Publicidade
Operação Piloto

Fux deve julgar habeas corpus de 'ex-braço-direito' de Beto Richa contra prisão

Deonilson: defesa de ex-chefe de gabinete de Richa repetiu argumentos que basearam habeas corpus de Jorge Atherino
Deonilson: defesa de ex-chefe de gabinete de Richa repetiu argumentos que basearam habeas corpus de Jorge Atherino (Foto: Bem Paraná/Arquivo)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, deve julgar pedido de habeas corpus do ex-chefe de gabinete do ex-governador Beto Richa (PSDB), Deonilson Roldo, preso em setembro do ano passado na operação Piloto, 53ª fase da Lava Jato, que investiga um esquema de pagamento de propina pela Odebrecht ao grupo político do tucano em troca de favorecimento em uma licitação para obras de duplicação da PR 323 (região Norte), em 2014. No último sábado, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, acatou pedido semelhante e determinou a soltura do empresário Jorge Atherino, preso na mesma operação, e apontado pelo Ministério Público Federal como o “operador financeiro” do esquema.

Em relação a Roldo, Toffoli encaminhou no mesmo dia, um pedido de informações ao juiz Paulo Sergio Ribeiro, da 23.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, antes de tomar uma decisão. “Oficie-se, com urgência, ao Juízo da 23ª Vara Federal de Curitiba/PR para que, em até 48 horas, preste informações pormenorizadas e atualizadas a respeito da situação do paciente”, escreveu Toffoli no despacho. “Ressalto que o pedido em questão não gera prejuízo ao paciente, na medida em que o Relator do feito, o eminente Ministro Luiz Fux, estará no exercido da Presidência a partir do dia 14 deste mês”, explicou o ministro.

Roldo e Atherino foram presos sob a acusação de participarem de um esquema que teria recebido pelo menos R$ 3,5 milhões da Odebrecht em 2014, para favorecer a empreiteira na licitação para obras da PR 323. O dinheiro seria destinado ao caixa dois de campanha de Richa, que disputou a reeleição para o governo naquele ano.

Entre as provas apresentadas estão a gravação de uma conversa entre o ex-chefe de gabinete, em fevereiro de 2014, no qual Deonilson Roldo sugere ao empresário Pedro Rache, do grupo Bertin, e controlador da empresa Contern, planejava participar da concorrência. Na conversa, Deonilson afirma que o grupo de Richa tinha “compromissos” com a Odebrecht, e pede que a Contern se afaste da disputa em troca da participação em negócios com a Copel. No pedido de prisão de Roldo, o MPF apontou ainda suspeitas de que Roldo estava trabalhando na coordenação da campanha de Beto Richa ao Senado nas eleições de 2018.

Poder - No pedido de habeas corpus ao STF, os advogados do ex-chefe de gabinete repetem praticamente os mesmos argumentos que embasaram a defesa de Atherino: a de que os fatos descritos na denúncia teriam ocorrido em 2014, quatro anos antes da prisão, e que Roldo, assim como o grupo político de Richa – que não conseguiu se eleger senador – estão afastados do poder e não teriam como influir para atrapalhar as investigações ou obstruir o processo.

Leia mais no blog Política em Debate

DESTAQUES DOS EDITORES