paes de Andrade nesta segunda: cinco são indicados pela União, quatro foram eleitos por acionistas minoritários e um foi indicado pelos empregados da estatal. O governo, portanto, vai precisar de pelo menos um voto para além dos seus indicados para confirmar o atual secretário de Desburocratização no comando da Petrobras.